The Normal Heart

Once upon a time, there was a little boy who always wanted to love another little boy. One day, he finally found that love. And it was wonderful.

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Direção: Ryan Murphy

Roteiro: Larry Kramer

Elenco: Mark Ruffalo, Matt Bomer, Julia Roberts, Jim Parsons, Taylor Kitsch, Jonathan Groff, Joe Mantello, William DeMeritt, Sean Meehan, Stephen Spinella, John Mainieri, Adam B. Shapiro, BD Wong

EUA, 2014, Drama, 132 minutos

Sinopse: Ned Weeks (Mark Ruffalo) é um escritor. Seu namorado Felix (Matt Boomer) contrai o vírus da AIDS, o que faz com que Ned se torne um grande ativista. A principal bandeira é mostrar para o mundo que a doença não deve ser vista como um “câncer gay”, ideia comprada pela médica cadeirante Emma Brokner (Julia Roberts), que passa a agitar a causa dentro da comunidade científica. (Adoro Cinema)

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Em uma festa, Ned (Mark Ruffalo) dança abraçado com o seu namorado Felix (Matt Bomer). Durante a dança, ele revela que, nos tempos de colégio, sempre teve o sonho de poder dançar assim com outro garoto, enquanto seus colegas demonstravam livremente o afeto que nutriam por meninas. “Imagina se isso fosse possível naquela época?”, comenta Ned, já um homem de cabelos grisalhos dos anos 1980 que, pela primeira vez na vida, encontrou um grande amor. Ou seja, The Normal Heart, que estreou dia 25 de maio na grade de programação da HBO estadunidense, se propõe a fazer um retrato dos anos em que a AIDS começou a se disseminar na América, mas também fala sobre uma geração que viveu (ou não) pequenos prazeres da vida que lhes eram negados. Por isso, seria simplista demais reduzir o filme de Ryan Murphy apenas a um necessário registro dessa doença que já vitimizou milhões de pessoas ao redor do mundo. Mesmo que muitas vezes The Normal Heart vire quase uma panfletagem da causa gay – bem como o superestimado Milk, de Gus Van Sant -, existem, em contrapartida, estes momentos de pura sutileza que colocam os personagens muito acima da mera explanação da AIDS como uma das doenças mais tristes de todos os tempos.

Tem sido relativamente forte a repercussão desta mais nova produção da HBO, talvez por outros motivos que não os do filme especificamente. Mais uma vez, retomamos uma importante questão levantada pelo recentemente celebrado 12 Anos de Escravidão. Afinal, estamos aplaudido o filme em si ou a relevância de sua temática político-social? A circunstância da disseminação da AIDS nos anos 1980 já havia sido magistralmente trabalhada pela emissora anos atrás, quando Mike Nichols marcou época com um elenco fenomenal ao dirigir a minissérie Angels in America, um dos grandes marcos na trajetória da emissora. Lá, estavam presentes de forma muito mais artística e ficcional os relacionamentos homossexuais, a não aceitação de familiares e amigos (ou a própria não-aceitação), a degradação do corpo em função da AIDS e os pensamentos de uma geração gay que precisava lidar com problemas que hoje já são perfeitamente conhecidos – mas nem por isso devidamente cuidados, como a doença em questão. Nenhuma novidade temática em The Normal Heart, portanto. Mas, mesmo que nada inédito e quase didático em sua abordagem, o telefilme, bem como 12 Anos de Escravidão, impacta e fica com o espectador.

As credenciais do diretor Ryan Murphy não inspiravam confiança: na TV, ele inaugurou séries de sucesso como Nip/TuckGlee American Horror Story, mas estranhamente nunca conseguiu manter o padrão delas (quando não as arruinava); no cinema, fez um filme bastante interessante chamado Correndo Com Tesouras mas logo decepcionou profundamente com o tedioso Comer Rezar Amar. Já agora com The Normal Heart, ele faz o seu trabalho mais relevante até aqui – tanto em termos de TV quanto de cinema – provando que, fora alguns excessos (a duração é bastante sentida), ele consegue lidar com um tema difícil com grande dignidade. Não era o que prevíamos nos minutos iniciais, completamente regados a clichês e estereótipos do mundo gay (mais adiante Murphy ainda coloca os personagens dançando, claro, ao som de I Will Survive em uma festa!), só que aos poucos The Normal Heart começa a se encontrar, especialmente quando introduz o personagem de Matt Bomer na trama – figura esta que, posteriormente, se tornará o coração do filme. É quando mostra todos os questionamentos e medos da geração em questão por meio da história de Ned (Ruffalo) e Felix (Bomer) que Murphy, em parceria com o roteiro de Larry Kramer, alcança seus melhores momentos. Quando fala sobre todos mostrando todos, The Normal Heart quase cai no quadrado. Quando fala sobre todos resumindo-os em dois personagens, o resultado chega a ser emocionante.

Se Ryan Murphy não faz cerimônias para mostrar um homem até então absurdamente lindo caindo nu em um chuveiro com seu corpo magérrimo e cheio de feridas, o diretor o faz sem qualquer sinal de apelação. Aliás, é essa franqueza que torna o filme tão tocante, mostrando todos os detalhes de um relacionamento que sobrevive mesmo diante da finitude da vida. E não seria esta a maior prova possível de amor? Por isso, Mark Ruffalo – naquele que é possivelmente o momento mais relevante de sua carreira – e Matt Bomer cumprem com louvor a representação deste grupo muito maior que enfrentou (e ainda enfrenta) situações repletas de medos e anseios, alegrias e carinhos – e, no caso de The Normal Heart, vitalidade e enfermidade. Bomer, especialmente, vence as barreiras de sua impecável beleza grega e entrega cenas de partir o coração, em uma interpretação que certamente será celebrada pelas premiações. É quase decepcionante, portanto, que esta força emocional de The Normal Heart não se traduza para os momentos mais formais da história que são destinados a literalmente discursar sobre a causa gay. Sou muito mais fã deste filme que coloca na pele de dois personagens as discussões íntimas e sociais de um grupo que se apresenta de forma muito convencional quando trabalhado em conjunto. Fosse inteiro assim, seria realmente mais do que um filme necessário apenas por sua temática. Seria também obrigatório cinematograficamente.

5 comentários em “The Normal Heart

  1. Mayara, em seus minutos iniciais, “The Normal Heart” me assustou muito! Como você bem disse, parecia que tudo não passava de uma alegoria gay. O filme foi se ajeitando e, mesmo achando que ele tem um valor muito mais social do que audiovisual, gostei do resultado.

    Eduardo, realmente. Às vezes o filme faz panfletagem demais sendo que a causa já estava perfeitamente explícita no não-verbal. Mas o elenco realmente dá um outro tom ao resultado!

    Liliane, são trabalhos bastante distintos, até porque o Bomer tem toda uma entrega física que não é exigida do Mark Ruffalo. Cada um a sua maneira faz bonito!

    Rogério, “The Normal Heart” é bem melhor que “Milk”!

  2. Não vejo como “Milk”, que trata praticamente exclusivamente sobre a luta política para que as pessoas homossexuais ganhem seus direitos, não tocaria explicitamente e pró a causa gay. Afinal, o tema e a idéia é justamente essa. E o trunfo estar no tema ser tratado com clareza, energia e dinâmica.

  3. Só eu achei que Mark Rufalo tem mais presença que Matt Bommer? Claro que Matt surpreende por sua entrega e possui cenas fortes, mas Rufalo é o verdadeiro protagonista, sendo a força maior do filme.

  4. Embora tenha seus momento um tanto exaltados em querer deixar claro o discurso – uma escolha não exatamente errada, mas sim um tanto fácil demais -, o filme tem força, impacto e relevância, além de ótimas atuações de Mark Rufalo, Matt Bommer e Julia Roberts.

  5. No começo, achei que estava assistindo uma alegoria gay, mas após o primeiro caso de HIV que o filme me pegou de vez. Ao contrário do “Milk”, que me incomodou por panfletar a causa política homossexual, aqui em “The Normal Heart” vemos o paralelo entre a omissão das autoridades com a doença, ao mesmo tempo da luta por aqueles que amam. Foi uma experiência meio dolorida pra mim, mesmo que seja uma propaganda social em alguns momentos.

    E Matt Bomer = <3

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