O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

Time is luck. Don’t waste it living someone else’s life. Make yours count for something.

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Direção: Marc Webb

Roteiro: Alex Kurtzman, Jeff Pinkner e Roberto Orci, baseado em história de Alex Kurtzman, James Vanderbilt, Jeff Pinkner e Roberto Orci, e nos quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko

Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Sally Field, Paul Giamatti, Chris Cooper, Felicity Jones, Colm Feore, Campbell Scott, B.J. Novak, Max Charles, Marton Csokas, Sarah Gadon

The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014, Aventura, 142 minutos

Sinopse: Peter Parker (Andrew Garfield) adora ser o Homem-Aranha, por mais que ser o herói aracnídeo o coloque em situações bem complicadas, especialmente com sua namorada Gwen Stacy (Emma Stone) e sua tia May (Sally Field). Apesar disto, ele equilibra suas várias facetas da forma que pode. No momento, Peter está mais preocupado é com o fantasma da promessa feita ao pai de Gwen, de que se afastaria dela para protegê-la. Ao mesmo tempo ele precisa lidar com o retorno de um velho amigo, Harry Osborn (Dane DeHaan), e o surgimento de um vilão poderoso: Electro (Jamie Foxx). (Adoro Cinema)

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Quando chegou aos cinemas em 2012, O Espetacular Homem-Aranha decepcionou por ser um desnecessário reboot da bem sucedida trilogia de Sam Raimi. Decepcionante no sentido de que apenas cinco anos tinham passado desde que a saga estrelada por Tobey Maguire havia se aposentado. O tempo era pouco para que o público desassociasse o herói do rosto de Maguire ou para que a história fosse recontada praticamente da mesma forma. O primeiro filme comandado por Marc Webb – recém saído do ótimo (500) Dias Com Ela -, parecia, então, uma apenas uma cópia inferior do excelente trabalho de Raimi.  Mais do que inferior, uma cópia até mesmo tediosa, cujo único grande mérito era trazer um casal infinitamente mais carismático. Por isso, as expectativas eram nulas para essa continuação produzida em apenas dois anos. E se esse reboot continua se mostrando injustificável, pelo menos agora o diretor já está se desgrudando do que vimos antes para explorar outras facetas do personagem. Com as devidas proporções, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro consegue ser um avanço desde o debut de Webb no mundo do aracnídeo.

É fato que os filmes de Raimi continuam trazendo saudades em praticamente todos os sentidos, mas agora terminaram as introduções dos personagens e suas motivações começam a ficar mais claras. Essa qualidade surtiria mais efeito caso o filme não tivesse tantos problemas de estrutura e excessos – o que fica evidente logo nos primeiros minutos, quando o roteiro escrito pelo trio Alex Kurtzman, Jeff Pinkner e Roberto Orci dedica sua longa sequência a um fato envolvendo o passado de Peter Parker (Andrew Garfield) para depois só tocar no assunto brevemente ao longo do filme. Por que abrir o longa com tanto destaque a esse fato, então? Só que o problema mais sério de todos é justamente aquele que atingiu Homem-Aranha 3, o pior longa comandado por Raimi na antiga franquia: o grande número de vilões. Qualquer espectador mais desatento consegue sentir que não havia necessidade de introduzir três inimigos neste filme. O Electro de Jamie Foxx já cumpre a missão de antagonista da vez e, por isso, apresentar Harry Osborn na metade para somente na meia hora final transformá-lo em Duende Verde é pura perda de tempo. O jovem Dane DeHaan continua ótimo para o tipo conturbado, mas sua história soa como algo paralelo e avulso. Pior ainda é a situação de Rino, vivido por um descontrolado Paul Giamatti que, em duas cenas, já surge como uma figura completamente desinteressante.

Tal excesso traz uma grande dispersão para a trama e tantas alegorias de vilões nos remetem aos tempos de Batman Eternamente, filme que era um festival colorido e fantasioso de uma cidade ameaçada pelos mais diversos tipos de antagonistas. Sem falar da grande falta de ritmo, especialmente porque O Espetacular Homem-Aranha 2 leva duas horas e meia para contar sua história, tornando-se, desnecessariamente, o filme mais longo já feito sobre o personagem. O que faz a diferença – para o bem ou para o mal, dependendo do espectador – é que o longa de Webb retoma um tipo de super-heroi em extinção: aquele caricatural, bem de quadrinhos mesmo, com romance idealizado, piadinhas e vilões eloquentes. Em tempos que o realismo é cada vez mais comum em histórias de HQ’s, tal escolha soa como antiquada ou saudosista? Cabe ao espectador decidir. Detalhes à parte, o conjunto geral funciona, com o devido aprofundamento de personagens e com o acerto de ser até bastante sentimental. Todo romance de Peter e Gwen Stacy (Emma Stone) é funcional não só pelo carisma dos atores, adoráveis juntos, mas porque a história sabe aproveitar bem o sentimento de culpa de Peter, seu afastamento para não colocar a amada em perigo e também seu impulso de estar sempre próxima dela de um jeito ou de outro. A trama chega a ser emocionante nesse sentido, com um desfecho até corajoso para o gênero.

Outro aspecto que se resolve em O Espeacular Homem-Aranha 2 é a ação, agora melhor pontuada, com efeitos infinitamente melhores que o primeiro (que tinha um lagarto horroroso quase vindo de um videogame) e que só melhoram as sequências que exigem adrenalina, com admiráveis voos do Homem-Aranha. Pequenas cenas também são preciosas: a conversa da tia May (Sally Field) com Peter sobre o passado de seus pais é sincera e traz o que existe de melhor em uma interpretação de Sally: a fragilidade, não as caras e bocas que tanto lhe caracterizam com o passar do tempo. A relação do Aranha com seu publico ainda rende mais um pequeno grande momento: aquele em que ele salva um garoto do bullying, conserta sua maquete destruída e o acompanha a pé até a escola para que chegue a salvo. Em suma, o reboot continua sem necessariamente empolgar, enquanto os de Raimi já despertavam emoção logo nos créditos de abertura com o inesquecível tema de Danny Elfman (o que também é relativamente corrigido aqui, com uma trilha melhor de Hans Zimmer em parceria como grupo The Maginificent Six), mas é bom ver que dessa vez o tédio não impera e que de certa forma a sensação de repetição e mera cópia deixa de existir. Pena que um pouco tarde, já que a nova franquia termina no próximo filme.

3 comentários em “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

  1. Matheus Pannebecker, faça um texto para o telefilme The Normal Heart no Cinema e Argumento!

  2. O meu problema com essa sequência foi o apressado ato final, que não nos permite vivenciar o ápice emocional desse filme da forma como ele merecia. Além disso, acho que o excesso de vilões prejudicou a obra. Uma sequência inferior ao primeiro filme, que eu simplesmente ADORO.

  3. Jorge, já fiz e está publicado! Espero que goste :)

    Kamila, achei o filme levemente superior ao primeiro – mas que peca justamente onde o último de Sam Raimi errou: no excesso de vilões.

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