Diana

Somewhere between right and wrong there is a garden. I’ll meet you there.

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Direção: Oliver Hirschbiegel

Roteiro: Stephen Jeffreys, baseado no livro “Diana – Her Last Love”, de Kate Snell

Elenco: Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James, Charles Edwards, Daniel Pirrie, Juliet Stevenson, Jonathan Kerrigan, Laurence Belcher, Harry Holland, Leeanda Reddy

Inglaterra/França/Suécia/Bélgica, 2013, Drama, 113 minutos

Sinopse: Prestes a se divorciar de Charles, a princesa Diana (Naomi Watts) divide seu tempo entre a solidão da vida no palácio em que vive e os compromissos que possui com diversas entidades beneficentes. Um dia, ao saber que um amigo foi operado às pressas, ela vai até o hospital em que está internado e lá conhece o doutor Hasnat Khan (Naveen Andrews). Diana logo fica encantada pelo fato dele não a tratar como uma princesa, apesar de saber quem ela é. Não demora muito para que iniciem um relacionamento, mantido às escondidas devido ao desejo de Hasnat em ter uma vida reservada. (Adoro Cinema)

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A jogada tinha tudo para ser imbatível: depois de anos entregando excelentes desempenhos e vindo de uma (segunda) indicação ao Oscar por O Impossível, Naomi Watts finalmente ganharia a estatueta mais cobiçada do cinema. A fórmula (biografia + sotaque + maquiagem + penteados) acusava o tão esperado reconhecimento a essa intérprete que é uma das melhores de sua geração e uma das poucas que ainda não têm as devidas honrarias. Só que Diana, filme que narra os dois últimos anos da personagem-título e o relacionamento amoroso dela com um médico paquistanês, fracassou em praticamente todos os sentidos. Assim como Hitchcock – que era aposta certa para o Oscar de melhor ator com Anthony Hopkins – o longa de Oliver Hirschbiegel não foi bem de críticas e chegou ao Brasil com uma péssima divulgação, passando praticamente despercebido até mesmo pelo público em geral, que certamente tem razões de sobra para se interessar pela biografia de uma figura tão icônica e querida quanto Lady Di.

No entanto, não dá para contestar esse esquecimento de Diana. É até fácil endossá-lo. O que poderia ser uma delicada e envolvente história sobre uma das mulheres mais influentes da década de 1990 termina como um romance de menininha – na pior conotação que essa afirmação pode sugerir. Isso mesmo, a produção estrelada por Naomi Watts acerta na lógica de que contar um recorte da vida de alguém é mais interessante do que a narração de todo o conjunto, mas peca por encenar equivocadamente um lado muito duvidoso e desinteressante de Lady Di. As intenções do roteiro de Stephen Jeffreys, baseado no livro Diana – Her Last Love, de Kate Snell, são válidas: mostrar o lado “mulher” da personagem, focando-se menos no alvoroço que ela causava com a mídia e mais no seu íntimo, especialmente na última grande paixão que viveu. O problema é que não existe um estudo aqui: todo o tal relacionamento vivido por Diana é meramente jogado na tela com cenas e diálogos rasos dignos de romances adolescentes com juras de amor, brigas infantis e brincadeirinhas na beira da praia.

É por isso que a abordagem chega a ser um tanto estranha e duvidosa, pois Diana pinta um retrato imaturo da figura-título. E, se de fato ela era imatura, o filme desenvolve esse perfil de superficial e pouco convincente. A Lady Di de Watts surge completamente submissa e sem personalidade: quando instantaneamente se encanta  pelo médico Hasnat (Naveen Andrews, insosso), compra um livro de anatomia para se inteirar do assunto; quando descobre que ele gosta de jazz, passa a ouvir todos os cd’s possíveis do gênero; e, quando se vê impossibilitada de ir ao hospital visitá-lo em função da imprensa, compra uma peruca para aparecer disfarçada. A tentativa de humanização e de colocá-la no patamar “gente como a gente” tem seu valor, mas é feita de forma pouco envolvente, principalmente porque Diana ganha um ritmo claramente mais envolvente na quando se dedica ao espírito humanitário da protagonista com a população. É particularmente bela a cena em que ela, no meio da multidão, deixa que um cego toque seu rosto para que ele possa realizar o sonho de conhecê-la. As visitas de Diana aos hospitais da África e sua luta para desativação de minas terrestres (que ganharia um belo legado, como os próprios letreiros finais enfatizam) também demonstram justamente o oposto do que é desenvolvido pelo lado romântico do longa: uma mulher destemida, diferente e a frente de seu tempo.

Com uma pessoa tão rica em possibilidades dramáticas encabeçando a história, é de se chatear que Diana tenha optado por uma abordagem tão desestimulante. Ao se concentrar no romance da protagonista, o filme fica sem ritmo, frequentemente andando em círculos e instalando conflitos – novamente – dignos de romances previsíveis, como na sequência em que o reservadíssimo Hasnat briga com Diana porque a imprensa descobriu o affair dos dois. Para poupar o namorado, ela desmente o caso publicamente… e Hasnat briga com ela novamente por causa da mentira! E é assim durante praticamente todo o longa, com duas facetas da princesa que simplesmente não casam: a mulher insegura e submissa de um lado e, do outro, a figura pública revolucionária que inspirou multidões. Se não existisse menção ao nome de Lady Di ou se não mostrasse brevemente os feitos reais de sua protagonista, Diana sequer pareceria uma biografia. Complicado saber se a culpa é exclusivamente do roteiro, até porque a escolha de direção é um tanto inusitada: Oliver Hirschbiegel, um alemão dirigindo a cinebiografia de uma britânica depois de ter fracassado com seu debut hollywoodiano em Invasores.

Diana não é um filme que tem problemas de coesão ou estética confusa como A Dama de Ferro, por exemplo. Hirschibiegel tem até certa disciplina que dá ares requintados ao resultado. O problema é mesmo essa redução da figura da protagonista a uma historinha de amor que não merecia tanto destaque. Quem sofre com tudo isso? Naomi Watts, claro. Sem o poder imensurável de uma Meryl Streep da vida para sair ilesa de um filme irregular, ela não consegue escapar das deficiências do roteiro. Se o trabalho corporal, o sotaque, a maquiagem e os penteados são sim convincentes para fazer o espectador crer que estamos acompanhando os bastidores de Diana, a figura que ela representa fica automaticamente enjoada com os melodramas românticos impostos pelo texto. Tanto a atriz quanto a personagem representada por ela mereciam um filme mais delicado e intimista que não confundisse humanização com frequentes lugares comuns de romances apresentados aqui. Duas chances perdidas: a de finalmente consagrar uma excelente atriz (mesmo que por meio do clichê  de dar um Oscar para uma biografia) e a de mostrar o outro lado de um círculo que foi tão bem narrado pelos olhos de Elizabeth II (Helen Mirren) em A Rainha.

FILME: 6.0

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7 comentários em “Diana

  1. Alan, mas, por um lado, fico feliz que “Diana” tenha dado errado. Essa história de atrizes injustiçadas terem que fazer biografias para ganhar Oscar é de última!

    Ricardo, a Diana era uma figura tão rica… É uma pena mesmo que tenham se focado nesse romance dela.

    Kamila, por Naomi o filme até que vale. Agora o resto…

    Brenno, idem para o comentário que fiz ao Alan =)

    Clóvis, na minha lista, Naomi ainda não teria um Oscar… Quem sabe, talvez, por “21 Gramas”, mas Charlize Theron me impressiona demais em “Monster – Desejo Assassino”.

    Edson, não tive problema com os penteados haha

  2. Concordo com você em tudo, entretanto, penteado convincente? O cabelo da Princesa Diana não era daquela jeito nos anos retratados no filme e em alguns momentos dá pra perceber claramente que é uma peruca.

  3. Queria tanto que esse filme desse certo, apenas para ver a Naomi finalmente receber o Oscar dela, que na minha opinião, ela já merecia por “Cidade dos Sonhos”. Aguardarei esse longa para DVD.

  4. Uma pena que um filme do qual esperávamos tanto não rendeu aquilo que se era esperado dele. De toda maneira, quero conferir, por causa de Naomi Watts (uma das atrizes que mais gosto) e também porque a Diana era uma personalidade bastante magnética e tenho curiosidade para saber qual o retrato que foi feito dela.

  5. Fala Matheus! Tive a mesma impressão quando assisti ao trailer do filme, e o sentimento de perderem a chance de fazer uma biografia digna e menos voltada para um romance nessa vida de princesa. Uma pena. Abraço

  6. Uma pena que o filme não é bom como pretendia. Aliás, estava na torcida justamente por conta da Naomi que, pocha vida, merece ganhar logo o Oscar, rs (como como a Julianne Moore <333).

    Tô pra assistir, mas ando com uma certa preguiça depois de ler tantas críticas desanimadoras…

    Abs ;)

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