Melhores de 2013 – Atriz

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Grande revelação de 2013, a jovem Adèle Exarchopoulos apresenta um talento inquestionável no excelente Azul é a Cor Mais Quente. O que existe de mais fascinante em seu desempenho é a forma como ele transita por todas as fases da vida da protagonista sem qualquer hesitação. De estudante insegura e heterossexual até os dias como professora formada que tenta sustentar um relacionamento com uma mulher, Exarchorpoulos desaparece na pele da figura que representa com uma naturalidade absurda. Não bastasse essa necessidade de ter que acompanhar toda a evolução física e emocional de sua personagem, Adèle tem a força necessária para liderar a história complexa, intensa e repleta de questões delicadas. Ela está à altura do filme, que lhe dá as devidas chances e que – agradecemos! – a revela depois de uma carreira muito tímida no cinema francês. São poucas as atrizes que, aos 20 anos, entregam algo tão imersivo e visceral. Aliás, algumas passam a vida tentando e não conseguem. Portanto, palmas para Adèle!

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OUTRAS INDICADAS:

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CATE BLANCHETT (Blue Jasmine)

Depois de anos sem uma chance realmente digna (a última foi Não Estou Lá, em 2007), a australiana Cate Blanchett voltou com tudo em Blue Jasmine e venceu todos os prêmios da temporada por seu desempenho. Esse sim um verdadeiro momento da atriz digno de honrarias – ao contrário de O Aviador, onde ela, mesmo bem, fazia apenas as formalidades de um quadrado papel biográfico. Linda mas péssimo ser humano, a Jasmine de Blanchett é um verdadeiro desafio: não temos simpatia alguma pela personagem, só que ainda assim tiramos o chapeu para a atriz, que nos conquista por completo apesar de todo o egocentrismo da mulher que representa.

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MARION COTILLARD (Ferrugem e Osso)

Tilda Swinton e Marion Cotillard entraram para a história. Foram, até 2013, as duas únicas atrizes com indicações para Cannes, Critics’ Choice, SAG, Globo de Ouro e BAFTA por um mesmo desempenho sem lembrança no Oscar. A primeira por Precisamos Falar Sobre o Kevin e Marion pelo belo Ferrugem e Osso. A verdade é que, desde que foi consagrada mundialmente por Piaf – Um Hino ao Amor, a francesa entregou vários desempenhos marcantes, mas certamente o do filme de Jacques Audiard é o mais interessante. Sutil e extremamente sensível, Cotillard trabalha com a lógica de que menos é mais – o que se revela no mínimo brilhante para um papel tão trágico e suscetível a apelações.

MERYL STREEP stars in AUGUST: OSAGE COUNTY

MERYL STREEP (Álbum de Família)

Meryl Streep. Sim, de novo. Mas, afinal, como ser diferente? Se A Dama de Ferro parecia o ápice da metamorfose da atriz nos últimos anos, eis que ela resolve surpreender – mais uma vez – como a ácida matriarca Violet Weston de Álbum de Família. Juntamente com a figura de Cate Blanchett em Blue Jasmine, é uma das figuras mais detestáveis do ano, mas que também consegue ter uma atriz suficientemente excepcional para pular esse obstáculo e encantar plateias. Da voz embriagada a momentos sensíveis , Meryl segura o papel com uma força invejável, adicionando outro desempenho para o seu hall de momentos mais memoráveis.

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MIRANDA OTTO (Flores Raras)

Exemplo de sutileza, o desempenho da australiana Miranda Otto em Flores Raras é outro que apresenta uma evolução de personagem sem qualquer tropeço. Enquanto a Lota de Glória Pires é minada por mudanças bruscas, a Elizabeth Bishop de Otto tem um arco dramático impecável, muito graças ao desempenho da atriz. A insegura e arredia poeta da primeira parte aos poucos se torna uma mulher mais sentimental, aberta e compreensível – o que é totalmente capturado pela atriz, sempre certeira ao passar a fragilidade física e emocional da personagem mas também sua racionalidade ao ter que fazer escolhas decisivas em sua vida.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) | 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia| 2010 – Carey Mulligan (Educação| 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho| 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!| 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

4 comentários em “Melhores de 2013 – Atriz

  1. Essa foi uma das eleições mais difíceis da qual participei! O gabarito das concorrentes é elevadíssimo. Mas Cate embalada por Woody é unanimidade. ;)

  2. Das cinco indicadas, justamente a que eu não assisti foi a protagonista de “Azul é a Cor Mais Quente”. Meu voto foi para Cate Blanchett, absoluta em “Blue Jasmine”. Adorei ver Miranda Otto indicada por “Flores Raras”. Parabéns por essa lembrança!

  3. Ótima seleção. Discordo apenas de considerar Cate em “O Aviador” apenas “bem e quadrada”, quando ela me pareceu ter presença marcante – quando sua personagem desaparece do filme, senti sua falta até o final – e em relação a Glória Pires, em “Flores Raras”, que entrega atuação adequadamente complementar a de Miranda. Independente disso, todas as indicadas são muito boas! Adèle é mesmo uma arraso em “Azul…”, mas Cate em “Blue Jasmine” é minha doce paixão – e… Ah, tenho simpatia pela Jasmine, que, no fundo, é uma boa pessoa.

  4. Stella, comigo foi escolha direta mesmo! Adoro Cate Blanchett, mas Adèle, para mim, está impressionante!

    Kamila, confira logo “Azul é a Cor Mais Quente”. É sensacional o que a jovem Adèle faz nesse filme!

    Eduardo, realmente, a Jasmine, no fundo, é uma boa pessoa. Só fez escolhas muito erradas que a tornaram esse ser humano ruim e amargurado.

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