Mama

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Direção: Andrés Muschetti

Roteiro: Neil Cross, Andrés Muschetti e Barbara Muschetti, baseado em história de Andrés Muschetti e Barbara Muschetti

EUA, 2013, Terror, 100 minutos

Sinopse: Quando o pai de Victoria e Lilly mata a mãe das garotas, as crianças fogem assustadas para uma floresta. Durante cinco anos, ninguém tem notícia do paradeiro delas, até o dia em que elas reaparecerem, sem explicarem como sobreviveram sozinhas. Os tios das duas, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) e Annabel (Jessica Chastain) adotam Victoria e Lilly e tentam dar uma vida tranquila às duas, mas logo eles percebem que existe algo errado. As duas conversam frequentemente com uma entidade invisível, que chamam de “Mama”. Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, ou se devem culpá-las pelos estranhos acontecimentos na casa. (Adoro Cinema)

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Vou fazer uma confissão: não tenho o costume de me familiarizar com o gênero terror, seja por nunca ter me interessado de fato por sofrer na sala de cinema ou por ter visto exemplares suficientemente empolgantes. Sim, é um pouco de cada, mas me distancio cada vez mais do terror porque, nos últimos, tornou-se inacreditável a quantidade de filmes ruins do gênero que são produzidos. No cinema estadunidense, então, nem se fala. O último exemplar que realmente me deu medo veio, na realidade, da Espanha, com o excelente [REC]. Entretanto, por alguma razão que não consigo explicar, resolvi dar uma chance para esse tal de Mama. Não, não foi para ver Jessica Chastain de roqueira com camiseta do Misfits – até porque nem ela se salva aqui. De qualquer forma, paguei caro por essa insistência descabida: nem bem transcorridos 20 minutos, eu já me perguntava o que estava fazendo frente ao longa.

Sim, o trabalho do diretor Andrés Muschietti é mais um do gênero que falha em criar tensão, elaborar uma história decente e prender o espectador. Tudo o que acontece é justamente o oposto: não demorou muito – pelo menos na minha sessão – para que a plateia começasse a rir das situações apresentadas. Rir não de nervoso, mas de humor involuntário mesmo. Pois verdade seja dita, Mama é um filme mal contado e repleto de clichês. Tolo, para ser mais preciso. E, ainda que tenha o nome de Guillermo Del Toro na produção executiva, a participação do diretor em nada é um bom indício visto que, recentemente, ele integrou a equipe de outro terror aborrecido: Não Tenha Medo do Escuro.

Dito isso, vamos ao filme. Adaptado do curta Mamá, do próprio Andrés Muschietti,  essa versão em longa-metragem sofre do problema mais corriqueiro em adaptações do tipo: a história não se sustenta em um formato maior. Se, no curta, a ideia das garotinhas que foram criadas por “Mama”, um fantasma egoísta e maquiavélico que não quer humanos perto de suas “filhas”, já parecia algo não muito instigante, em um formato mais ambicioso a situação só piora. Nada em Mama chama a atenção, principalmente porque todas as desculpas e motivações apresentadas pelo roteiro escrito por Neill Cross, André Muschietti e Barbara Muschietti são completamente esfarrapadas. A disputa pela guarda das crianças é rasa, os coadjuvantes são nada mais que mera formalidades e todo o contexto é frouxo – especialmente quando a protagonista se vê obrigada a ficar sozinha em casa com as menininhas.

O pior de tudo, no entanto, é acompanhar um terror cuja tensão nunca se consolida. Já não bastasse a trilha de Fernando Velázquez ser praticamente nula de tão previsível (o que é uma pena, visto que, recentemente, ele foi certeiro ao transbordar emoção em O Impossível), os sustos são praticamente inexistentes (quando não presentes pelas maneiras óbvias com um vaso quebrando ou algo do gênero) e a figura da Mama nunca causa medo. E eis, aí, uma das armadilhas mais comuns que o filme não escapar: ao invés de apostar na sempre certeira lógica de deixar o espectador imaginar como seria uma figura desconhecida, Mama logo entrega de bandeja a forma do tal fantasma, anulando qualquer chance de tensão com o personagem excessivamente computadorizado que parece vindo diretamente de um videogame. O diretor, portanto, erra nas circunstâncias e no terror em si – e assim fica difícil ter boa vontade para relevar as demais fragilidades.

Misturando previsíveis elementos de criancinhas, casa na floresta e fantasmas, Mama é dispersivo e não deixa o espectador muito convencido de qual o principal conflito da história. Afinal, o que move o suspense? E como ficar curioso por uma resolução se não nos importamos nem pelo seu desenvolvimento? A direção frouxa, o roteiro mal elaborados e os efeitos pouco imaginativos afundam esse filme que fez sucesso de bilheteria nos Estados Unidos. Curiosamente, na época de seu lançamento, Mama dividiu as atenções com o drama A Hora Mais Escura. Ou seja, Jessica Chastain liderava duplamente as bilheterias. Ponto positivo com um e vergonha desnecessária com outro. É um mistério o envolvimento dela com esse “terror”: Chastain não combina com Mama e pouco ameniza o resultado desse filme esquecível que, para os mais exigentes como eu, é uma completa bobagem – a maior do ano até agora, arrisco dizer.

FILME: 2.0

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5 comentários em “Mama

  1. Suas palavras foram bem caprichadas porém ñ me convenceram! Bom como cada um tem sua própria opinião vou deixar a minha aqui. ^^
    Achei o filme ótimo! porq foge dessa onda de ”grupos de amigos que vão pra uma casa afastada de tudo e de todos onde morrem todos ou então sobra um ou dois pra contar a história no final”. Tudo bem que as meninas vão parar em uma casa na floresta e isso pareça meio clichê … mas fora isso achei o filme bem interessante por ser diferente! uma historia louca, mas original!!! ñ daria exatamente 10 mas 9,5 com certeza!!
    abraço.

  2. Wanderley, achei uma completa bobagem. Juro que não fiquei tenso com o filme em momento algum!

    Stella, deixe passar esse. Se for pra conferir um terror recente, dê uma chance ao ótimo “A Morte do Demônio”.

    Oliveraires, a Chastain já demonstrou trabalho em muitos outros filmes… Aqui, ao meu ver, ela está no mínimo deslocada…

  3. Ainda bem que li a tempo, Matheus. Não vou nem alugar o filme, pois só encaro os de gênero terror que os amigos cinéfilos recomendam. Dessa roubada você me salvou, obrigada!

  4. Nossa, Matheus, surpreendente. Eu gostei mais de Mama do que achava q iria gostar e olha q concordo com tudo o q vc disse sobre o desgaste do gênero no cinema.

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