Em Gramado #6: quando o cinema se completa

O jornalista Carlos Eduardo Lourenço Jorge coordena os debates do Festival de Cinema de Gramado há 24 anos. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

O jornalista Carlos Eduardo Lourenço Jorge coordena os debates do Festival de Cinema de Gramado há 24 anos. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Um filme só termina o seu ciclo quando chega ao público. Também se torna mais rico e completo quando é discutido pelas plateias. Por isso, nada é mais necessário em um festival de cinema do que os debates após as sessões. Em Gramado, estes encontros matinais já são uma tradição, com um coordenador que exerce o ofício desde 1990: o jornalista Carlos Eduardo Lourenço Jorge. Ele esteve no evento pela primeira vez em 1975 e o destino conspirou a seu favor: “Vim na loucura, sem saber nada. Foram três ônibus desde Londrina para chegar neste Festival que na época ainda era apenas uma mostra. Chegando aqui, encontrei o meu anjo da guarda: Hélio Nascimento, que me orientou em relação a todo o Festival”.

A partir daí, o jornalista começou a sua cobertura ininterrupta em Gramado. Em 1984, fez parte do júri oficial, e já quatro anos depois recebeu o convite de Ivo Stigger, o coordenador de debates até então, para auxiliá-lo nos encontros – “até o dia em que fui abandonado”, brinca Lourenço Jorge. Assumindo integralmente a coordenação dos debates de Gramado, o jornalista, com o passar dos anos, também viajou mundialmente. Entre coberturas de Cannes e Veneza, o que viu lá fora não trouxe qualquer intimidação. “Viajando e observando outros debates, me senti orgulhoso do trabalho aqui. Excetuando o nível sócio-político de cada país, o interesse por cinema era igual”. Ele ainda afirma que os debates também são semelhantes com os de Gramado, com suas particulares parcelas de acertos e “apertos”.

Desbravando várias edições de debates no Festival, Carlos Eduardo Lourenço Jorge diz que os encontros mais tensos e calorosos aconteceram durante a ditadura. “Certamente o contexto político interfere a discussão do cinema. Gramado sempre foi um festival combativo e a imprensa gaúcha feroz, o que mexia com uma geração que proibia filmes e trazia polícia para os debates”, comenta. Outro ponto marcante para estes encontros em Gramado foi a entrada do cinema latino em 1992. “Eles são um exemplo para nós. Ótimos, articulados e mais abertos a críticas, vieram para enriquecer o Festival de Cinema de Gramado”, afirma.

Carlos Eduardo Lourenço Jorge está nos “dois lados do balcão”. Ao mesmo tempo em que comemora 24 anos de coordenação de debates, continua a atuar como crítico de cinema – hoje no Jornal de Londrina. Atuar nos diferentes cargos ajuda o jornalista. “Não escrevo uma crítica antes de um debate. Não vejo o filme de forma diferente, mas os encontros ajudam a enriquecer meu texto, pois as afirmações dos realizadores justificam e polemizam determinadas opiniões que tenho das obras”, comenta.

O cenário da crítica de cinema vem mudando com a internet, e Lourenço Jorge diz que esta mudança vem para ficar: “É irreversível. Espaço é crucial para um jornalista e, com o impresso estrangulando cada vez mais os textos, esta plataforma se torna ainda mais interessante”. Mas mesmo com a multiplicidade de espaços, Carlos Eduardo Lourenço Jorge fez questão de deixar um pedido: que o público compareça mais os debates. O cinema agradece.

* matéria produzida originalmente como material de divulgação para a assessoria de imprensa do 42º Festival de Cinema de Gramado

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