Capitão Phillips

The problem is not me talking. The problem is you not listening.

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Direção: Paul Greengrass

Roteiro: Billy Ray, baseado no livro “A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea”, de Richard Phillips (com Stephan Talty)

Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, David Warshofsky, Catherine Keener, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez

Captain Phillips, EUA, 2013, Ação, 134 minutos

Sinopse: Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante naval experiente, que aceita trabalhar com uma nova equipe na missão de entregar mercadorias e alimentos para o povo somaliano. Logo no início do trajeto, ele recebe a mensagem de que piratas têm atuado com frequência nos mares por onde devem passar. A situação não demora a se concretizar, quando dois barcos chegam perto do cargueiro, com oito somalianos armados, exigindo todo o dinheiro a bordo. Uma estratégia inicial faz com que os agressores recuem, apenas para retornar no dia seguinte. Embora Phillips utilize todos os procedimentos possíveis para dispersar os inimigos, eles conseguem subir à bordo, ameaçando a vida de todos. Quando pensa ter conseguido negociar com os piratas, o comandante é levado como refém em um pequeno bote. Começa uma longa e tensa negociação entre os sequestradores e os serviços especiais americanos, para tentar salvar o capitão antes que seja tarde.

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A projeção internacional do diretor Paul Greengrass veio quando ele assumiu a série Bourne, mas são poucos os que costumam se referir ao britânico pelo trabalho que realmente lhe firmou como um nome confiável: Voo United 93, que chegou a render a Greengrass uma indicação ao Oscar de melhor direção.  Neste filme de 2007, ele mostrava o sequestro do avião-título, que, tomado por terroristas, caiu em Shanksville, Pennsylvania, no fatídico 11 de setembro. Essa história verídica narrada por Greengrass é bastante parecida, agora, com a de Capitão Phillips, uma espécie de Voo United 93 em pleno oceano. Além de ser uma história de sequestro (no caso o de um navio estadunidense refém de piratas somalianos), as semelhanças estão no próprio estilo do diretor, que continua intacto: tensão do início ao fim, câmera na mão e uma agilidade que poucos realizadores conseguem emular.

Não há dúvidas: Capitão Phillips é um legítimo Paul Greengrass. E é até estranho que todo o buzz em relação ao filme tenha sido – pelo menos até agora – apenas em função de Tom Hanks, já cotado para concorrer na próxima temporada de premiações por seu desempenho aqui. Isso porque Capitão Phillips está longe de ser um filme entregue exclusivamente ao desempenho do protagonista e porque o resultado tem outros aspectos tão interessantes quanto a presença de Hanks. É bem provável que este longa não cause tanto impacto em futuras revisões, uma vez que, descobertas as resoluções, o conjunto não reserva grandes surpresas para serem revisitadas. Mas embarcar nessa primeira jornada é gratificante: são mais de duas horas de pura agonia, seja em função da trama em si ou da forma como ela é conduzida por Greengrass.

O diálogo com a realidade, marca já registrada do diretor (e que influenciou toda uma geração dos filmes de ação depois de Bourne), é o que impulsiona Capitão Phillips, cujo resultado é completamente crível e sem aquelas soluções fantasiosas que volta e meia encontramos no cinema. A hábil montagem de Christopher Rouse e a câmera de Greengrass ampliam o notável realismo do longa, que ganha ainda um lado muito humano com a interpretação de Tom Hanks. Sem realmente atuar desde sabe-se lá quando, o ator surge realmente empenhado como há muito não se via, conquistando a torcida do espectador e aproveitando cada segundo de todas as passagens, incluindo aquelas que foram claramente realizadas apenas para que ele pudesse brilhar – como a sequência final, por exemplo. Mesmo não sendo pontualmente um filme de atuação, Capitão Phillips traz uma valiosa oportunidade para Hanks.

Nem tudo, porém, surpreende, já que Capitão Phillips tem algumas reservas pontuais. Não é interessante, particularmente, a forma como o roteiro de Billy Ray, baseado no livro A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea, do próprio Richard Phillips, precisa verbalizar uma humanização do vilão que já tínhamos como deduzir. É no mínimo dispensável o discurso motivacional do protagonista que tenta, de certa forma, esmiuçar o outro lado de toda a criminalidade do pirata somaliano e apresentar razões que já tinham sido discretamente pontuadas anteriormente. Ainda é bom não dar muita atenção ao previsível cumprimento de todas as etapas típicas de filmes de resgate. Entretanto, por mais que Capitão Phillips não figure entre os trabalhos mais originais de Paul Greengrass, consegue ser outro exemplar do diretor que prende a atenção do início ao fim com um notável nervosismo – o que, convenhamos, está cada vez mais difícil de encontrar nos dias de hoje.

FILME: 8.0

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2 comentários em “Capitão Phillips

  1. “Capitão Phillips” é um filme que favorece a esse estilo documental de filmar do Paul Greengrass. O clima de tensão que ele construiu ao longo da obra foi muito bom. Acho que ele acertou também na escolha dos atores que interpretam os piratas somalianos, todos estreantes e ótimos, fazendo o contraponto necessário para que a sensacional atuação de Tom Hanks tivesse espaço para brilhar.

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