Behind the Candelabra

I love to give the people a good time.

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Direção: Steven Sodebergh

Roteiro: Richard LaGravenese, baseado no livro “Behind the Candelabra”, de Scott Thorson com Alex Thorleifson

Elenco: Michael Douglas, Matt Damon, Rob Lowe, Debbie Reynolds, Scott Bakula, Eric Zuckerman, Pat Asanti, Casey Kramer, Randy Lowell, Eddie Jemison, Jane Morris, Garrett M. Brown, Cheyenne Jackson, John Smutny

EUA, 2013, Drama, 118 minutos

Sinopse: Antes de Elvis, Elton John, Madonna e Lady Gaga, existiu Liberace (Michael Douglas), pianista e estrela de teatro e televisão que abraçou uma vida de excessos nos palcos e fora deles. No verão de 1977, um bonito jovem chamado Scott Thorson (Matt Damon) entrou em seu camarim, e eles, apesar da diferença de idade e dos mundos completamente diferentes, embarcaram em um romance que durou cinco anos.

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Terapia de Risco foi, na realidade, o último filme de Steven Soderbergh para as salas de cinema. Em termos de produção de longas-metragens para qualquer plataforma, o diretor supostamente se despede com esse Behind the Candelabra, estrelado por Michael Douglas e Matt Damon. Particularmente, gosto mais dessa despedida, que conta com o tradicional requinte de uma produção da emissora HBO. E o melhor de tudo: fora os detalhes técnicos, o filme tem uma história bem contada e cheia de atrativos – diferentemente do recente Phil Spector, também da HBO, que decepcionou profundamente ao desperdiçar excelentes atores e personagens. Em Behind the Candelabra, exibido dia 26 de maio nos Estados Unidos e ainda sem previsão de lançamento no Brasil, acompanhamos a história real de Liberace (Michael Douglas), pianista e showman que, antes de Elvis, Madonna, Elton John e Lady Gaga, já fazia barulho com seu talento musical – e, principalmente, com suas extravagâncias na vida e no guarda-roupa.

Liberace diz ter inventado a moda de tocar piano acompanhado de candelabros. E o trabalho de Steven Soderbegh mostra, como o próprio título indica, o que acontecia atrás dos tais candelabros: a vida profissional do protagonista está ali com várias apresentações e até uma especial atenção para a vez que ele se apresentou no Oscar, mas o que importa mesmo é o recorte que mostra o seu relacionamento amoroso de cinco anos com o jovem Scott Thorson (Matt Damon). Liberace por si só já era uma figura curiosíssima (ele faleceu em 1987), já que sempre foi escancaradamente gay, com maquiagens, figurinos e performances que davam esse atestado. No entanto, mesmo vivendo anos com um homem e também falecendo em função da AIDS, misteriosamente nunca teve coragem de se assumir (para a imprensa, ordenou que relacionasse seu óbito a uma doença cardíaca). Inclusive, a negação de Liberace ia além: em uma autobiografia, escreveu sobre um casamento de anos com uma mulher – o que, claro, nunca aconteceu.

Do outro lado, temos um personagem que não é espalhafatoso como Liberace, mas que também tem suas particularidades. É Scott, jovem loiríssimo do interior que, com um visual à la Mark Wahlberg em Boogie Nights – Prazer Sem Limites, sai de uma vida ordinária para conhecer um mundo cheio de dinheiro e possibilidades. E quem o apresenta a tudo isso é Liberace, levando-o para sua vida pública como secretário e assistente mas para a pessoal como amante e seu “Adônis” particular. Não bastasse a relação dos dois por si só já ser riquíssima em termos de dramaturgia, o filme faz questão de tornar a figura individual do jovem suscetível a várias interpretações: ele dizia ser bissexual mas nunca se relacionava com mulheres, fazia todas as vontades de seu companheiro (inclusive inúmeras cirurgias plásticas!) e não dava muitos indícios de ter qualquer personalidade. Deslumbre, amor, gratidão? Você escolhe.

O trabalho realizado por Michael Douglas e Matt Damon para dar vida a esses dois personagens é de tirar o chapeu. O primeiro já pode reservar espaço na estante para vários prêmios, já que está excepcional como o extravagante protagonista. Muito mais do que segurar com firmeza um papel que não cai em exageros ou em tons insuportáveis, Michael Douglas, entendendo por completo as alegorias de Liberace, se entrega inteiramente a essa experiência gay, que exige não apenas um trabalho gestual minucioso como também um preparo para cenas bastante íntimas com Matt Damon. E, para um ator de seu nome e idade, só o fato de ele ter aceitado o papel sem qualquer vaidade ou preconceito já demonstra uma coragem que poucos teriam. Entretanto, se Douglas tem o papel mais chamativo, não dá pra diminuir Matt Damon em função disso. A falta de personalidade de Scott nunca vira inocência exacerbada nas mãos do ator, que consegue estar sempre à altura de Douglas – trabalhando, inclusive, com um personagem que talvez exija muito mais dramaticamente.

Behind the Candelabra pode até perder um pouco o fôlego na sua última meia hora e não ser um filme revolucionário, mas o que conta aqui é o fato da história não ser quadrada – o que é um grande alívio para os dias de hoje, quando as biografias infestam as salas de cinema parecendo cópias umas das outras. É uma boa união entre o roteiro de Richard LaGravenese (baseado no livro do próprio Scott Thorson) e a direção de Soderbergh. Dos figurinos coloridos à direção de arte cheia de requinte, Behind the Candelabra ainda consegue controlar esse mundo gay da história, onde nada fica over, com tudo sendo muito fiel ao que Liberace era e representava. Se Soderbergh não primou por qualidade x quantidade nos últimos anos, conseguiu pelo menos dirigir seu último filme com bastante êxito. Por fim, também já lanço aqui uma campanha para que os filmes da HBO sejam exibidos no cinema. Caso fosse assim, ano passado Julianne Moore teria vencido todos os prêmios da temporada e, em 2014, Michael Douglas já despontaria como favorito para conquistar sua segunda estatueta.

FILME: 8.0

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2 comentários em “Behind the Candelabra

  1. Gosto do Soderbergh e duvido que ele se aposente. Acho a história por trás de “Behind the Candelabra” muito interessante, pela personalidade que Liberace foi. Além disso, os elogios ao telefilme – bem como as recentes indicações ao Emmy – me fazem querer muito assistir a esta obra.

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