Bling Ring – A Gangue de Hollywood

I think we just wanted to be part of the lifestyle.

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Direção: Sofia Coppola

Roteiro: Sofia Coppola, baseado no artigo “The Suspect Wore Louboutins”, de Nancy Jo Sales

Elenco: Katie Chang, Emma Watson, Israel Broussard, Claire Julien, Taissa Farmiga, Georgia Rock, Leslie Mann, Carlos Miranda, Gavin Rossdale, Stacy Edwards, G. Mac Brown, Marc Coppola

The Bling Ring, EUA, 2013, Drama, 90 minutos

Sinopse: Nicki (Emma Watson), Marc (Israel Broussard), Rebecca (Katie Chang). Sam (Taissa Farmiga) e Chloe (Claire Julian), entre outros jovens de Los Angeles têm em comum uma vida meio vazia, de pais ausentes, como Laurie (Leslie Mann), mãe de Nicki, que não tem a menor noção do que as filhas estão fazendo nas ruas, durante o dia e, pior, durante a noite. Fascinados pelo mundo glamuroso das celebridades das revistas, como Paris Hilton, e artistas como Kirsten Dunst, o grupo começa a fazer pequenos assaltos na casa dessas pessoas, quando descobrem que entrar nas residências deles não é nada difícil. Cada vez mais empolgados com “os ganhos”, o volume dos saques desperta a atenção das autoridades, que decidem dar um basta nos crimes dessa garotada sem limites. Baseado em fatos reais. (Adoro Cinema)

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Em O Diabo Veste Prada, de David Frankel, a protagonista Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jornalista recém-formada cheia de ideais que mal sabe se vestir e consegue um emprego na conceituada revista de moda Runway. Inicialmente contrariada, ela pouco a pouco começa a se envolver com aquele mundo que desprezava até virar uma moça de salto alto bem vestida que não dispensa uma boa grife. Quando é obrigada a refletir sobre sua transformação frente à chefe Miranda Priestly (Meryl Streep), ela nega firmemente ter se tornado uma jovem que só pensa em flashes e roupas. Mas Miranda rebate: “Não seja ridícula. Todo mundo quer isso. Todo mundo quer ser como nós”. Se Andrea Sachs virou outra pessoa pela força do ambiente em que trabalhava, os protagonistas de Bling Ring – A Gangue de Hollywood já não podem dizer o mesmo. Eles são exatamente o que Miranda Priestly atesta: pessoas que querem estar nesse mundo – nem que para isso tenham que assaltar a casa de várias celebridades estadunidenses.

Baseado no artigo The Suspect Wore Louboutins, de Nancy Jo Sales, publicado originalmente na revista Vanity Fair, o mais novo filme de Sofia Coppola não chega ser a revolução capaz de apagar as péssimas impressões de Um Lugar Qualquer, aquela tortura realizada pela diretora antes de Bling Ring – A Gangue de Hollywood. Mas esta nova investida tem o seu valor, principalmente porque, antes de retratar uma geração obcecada por roupas, sapatos e perfumes, também faz um eficiente estudo dessa necessidade específica dos jovens de hoje de alcançar qualquer tipo de fama, seja frente às câmeras de TV ou a um computador contabilizando vários likes no Facebook. Só que já diz o ditado que ser famoso na internet é o mesmo que ser rico em banco imobiliário. Por isso, os jovens de Bling Ring não se contentam com fotos em festas que se repercutem no Facebook. Eles querem mais. E, para isso, invadem as casas de celebridades como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Rachel Bilson para roubar e se vangloriar com todos os acessórios caríssimos que levaram secretamente da casa de cada uma delas.

Obviamente que a necessidade de fama e tal irresponsabilidade para consegui-la denotam outros problemas emocionais e imaturidades que não são discutidas pelo filme. E nem precisam, até porque elas não casariam com a proposta de Sofia Coppola. Só as circunstâncias apresentadas pela diretora já bastam para que possamos levantar nossas próprias discussões acerca dos personagens (inclusive dos próprios pais, figuras curiosíssimas e tão irresponsáveis quanto próprios os filhos). O problema de Bling Ring – A Gangue de Hollywood é outro: mostrar incansavelmente as mesmas cenas durante praticamente uma hora de projeção. Todos nós sabemos que Coppola gosta de falar sobre o vazio na vida de pessoas que querem/precisam mostrar justamente o contrário. Porém, frequentemente ela confunde o nada da vida de seus personagens com mostrar nada em seus longas longas. O cúmulo foi Um Lugar Qualquer, e Bling Ring – A Gangue de Hollywood flerta muito com esse perigo. Em 20 minutos, já entendemos todas as obsessões e os vazios de cada personagem do filme. Porém, a diretora insiste em ficar mostrando, cena após cena, as infinitas provas de figurino e perfumes dos jovens dentro das casas em que entraram ilegalmente.

Tudo isso é uma grande perda de tempo por duas razões bem significativas. Primeiro porque desperdiça o grande senso de diversão que, sim, existe na diretora. Sofia Coppola sempre foi ótima com trilhas sonoras (lembro particularmente do épico álbum de Maria Antonieta) e, aqui, volta e meia faz cenas muito envolventes em festas cheias de luzes, som e dança. Segundo porque, justamente, quando a história começa a desenvolver de forma mais complexa a personalidade dos personagens, o filme termina. Incessantemente instigante em seus minutos finais, Bling Ring – A Gangue de Hollywood fica, assim, com uma forte sensação de incompletude. Os atores estavam ganhando mais força, as motivações de cada um estavam sendo devidamente pontuadas e as personalidades traçadas com notável desenvoltura pelos atores. Com essa meia hora final rápida e rasteira, não deu para esquecer aquelas sequências repetitivas e redundantes de assaltos, purpurinas e figurinos caríssimos. Preocupando-se mais em glamourizar esse lado da história (o que chega até a ser um tanto discutível) e menos nas consequências e no significado disso tudo, Bling Ring – A Gangue de Hollywood quase se torna tão vazio quanto seus próprios protagonistas.

FILME: 6.0

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7 comentários em “Bling Ring – A Gangue de Hollywood

  1. Hugo, não tinha qualquer curiosidade com esse filme (também, depois de “Um Lugar Qualquer”…) e, mesmo assim, achei mediano.

    Kamila, talvez sejam todos vazios mesmos, mas os que mais gostei me passavam alguma emoção. Esse já é o segundo trabalho consecutivo dela que, além de ser subestimado, flerta demais com o tédio!

    Layane, mais uma para a lista então haha

    Giovan, gostei da Emma, mas confesso que tenho certa resistência com ela, que sempre achei muito forçada e careteira.

    Tiago, minha reação ao teu comentário é a mesma que a tua em relação ao meu texto: adorei, só não concordo haha Continue sempre voltando aqui, por favor! :)

    Juliana, idem para o comentário que fiz ao Tiago!

  2. Concordo com o Tiago. Longe de ser vazio, Sofia para mim acertou em não buscar justificativas demais para suas personagens em situações extra-gangue, ou seja, logo o perfil (e a motivação) individual vai se esboçando nas próprias cenas de excesso (e sim, repetitivas): a dupla que inicia a brincadeira é bem distinta das ‘convidadas’ que passam a formar o grupo em seguida. Há algo que os une, que pode ser alvo da critica sobre a sociedade contemporânea, e há o que os distingue, mesmo que fique a critério de quem os assistes. Cansada de roteirinhos começo(1/3)-meio(2/3)-fim(3/3), super coerente como bling ring se desenvolve até o final (e pare por aí. o filme termina, a história, nem tanto).

  3. Discordo. O que você critica eu acho um ponto alto do filme, Coppola não toma uma decisão, é imparcial e como é nós que temos que julgar, acho que o vazio dos personagens deveria ser como tinha que ser, eles são assim, rasos, superficiais então não tem o que extrair muito deles e dessa parcela da juventude que possui nos dias de hoje (lógico que eles tem seus problemas que é um pouco retratado no filme). Então eu já vejo como um ponto alto e que se Coppola fosse detalhar a profundidade de cada um dos integrantes ai sim, seria longo e cansativo demais e ela poderia cair naqueles dramalhões que estamos cansados de ver. E reforço ainda mais o que eu digo e acho que gostei porque eu li não só o artigo como o livro e o que se lê no livro você diz: “ESSES JOVENS EXISTEM MESMO? QUANTA FUTILIDADE!” então eu já achei um máximo ela retratar isso, sem precisar acrescentar onde não tem o que ser acrescentado. Achei atual, agil, pop, uma trilha sonora de dar inveja. Porém realmente a quantidade de cenas repetidas incomoda um pouco.

    De qualquer forma adorei a sua crítica, sempre visito o blog :DDD

  4. Mas, os filmes da Coppolinha são vazios. Talvez, justamente porque seus personagens não tenham muita vida. Ainda não assisti a esse “Bling Ring”, mas só sei de uma coisa: considero a Coppolinha muito superestimada.

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