Relatos Selvagens

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Direção: Damián Szifrón

Roteiro: Damián Szifrón

Elenco: Ricardo Darín, Óscar Martínez, Leonardo Sbaraglia, Érica Rivas, Rita Cortese, Julieta Zylberberg, Darío Grandinetti, Liliana Ackerman, Alejandro Angelini, César Bordón, María Laura Caccamo, Juan Pablo Colombo, Alan Daicz

Relatos Salvajes, Argentina/Espanha, 2014, Comédia, 122 minutos

Sinopse: Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle. (Adoro Cinema)

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Nada mais normal do que dizer que filmes episódicos são irregulares. A série Cities of Love é a maior vítima desta crítica (e a mais recente versão, Rio, Eu Te Amo, não foge à regra), mas eis que esta máxima vem a ser quebrada agora com o excepcional Relatos Selvagens. É verdade que, ao contrário da série citada, os segmentos deste filme argentino de Damián Szifrón são todos dirigidos por ele próprio, mas as tramas são tão distintas e o diretor consegue imprimir diferentes linguagens a cada um deles que não dá para menosprezar a grande harmonia do filme com o fato de que existe apenas um diretor e roteirista por trás de tudo.  Não. Relatos Selvagens é perfeito porque, mesmo tendo um único capitão, consegue ser múltiplo e afinado em tudo o que apresenta.

Mais um filme repleto de qualidades que saiu de Cannes de mãos abanando este ano (a exemplo de Acima das NuvensDois Dias, Uma Noite), Relatos Selvagens deve chamar muitas pessoas ao cinema em função de Ricardo Darín, que parece ter tomado conta da filmografia inteira da Argentina. No entanto, é bom saber: ele é apenas detalhe dentro de um longa cheio de méritos que apresenta seis histórias sobre vingança contadas com muita acidez e com um humor que não deixa de lembrar o de Quentin Tarantino em Kill Bill (não à toa existe aqui também uma noiva ensaguentada). Os segmentos passam por estradas, casamentos, homicídios acidentais, restaurantes e outras circunstâncias, com o divertidíssimo começo sendo já um rápido (mas infalível) curta passado dentro de um avião.

Todos os personagens de Relatos Selvagens se encontram em situações limites. Se já não perderam a paciência com algum fato, ao menos estão prestes a explodir. Existe um certo número de traumas que uma pessoa pode suportar antes de sair pelas ruas gritando já diria a Jasmine de Cate Blanchett em Blue Jasmine. E, aqui,  a vingança, a fúria e até mesmo a irracionalidade falam mais alto frente o sofrimento e o desespero. Talvez seja pela gama de personagens descontrolados que alguns acusam Relatos Selvagens de ser exagerado – o que é bastante errado dada a temática e o tom abertamente cômico proposto por Szifrón. Com uma trilha bastante funcional de Gustavo Santaolalla, o filme do argentino alcança sim um balanço entre a comédia e a dramaticidade com pleno êxito.

É complicado falar especificamente de cada segmento porque cada um deles reserva rumos bastante inesperados, do início ao fim. Relatos Selvagens não aposta na obviedade e frequentemente surpreende (com exceção da segunda história, passada em um restaurante, que é a menos inventiva), e, se existe algum disparate entre os segmentos, este seria que uns são mais excepcionais que outros – o que não quer dizer que algum deles fique abaixo da média. Conferindo o filme no cinema, vi uma reação rara da plateia que até então só havia presenciado em festivais de cinema: palmas em diversos momentos da sessão. Não resisti e fiz coro aos colegas cinéfilos no cinema. Isto porque, de fato, Relatos Selvagens é digno de aplausos.

4 comentários em “Relatos Selvagens

  1. Só tenho lido coisas maravilhosas sobre “Relatos Selvagens”. Uma pena que o filme tenha tido uma distribuição meio ruim no Brasil, ficando relegado aos grandes centros urbanos. Espero, então, pacientemente, pela minha chance de conferir o longa.

  2. Sua crítica me deixou muito empolgado a respeito desse filme, só que não pude conferir, pois, ele não ficou nem duas semanas em cartaz aqui em Recife. Enquanto isso, tenho que aturar “As Tartarugas Ninjas” em cartaz por meio ano.

  3. Kamila, acho que “Relatos Selvagens” é uma das grandes unanimidades do ano!

    Kahlil, e um dos meus favoritos também!

    Clóvis, socorro, não quis passar nem perto de “As Tartarugas Ninjas”!

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