Em Gramado #4: o que realmente importa em Rodrigo Santoro?

Rodrigo Santoro veio a Gramado para ser homenageado por sua contribuição ao cinema nacional. Mas acabou falando quase apenas sobre sua carreira no exterior. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Rodrigo Santoro veio a Gramado para ser homenageado por sua contribuição ao cinema nacional, mas acabou falando quase apenas sobre sua carreira no exterior. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Durante o sábado (09), um nome reinou em Gramado: Rodrigo Santoro. Homenageado com o troféu Cidade de Gramado, o ator é um dos grandes nomes do nosso cinema – e vale lembrar que sua era pré-Hollywood foi repleta de clássicos contemporâneos como Bicho de Sete CabeçasAbril Despedaçado. De certa forma, o ator ficou no limbo lá fora (não virou galã mas também não se consolidou artisticamente), mas volta e meia surpreende no Brasil, sendo Heleno o caso mais recente, onde arrasa como o tempestuoso jogador Heleno de Freitas do Botafogo.

A homenagem ao ator é, sem dúvida, inquestionável e sua chegada à serra gaúcha foi pauta durante todo o dia entre público e imprensa. Santoro veio, deu coletiva antes de receber a distinção e causou a maior exaltação vista até agora no Festival, mas, para o autor que vos fala, a decepção de sua passagem foi quase grande. Sou fã do ator – inclusive, sua interpretação em Heleno foi a minha favorita naquele ano -, mas a vinda dele a Gramado me desapontou por diversas razões. Reservado e quase preso a uma mesma expressão durante todo o tempo, ele, na coletiva, disse muito mas comunicou pouco. Só que talvez isso passe por outra questão que quero discutir um pouco abaixo, além das minhas impressões de cidadão comum em relação a sua simpatia ou outros tópicos.

O fato é que um homenageado/entrevistado segue, pelo menos em uma entrevista, o que lhe é perguntado. Passando por aí, a imprensa insiste em abordar o trabalho de Santoro no exterior, a questão da idade (ano que vem ele chega aos 40 anos) e a sua fama de galã. Mas o que realmente importa – a sua relevância para o cinema brasileiroé tema de poucas pautas. Por isso, o auge da passagem de Santoro foi quando, por breves momentos, contou histórias que viveu com outros atores respeitáveis de nosso cinema (José Dumont, Gero Camilo, José Wilker) e suas experiências realmente cinematográficas – e o momento em que ele carinhosamente relembrou quando aprendeu a confiar em um diretor, logo em seu primeiro trabalho com Laís Bodanzky no poderoso Bicho de Sete Cabeças, foi pra lá de especial.

De resto, é muito tempo perdido com respostas sobre contratos com a HBO, participações em Lost e relações com agentes do exterior. É aqui que Rodrigo Santoro se fez. O que ele realizou lá fora obviamente conta, mas tudo o que produziu de melhor está aqui. Quando subiu ao palco do Palácio dos Festivais para receber o troféu Cidade de Gramado – aplaudido timidamente (mais uma vez) por uma plateia inexplicavelmente econômica em reações ao que acontece no palco – disse que já viveu muito. Chorou mais uma vez e disse que o glamour não conta nada, e o que faz valer a pena a vida de um ator é um reconhecimento como aquele. Espero que secretamente ele tenha dito que um Heleno de Freitas vale muito mais do que um rei Xerxes.

Quanto aos filmes, o cansaço me impediu de acompanhar a sessão dupla. E os filmes também não me seduziam: duas obras passadas em diferentes guerras. A Estrada 47, de Vicente Ferraz, e Os Senhores da Guerra, do diretor especialista em épicos gaúchos Tabajara Ruas, podem esperar um outro momento. Pelo menos assim ganho mais um tempinho para continuar administrando tudo o que o belíssimo A Despedida me passou. Que filme!

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