Oscar 2015: melhor ator coadjuvante

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Ao contrário das mulheres, é boa a disputa entre os atores coadjuvantes de 2015. Disputa não é bem a palavra certa porque o jogo já está definido para que J.K. Simmons ganhe merecidamente a estatueta por Whiplash: Em Busca da Perfeição, mas devemos reconhecer o bom nível e a diversidade dos estilos de interpretação reconhecidos aqui. Na seleção você pode encontrar, por exemplo, um J.K. Simmons perfeitamente intenso em Whiplash, mas também um Ethan Hawke sutil e eficiente como um pai que, após o divórcio, tenta manter uma boa relação com os filhos. Ainda há espaço para atores bastante trabalhadores e ativos em suas gerações como Mark Ruffalo e Edward Norton. De questionável mesmo só fica a lembrança ao veterano Robert Duvall, mas a previsibilidade do papel (o senhor rabugento quase senil e vítima de um câncer) “justifica” sua presença entre os indicados.

A concorrência estaria ainda mais refinada e respeitável caso Duvall ficasse de fora para a inclusão de um desempenho que está classificado em uma categoria bastante errada: o de Steve Carell como ator protagonista em Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo. Ora, se J.K. Simmons aparece em 43% da projeção de Whiplash e Steve Carell em 42% de Foxcatcher, sendo que os dois possuem a mesma importância narrativa em seus respectivos filmes, nada mais justo do que considerá-los na mesma categoria (bem como fez o BAFTA, a única premiação a se atentar para tal fato). Com essa configuração, talvez Simmons tivesse realmente alguém em seu caminho na disputa (e também um candidato a sua altura).

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EDWARD NORTON (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)): Seria um ótimo ano para Edward Norton vencer o Oscar caso J.K. Simmons não estivesse concorrendo. Antigo conhecido do prêmio (sua primeira indicação veio em 1997 com As Duas Faces de Um Crime), Norton tem a sua melhor aparição em anos neste novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu. Transitando com total naturalidade entre o ego inflado e a imprevisibilidade de seu personagem, o ator entrega um dos melhores desempenhos de Birdman ao lado de Michael Keaton. Não só pelo trabalho em si, Norton seria facilmente reconhecido por seu histórico em um ano não tão decidido em relação ao vencedor.

ETHAN HAWKE (Boyhood: Da Infância à Juventude): Se for para escolher um dos pais de Boyhood, Ethan Hawke é, sem dúvida, o melhor em cena. Não é por ter mais espaço de projeção que o ator se torna muito mais envolvente do que Patricia Arquette, mas sim porque tem um texto superior ao dela. Como o pai que não ficou com a guarda dos filhos e tenta sempre estar presente a vida deles, Hawke absorve todas as evoluções de seus personagens com uma grande sensibilidade. O que fica perceptível é que não foi apenas seu personagem que cresceu e amadureceu com o tempo, mas também ele próprio, que só ficou cada vez mais talentoso e relevante com o tempo.

J.K. SIMMONS (Whiplash: Em Busca da Perfeição): Gosto muito da celebração de alguém como J.K. Simmons. A exemplo de outros nomes como Margo Martindale e Richard Jenkins, ele sempre foi um talentoso ator que infelizmente era eternamente reduzido a papeis coadjuvantes. Fácil reconhecer o rosto, o nome nem tanto. Simmons teve sua chance agora em Whiplash e brilhou em cada segundo. Visceral, ele cria um personagem ao mesmo tempo amedrontador e respeitável, já que, apesar da rigidez quase desumana com todos os seus alunos, é uma figura que o filme não trata como unidimensional. Uma interpretação marcante para um filme igualmente brilhante.

MARK RUFFALO (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo): Mark Ruffalo é peça fundamental de um filme que tem em seu elenco masculino uma de suas maiores forças. Entre a surpresa que é Channing Tatum e a admirável transformação de Steve Carell, Ruffalo encontrou espaço para novamente chamar a atenção com um desempenho bastante contido. Mais fundamental para a história do que pode parecer, seu David Schultz é um bom complemento aos personagens de Tatum e Carell, especialmente quando Rufallo, merecidamente indicado ao Oscar pela segunda vez, passa a ficar ainda mais presente na trama com o passar dos minutos.

ROBERT DUVALL (O Juiz): É a indicação mais preguiçosa do ano. Óbvio que os votantes não deixariam de indicar um veterano que interpreta um senhor quase senil lutando contra o câncer e que, rabugento e contrariado, precisa lidar com a volta do filho rejeitado. É um papel óbvio em um filme ainda mais previsível. Como uma vaga estava sobrando, a indicação não é surpresa justamente por apostar na velha fórmula que tanto encanta as premiações. Certamente, entretanto, se os votantes fossem mais esforçados, dava facilmente para incluir outros nomes mais merecedores aqui.

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