Três atores, três filmes… com Wallysson Soares

wallytresDizem que qualquer amizade que dure sete anos tem tudo para se tornar eterna. Se isso for mesmo verdade, já posso afirmar que tenho o Wally como um amigo para a vida toda. Possivelmente uma das minhas primeiras amizades realmente verdadeiras – mesmo morando a quilômetros de distância -, ele, além de ser uma das pessoas mais especiais que já conheci, também compartilha muitas preferências cinematográficas comigo. Indispensável, portanto, a presença dele aqui nesta seção, por motivos pessoais e cinematográficos. Como esperado, concordo com todas as escolhas, que trazem desempenhos simplesmente inesquecíveis. De Tom Hanks em Filadélfia (que também é a minha atuação favorita do ator) a Kate Winslet em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (excepcional, mas um tanto subestimada) sem falar da unanimidade chamada Daniel Day-Lewis em Sangue Negro, a lista do Wally contempla, sem exageros, três dos desempenhos mais completos, complexos e especiais das últimas décadas. Confiram!

Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
Da mesma forma que o filme do Paul Thomas Anderson está destinado a ser lembrado anos a fio, a atuação que é a alma dessa obra sempre será relembrada perto dos grandes – seja o Jake LaMotta de Robert De Niro ou o Michael Corleone de Al Pacino. Não é por menos. Day-Lewis vai além do mise-en-scène ao encarnar Daniel Plainview, permanecendo contigo longo após o término da metragem. Day-Lewis é soberbo seja nos momentos mais intimistas de silêncio ou nas catárticas sequências que exprimem ira, remorso, ganância ou ódio. Devidos méritos merecem ir ao roteiro, meticulosamente articulado para conferir ao personagem a verossimilhança devida, embebido ainda por diálogos poderosos. A direção, sensível aos ângulos certos e à dimensão característica na qual submerge Plainview, também merece o reconhecimento. Existem muitas oportunidades para Day-Lewis brilhar aqui – e ele arrebata em todas. Assombra e não sai da sua cabeça.

Kate Winslet (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças)
É fascinante rever esse filme maravilhoso do Michel Gondry, pois a cada revisão algum elemento se sobressai ou uma nova interpretação emerge. Culpa de um roteiro brilhante e uma visão imaginativa. Um dos elementos que sempre hipnotiza e emociona é a performance especial de Winslet como Clementine Kruczynski. As idiossincrasias de Clementine ganham cores maravilhosas com o retrato inspirado da atriz inglesa, talvez a melhor de sua geração. Seu papel aqui é tão divertido quanto desolador. A Clementine de Winslet nos inspira os mesmos sentimentos mistos que leva ao seu relacionamento com Joel Barish (um Jim Carrey igualmente fantástico). É uma oscilação constante entre o sorriso estampado no rosto e o despedaçar de nossos corações. Impossível não se apaixonar por Clementine (e Winslet) a cada revisão, como se fosse a primeira vez.

Tom Hanks (Filadélfia)
Alguns filmes carregam consigo uma importância ímpar que vai muito além de quesitos cinematográficos propriamente ditos. Filadélfia é o caso de uma obra sob certo ponto de vista convencional em abordagem e técnica. Por outro lado, narra uma história forte e no epicentro desse retrato está Tom Hanks e sua performance singular como Andrew Beckett, um advogado bem sucedido que passa por um exaustivo processo judicial após ser diagnosticado com o vírus da AIDS. O filme é conduzido com simplicidade e sensibilidade, enquanto as sutilezas da atuação de Hanks empoderam a história de tal maneira que se torna impossível fugir de seu enlace. Hanks vai muito além da perda de peso para o papel. Talvez o auge da carreira do ator – e uma das mais emocionantes cenas do cinema – seja o momento no qual descreve a ópera “La Mamma Morta” para o personagem de Denzel Washington, enquanto esta toca ao fundo. Um trabalho incrível de nuances e sutilezas.

4 comentários em “Três atores, três filmes… com Wallysson Soares

  1. Kamila, “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” foi um filme que eu comecei a apreciar com o tempo. Hoje sou fã!

    Alan, eu acho “Foi Apenas Um Sonho” bem meia boca, mas, de fato, Kate está sensacional neste filme (até melhor do que em “O Leitor”).

    Bruno, sempre gosto de dizer que alguns desempenhos não ganharam o Oscar, mas ficaram com o tempo ao seu lado. Kate neste filme vai bem de encontro com esta lógica.

  2. Embora o trabalho do Tom Hanks não esteja entre os meus favoritos, não dá para negar que são três grandes desempenhos. Daniel, por sua vez, assombra na pele de Daniel Plainview. É uma aula merecidamente premiada pela academia. Já a atuação de Winslet é pura magia e encantamento. Talvez, não seja mais uma composição tão subestimada assim. Foi Hilary Swank quem levou o Oscar, mas é o trabalho de Kate quem vem ganhando força junto à memória do público.

  3. As escolhas do Wally foram incontestáveis. Ainda mais por ter incluído Kate Winslet por “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. De fato, uma das melhores atuações de Kate! (mesmo que eu a adore em “Foi Apenas um Sonho”, rs)

  4. Excelentes escolhas do Wally! Apesar de achar “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” um filme bem superestimado, assumo que Kate Winslet está ótima nesse filme.

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