Amor Pleno

Life’s a dream. In dream, you can’t make mistakes. In dream, you can be whatever you want.

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Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Elenco: Ben Affleck, Olga Kurylenko, Javier Bardem, Rachel McAdams, Tatiana Chiline, Romina Mondello, Tony O’Gans, Charles Baker, Marshall Bell, Casey Williams, Jack Hines, Paris Always

To the Wonder, EUA, 2013, Drama, 112 minutos

Sinopse: Um homem (Ben Affleck), descontente com a sua vida, viaja a Paris e inicia uma profunda relação amorosa com uma europeia (Olga Kurylenko). Ele volta para os Estados Unidos e se casa com esta mulher, para ajudá-la a ter a permissão de estadia americana. Mas após o casamento, a relação dos dois se degrada. Neste momento, ele encontra uma antiga namorada (Rachel McAdams), com quem inicia um novo romance. (Adoro Cinema)

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Ter estilo é para poucos. Mais difícil ainda é criar um e ser celebrado por ele. Quentin Tarantino tem. Pedro Almodóvar também. Só que nem todos conseguem adotar um estilo e alcançar 100% de aproveitamento sempre. O próprio Almodóvar já se repetiu de forma pouco interessante (caso de Abraços Partidos, um filme preguiçoso). E é exatamente nessa armadilha de reciclagem de estilo que o diretor Terrence Malick cai em Amor Pleno, produção que marca o espaço mais curto de tempo entre dois de seus trabalhos (normalmente, esperam-se no mínimo quatro anos). Este lançamento está apenas um ano na frente de A Árvore da Vida, que dividiu opiniões mas que foi celebrado mundialmente, da Palma de Ouro em Cannes até a indicações ao Oscar – incluindo a de melhor direção para Malick. Talvez entusiasmado com tamanha repercussão, o diretor tenha tentado reproduzir tudo desse longa em Amor Pleno. O resultado, no entanto, é uma versão menor e mais desinteressante de A Árvore da Vida – filme que, para o escriba que vos fala, já não era lá tão empolgante.

O que mina a aceitação de Amor Pleno é a falta de novidades, já que, aqui, pouco se cria. Tal repetição poderia ser interessante futuramente, mas não agora, quando A Árvore da Vida foi realizado há tão pouco tempo. Por estar tão próximo deste longa, o novo trabalho de Malick é duplamente cansativo – e isso não se refere apenas ao ritmo pausado, mas a própria insistência do diretor em querer ser contemplativo durante cada minuto da projeção. Por isso, prepare-se: novamente vamos ter pessoas girando incansavelmente entre árvores, folhas caindo, muitas correntezas, vento movimentando cabelos, e por aí vai… Se você foi um daqueles que se sentiu incomodado com isso em A Árvore da Vida, não pense duas vezes: passe longe de Amor Pleno, longa onde a reciclagem é acentuada e excessiva – mas também com uma história menos complexa e com atores que não chegam a instigar. Também pudera: os diálogos são praticamente inexistentes, onde o protagonista entra mudo e sai calado e tudo é construído por meio de breves narrações em off. Eles só precisam girar, correr e se abraçar…

Amor Pleno, claro, é muito bonito. Até porque se, nessa repetição, não fosse certeiro aí seria mesmo de cortar os pulsos. Temos novamente a parceria com o brilhante Emmanuel Lubezki (e o resultado, óbvio, é espetacular), uma bela trilha sonora (sai Alexandre Desplat, entra o igualmente competente Hanan Townshend) e imagens de encher os olhos. Fora os elementos técnicos, outro ponto interessantíssimo do filme é a storyline do personagem vivido por Javier Bardem. Como um padre em plena crise espiritual, seu papel se destaca por duas razões: primeiro porque seus dilemas são, de fato, interessantes (e aqui sim o tom contemplativo é aplicado efetivamente), e segundo porque Javier é um grande ator, cujas expressões por si só já tornam o personagem atraente. Ele quase nos faz esquecer que sua história está quase deslocada e avulsa diante de todo o conjunto. Ainda em relação à história, para um filme que deseja falar de relacionamentos, falta coração em Amor Pleno, que é frio e seco. Sentimos o visual, mas não a história.

Cansativo e restrito em sua totalidade (seja pelo ritmo da trama ou pelo exaustivo jogo de imagens), Amor Pleno é um exercício acomodado que não precisava existir – o que se reflete na sua própria recepção: até mesmo alguns entusiastas de A Árvore da Vida desaprovaram essa mais recente investida de Terrence Malick. Sem falar, ainda, do fracasso de bilheteria e de um suposto processo de investidores que querem de volta o dinheiro. Para 2014, o diretor tem nada menos que mais três (!) projetos: Knight of Cups, com Christian Bale e Natalie Portman, já em pós-produção; Voyage of Time, com Brad Pitt e Emma Thompson, também em finalização; e um projeto ainda sem título, que reúne um elenco simplesmente absurdo: Ryan Gosling, Cate Blanchett, Michael Fassbender, Rooney Mara, etc. Que todos esses projetos devolvam a fé por Malick e que não sejam, como esse Amor Pleno, um projeto monótono e deveras pretensioso.

FILME: 5.5

2*

2 comentários em “Amor Pleno

  1. Kamila, entendo quem tem uma marca… Mas esse “Amor Pleno” não chega nem a ser uma variação do estilo do Malick. É pura reciclagem de “A Árvore da Vida”!

  2. O negócio, Matheus, é que esse estilo “cansativo” é a marca principal do cinema do Terrence Malick. Ele é onírico, gosta de silêncios narrativos. É um tipo de cinema difícil de gostar. Uns acham poéticos, uns compartilham de sua opinião. Quando eu assistir “Amor Pleno”, veremos de que lado me coloco.

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