Grace: A Princesa de Mônaco

The idea of my life as a fairytale is itself a fairytale.

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Direção: Olivier Dahan

Roteiro: Arash Amel

Elenco: Nicole Kidman, Tim Roth, Frank Langella, Paz Vega, Parker Posey, Milo Ventimiglia, Derek Jacobi, Geraldine Somerville, Nicholas Farrell, Robert Lindsay, Olivier Rabourdin, Roger Ashton-Griffiths, Jeanne Balibar

Grace of Monaco, EUA/França/Bélgica/Itália/Suíça, 2014, Drama, 97 minutos

Sinopse: O casamento de Grace Kelly (Nicole Kidman) e o príncipe Rainier III (Tim Roth) foi considerado um conto de fadas na vida real quando aconteceu, em 1956. Entretanto, cinco anos mais tarde e com dois filhos, a verdade é que Grace está insatisfeita com a vida no palácio e o distanciamento do marido. A chance de novamente sentir-se útil surge quando seu velho amigo, o diretor Alfred Hitchcock (Roger Ashton-Griffiths), a convida para retornar ao cinema como protagonista de seu próximo filme: “Marnie – Confissões de uma Ladra”. O problema é que Rainier é terminantemente contra e, ainda por cima, está envolvido com uma ameaça vinda do presidente francês Charles de Gaule (André Penvern): caso Mônaco não pague impostos à França e acabe com o paraíso fiscal existente, o principado será invadido em seis meses. Em meio às inevitáveis tensões, Grace e Rainier buscam resolver seus problemas tentando evitar que eles causem o divórcio. (Adoro Cinema)

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A própria Nicole Kidman declarou que Grace: A Princesa de Mônaco não é uma cinebiografia ou um documentário, mas sim uma busca da vulnerabilidade e humanidade da icônica atriz Grace Kelly. Só que, ao ver o primeiro corte do diretor Olivier Dahan, Harvey Weistein não gostou do que viu. Para que deixasse o filme ser distribuído, adiou o lançamento a fim de realizar mudanças, solicitou cortes e alterou vários pontos da estrutura proposta pelo diretor francês. A polêmica ganhou a mídia e o desgosto de Dahan pelo total controle do distribuidor em cima de seu filme foi escancarado para o mundo inteiro. Dahan deve ter suas razões porque, conferindo este resultado final que abriu o último Festival de Cannes ao som de vaias, fica a impressão de que se, para Weinstein, esta é a versão que merece chegar aos cinemas, é bem provável seus conceitos sobre o que é um bom filme sejam bem questionáveis. Essa sensação vem à tona porque Grace: A Princesa de Mônaco é tão decepcionante, sem personalidade e vazio quanto outra recente cinebiografia: Diana, que, ao invés de ser o tão esperado Oscar de Naomi Watts, revelou-se um filme conceitualmente errado em todos os sentidos.

A verdade é que não tem dado muito certo essa história de “humanizar” figuras históricas. Ao mesmo tempo em que realizadores tentam se esquivar das já fatigadas e quadradas fórmulas de biografias, os resultados apostam em um caminho nobre mas que até agora não foi executado de maneira envolvente. Grace até consegue reconstruir o ícone Grace Kelly, só que é insosso nos dramas pessoais da atriz, além de desinteressante na forma como apresenta seus questionamentos. O recorte escolhido já não é um dos mais interessantes: o início dos anos 1960, quando Grace havia abdicado da carreira de intérprete para se dedicar ao marido, príncipe de Mônaco. Usando como pano de fundo os conflitos com o estadista francês Charles de Gaulle, o longa de Dahan (ou de Weinstein?) opta erroneamente por dedicar boa parte de sua atenção à política, desviando-se da proposta de ser um retrato de uma mulher que, apesar da vida cheia de glamour, tinha problemas iguais aos nossos.

Se a disputa política fosse de certa forma uma influência dramática interessante na vida de Grace Kelly, a produção ganharia contornos realmente complexos. Porém, tanta atenção ao assunto resulta como tempo perdido e a política sempre fica longe de atrair o espectador. Paralelo a isso, o roteiro de Arash Amel traz uma leitura quase machista da vida de uma mulher que anseia voltar ao cinema mas que desiste de uma proposta de ouro (trabalhar novamente com Hitchcock!) para colocar os interesses do marido frente aos dela. Talvez fosse assim na vida mesmo, mas Grace – que logo em sua abertura diz ser um relato ficcional de uma história real -, mostra as desistências da protagonista de forma tão rasa e entediante que a relação dela com o marido resulta apenas inverossímil. Todas estas situações ainda são sublinhadas por uma trilha extremamente invasiva de Christophe Gunning – que é, de longe, um dos piores aspectos do filme.

Nicole Kidman há tempos não recebia uma responsabilidade como essa: protagonizar a cinebiografia de uma figura icônica e ser dirigida por um profissional que anos atrás revelou uma grande atriz ao mundo (a francesa Marion Cotillard). E o curioso aqui é que Nicole se esforça e tem bom resultado, mas contra a sua interpretação está o fator beleza. Grace Kelly tinha uma aparência singular. Só que Nicole também tem. Ou seja, ao mesmo tempo em que os closes de Olivier Dahan e o endeusamento da protagonista evidenciam uma mulher belíssima, em momento algum ela chega perto de ser… Grace Kelly! Nós vemos uma Nicole Kidman esbanjando beleza, não Grace Kelly. Escolher uma beleza forte para emular outra beleza forte não foi uma escolha acertada. Resumindo, nada é plenamente bem sucedido neste filme. Afinal, o que aconteceu com Dahan, que anos atrás realizou Piaf – Um Hino ao Amor, uma das biografias mais completas e relevantes dos últimos anos? Se ele quer se especializar em contar histórias de pessoas da vida real, é bom rever várias escolhas, já que Grace: A Princesa de Mônaco é fraco e decepcionante. Aqui no Brasil, pelo menos, não verá a luz do dia antes de 2015, mesmo já tendo rodado dezenas de países .

2 comentários em “Grace: A Princesa de Mônaco

  1. Grace Kelly é icônica pela sua personalidade e trajetória de vida. O que causa curiosidade nas pessoas em relação a ela é como ela largou uma vida bem sucedida em Hollywood, inclusive sua carreira, para viver um conto de fadas, que de encantado nada tinha. Se o filme passar essa incongruência, já tem meu respeito!

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