Amor Profundo

Beware of passion, Hester. It always leads to something ugly.

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Direção: Terence Davies

Roteiro: Terence Davies, baseado na peça homônima de Terence Rattigan

Elenco: Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Ann Mitchell, Simon Russell Beale, Karl Johnson, Jolyon Coy, Harry-Hadden Paton, Sarah Kants, Oliver Ford Davies, Barbara Jefford, Mark Tandy, Nicolas Amer

The Deep Blue Sea, EUA/Inglaterra, Drama, 98 minutos

Sinopse: Na década de 1950, Hester Collyer (Rachel Weisz) é a jovem esposa de um importante juiz do Estado, Sir William Collyer (Simon Russell Beale). Envolvida em um casamento afetuoso, mas sem contato sexual, Hester inicia uma relação fulgurosa com um piloto aéreo (Tom Hiddleston) perturbado por suas experiências durante a guerra. Quando a relação entre os dois é descoberta, Hester decide cometer suicídio. Mas quando os planos falham, ela começa a questionar as escolhas que fez em sua vida. (Adoro Cinema)

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Há quem questione o fato de Rachel Weisz ter vencido praticamente todos os prêmios possíveis por interpretar Tessa Quayle em O Jardineiro Fiel. Ela tinha uma concorrente de peso e tão boa quanto (Michelle Williams, por O Segredo de Brokeback Mountain), mas é meio injusto dizer que Weisz não merecia celebrações pelo filme de Fernando Meirelles. Isso porque poucas vezes ela foi devidamente aproveitada como naquele filme. Depois de O Jardineiro Fiel, no entanto, a carreira dela não mudou muito e foram raríssimas as suas chances de destaque (lembro com carinho apenas de sua pequena participação em Um Beijo Roubado), mas agora ela tem mais uma grande oportunidade de colocar seu talento à mostra em Amor Proundo, um longa que dá várias circunstâncias para Weisz brilhar frente às câmeras. O resultado é não apenas um dos momentos mais interessantes da carreira da atriz. Ela própria consegue ser muito maior que o próprio filme.

Baseado na peça homônima de Terence Rattigan, Amor Profundo quer ser um mini-clássico dos filmes de romance com protagonistas complicadas que não conseguem ter sucesso em qualquer investida amorosa. Tudo colabora para isso: Londres, década de 1950, cenários tomados por fumaça de cigarro, vocabulário elegante, frases prontas, figurinos bem desenhados, fotografia nebulosa, e por aí vai. É um trabalho que emula bastante a técnica britânica de fazer histórias nesse formato. Ponto positivo, portanto, para o filme, que consegue ser eficiente quando leva o espectador para o universo da personagem, tornando aquele determinado pedaço de tempo e espaço completamente críveis. Na técnica, o trabalho de Terence Rattigan é certeiro ao fazer a devida ambientação e tem o mérito de transpor o espetáculo original para as telas de cinema sem qualquer confusão entre as linguagens.

A situação já é outra quando o assunto é dramaticidade, pois o maior problema de Amor Profundo é o fato do roteiro não conseguir dar conta da protagonista. A Hester Collyer de Rachel Weisz parece não caber no filme. Mesmo com um ritmo arrastado, o texto tem dificuldade em processar e transmitir tudo o que se passa com a protagonista. Saindo de um casamento infeliz e arriscando seu destino com uma paixão que pode não lhe dar o mais seguro dos futuros, ela vai da paixão à tentativa de suicídio sem que o filme acompanhe essa turbulência de emoções. Se muito parece acontecer dentro dela, o mesmo já não se pode dizer de Amor Profundo, que está sempre carente de maiores intensidades. Por isso mesmo, é completamente normal sentir que que algo está sempre faltando ou que as motivações de Hester nunca ficam muito claras ou até mesmo convincentes.

É por não estar em sintonia com o intenso emocional de sua protagonista que Amor Profundo termina como apenas uma experiência mediana. Em suma, cobertura demais para pouco recheio. O ponto alto, claro, é Rachel Weisz, que chegou a ser eleita a atriz do ano pela associação de críticos de Nova York e figurar entre as cinco finalistas de melhor atriz dramática no Globo de Ouro. Ela é a principal responsável por Amor Profundo ter certa força dramática. Uma vez ou outra, o filme lhe dá oportunidades para desfrutar de bons momentos com Simon Russell Beale, um coadjuvante que consegue elevar o filme a um outro patamar: toda vez que a Hester de Weisz contracena com o marido traído e ainda apaixonado de Beale, o filme de Terrence Davies ganha uma força extra. Perto do todo, no entanto, é pouco para tornar a experiência empolgante ou emocionante.

FILME: 6.5

3*

2 comentários em “Amor Profundo

  1. Gosto muito da Rachel Weisz e acho que ela é uma atriz muito subestimada, às vezes. Confesso que minha maior curiosidade em relação a este “Amor Profundo” é para poder conferir a elogiada performance dela, que, como você bem lembrou, atraiu a atenção da crítica e da última temporada de premiações.

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