O Lugar Onde Tudo Termina

If you ride like lightning, you’re going to crash like thunder.

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Direção: Derek Cianfrance

Roteiro: Derek Cianfrance, Ben Coccio e Darius Marder, baseado em história de Derek Cianfrance e Ben Coccio

Elenco: Ryan Gosling, Bradley Cooper, Dane DeHaan, Eva Mendes, Ray Liotta, Craig Van Hook, Rose Byrne, Mahershala Ali, Olga Merediz, Harris Yulin, Bruce Greenwood, Emory Cohen, Ephraim Benton, Luca Pierucci

The Place Beyond the Pines, EUA, 2012, Drama, 140 minutos

Sinopse: Luke (Ryan Gosling) é um motociclista misterioso, que pilota dentro de globos da morte para um circo itinerante. Quando descobre que sua ex-namorada, Romina (Eva Mendes), teve um filho seu, ele tenta se reaproximar dela. Sua intenção é mostrar-se um pai capaz de sustentar o filho e, para isso, Luke decide participar de uma série de roubos a bancos. O problema é que Luke não consegue reprimir seu lado violento, o que lhe traz problemas não apenas com Romina mas também com Robin (Ben Mendelsohn), seu parceiro de assaltos. Apesar dos vários problemas inesperados que surgem, ainda assim Luke resolve realizar sozinho um assalto a banco. Perseguido pela polícia, ele vira alvo de Avery Cross (Bradley Cooper), um policial que cumpria sua rotina fazendo a ronda diária. (Adoro Cinema)

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Foi com Namorados Para Sempre que o diretor Derek Cianfrance conseguiu chamar a atenção de plateias ao redor do mundo. Antes, ele já havia dirigido curtas e documentários para a TV, mas foi com esse difícil filme estrelado por Ryan Gosling e Michelle Williams que ele se lançou como uma das promessas do cinema contemporâneo. E não por menos: Namorados Para Sempre é um longa incrivelmente maduro, além de doloroso e franco em relação aos altos e baixos de um casamento problemático. Agora, dois anos depois, Cianfrance volta com este O Lugar Onde Tudo Termina, que em nada se parece com o seu filme anterior. Aliás, eis aí uma de suas tantas qualidades: ele consegue repetir qualidades sem copiar estilo, produzindo algo inteiramente novo e que só atesta o seu crescente talento como realizador.

Mais ambicioso atrás das câmeras e também na própria estrutura que adota no roteiro para desenvolver uma história ao longo de 140 incansáveis minutos, Cianfrance faz de O Lugar Onde Tudo Termina uma experiência completamente surpreendente. É aconselhável não ler nada sobre o filme antes de assisti-lo, mas, ainda assim, você pode ser pego de surpresa em vários momentos. Isso porque o longa faz questão de pegar o espectador pela mão, levá-lo por um certo caminho durante um bom tempo para depois, do nada, seguir uma trajetória oposta, onde as resoluções não são as esperadas e os acontecimentos só atestam a capacidade de Cianfrance de conseguir ousar sem nunca sequer dar sinais de que está perto de se perder. Se parece que a premissa principal de O Lugar Onde Tudo Termina está acabada aos 40 minutos, logo o roteiro dá uma guinada que conduz o espectador para uma outra trama que, mesmo diferente, dá sequência uma saga e retoma cada detalhe do que estávamos acompanhando até então.

O trabalho de direção é particularmente contundente, bem como o roteiro escrito por Cianfrance em parceria com Ben Coccio e Darius Marder. Tudo o que aparece tem uma razão para estar ali e mesmo situações perfeitamente deduzíveis (quem não adivinhou logo de cara o propósito do personagem vivido pelo jovem Dane DeHaan?) ganham contornos interessantíssimos, seja em função de uma admirável dimensão dramática ou de um clima de tensão constantemente presente. Afinal, apesar de O Lugar Onde Tudo Termina adotar um ritmo relativamente pausado para desenvolver uma ou outra storyline, sempre temos a sensação de que algo está prestes a explodir – seja com uma tragédia que posteriormente se confirma ou com mudanças que redefinem o rumo de todos os personagens. Mais importante ainda, é preciso tirar o chapéu para a sintonia entre a direção e o texto: juntos, eles fazem com que a experiência seja sempre surpreendente e consistente na medida exata.

A trilha de Mike Patton dá o clima para O Lugar Onde Tudo Termina (atenção para a bela composição instrumental The Snow Angel) e é um dos elementos que ajuda o filme a ter essa tensão dramática que se sustenta ao longo dos seus três blocos. Sim, a história tem partes bem distintas e você pode até gostar mais de uma do que de outra, mas nunca poderá dizer que a produção perde o ritmo ou não tem harmonia entre tudo o que é desenvolvido. A disciplinada direção tem papel fundamental nesse sentido, até porque ainda consegue tornar todas as histórias perfeitamente palpáveis ao comandar seus intérpretes: Ryan Gosling está sempre presente na mente do espectador mesmo quando não aparece em cena, Bradley Cooper dá continuidade a boa fase de sua carreira como um sujeito que se vê em uma situação completamente inesperada e Dane DeHaan  pode repetir um pouco o papel de garoto problemático, mas, como sempre, se sai muito bem com essa construção.

Frequentemente inesperado, O Lugar Onde Tudo Termina foge do convencional e consegue entrar na cabeça do espectador, que não consegue deixar de se sentir envolvido por cada personagem e cada avanço do roteiro. Será fácil encontrar quem não se empolgue com uma certa divisão de estilos do filme: ele, na realidade, não é inteiramente um drama ou exclusivamente um filme de crime ou suspense. Porém, chega a ser até uma heresia não reconhecer a força narrativa desse longa-metragem muito bem realizado que mostra uma versatilidade muito grande de seu comandante. É por tudo que vemos em O Lugar Onde Tudo Termina que não é nenhum exagero dizer que, se continuar nesse ritmo, Derek Cianfrance logo se firma de vez como um dos grandes nomes de sua geração. Desde já, espero ansioso pelo seu próximo filme.

FILME: 9.0

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5 comentários em “O Lugar Onde Tudo Termina

  1. Pingback: Ponto Crítico – Jun/13 | Cine Resenhas

  2. Matheus, pela sua crítica tivemos reações parecidas causadas por este ótimo filme. Tu escolheu ótimas palavras para descrevê-lo. Um grande abraço!

  3. Matheus, gostei muito deste filme. Derek Cianfrance é um grande diretor de elenco. O Jason adolescente caminha exatamente igual ao pai. Se não for coincidência, ele é um mestre dos detalhes! E o personagem do Ryan Gosling se mantem presente durante todo o filme. Incrível.

  4. Kamila, o filme é surpreendente mesmo e de muita ousadia (a história do personagem do Ryan Gosling me impressionou particularmente pelos rumos que toma!).

  5. Bom, pelo jeito, esse será o único acerto cinematográfico de Ryan Gosling em 2013. Só tenho lido boas opiniões sobre esse “O Lugar Onde Tudo Termina”. Gosto de “Namorados Para Sempre” e minha curiosidade em relação a essa segunda parceria entre Derek Cianfrance e Ryan Gosling reside justamente nas boas opiniões que tenho lido e no fato do filme ter sido classificado como surpreendente em muitas das críticas que li.

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