Oscar 2015: melhor ator

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Não é como em 2013, onde até mesmo o mais fraco da categoria estava extraordinário e onde outros atores tão bons quanto ficaram de fora pois não havia mais espaço na lista (John Hawkes, por As Sessões, uma ausência pra lá de sentida), mas sem dúvida estamos com um ótimo nível este ano. O que fica para reflexões e balanços posteriores é o fato dessa seleção trazer nada menos que quatro desempenhos biográficos. Seria reflexo da crise autoral que o cinema vem vivendo em tempos que a TV traz as histórias originais infinitamente melhores? Do (nem tão) jovem Eddie Redmayne ao veterano Michael Keaton, a lista, contudo, apresenta estilos bastante distintos de interpretação em uma seleção muito digna.

Há quem ainda duvide, mas o jogo já está decidido para Redmayne, que levou todos os prêmios em que tinha confronto direto com Keaton – ator que, no início da temporada, chegou a ser o favorito absoluto. Subestimaram o poder de uma biografia inglesa sobre a superação de um gênio frente a uma deficiência… Enquanto Bradley Cooper entrou aos 45 do segundo tempo muito mais pelo sucesso estrondoso de Sniper Americano do que por méritos próprios, Benedict Cumberbatch e Steve Carell repetiram o feito de outras listas e foram lembrados aqui também. Todos ótimos em um ano em que o prêmio estaria bem entregue independente do vencedor (minhas restrições se estendem apenas a Cooper). 

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BENEDICT CUMBERBATCH (O Jogo da Imitação): É gratificante ver que, para compor Alan Turing, o britânico Benedict Cumberbatch não apostou no tipo gélido e racional que tanto impulsionou sua carreira com o seriado Sherlock. Ao invés disso, preferiu explorar mais o perfil de homem renegado e confuso que já tinha interpretado em Álbum de Família. Uma escolha certeira, já que, por meio da sensibilidade de um trabalho minucioso, o ator faz com que Turing não se torne apenas um mero personagem de biografia com tiques bem reproduzidos. Aqui, sua complexidade captada com grande excelência por Cumberbatch faz com que nos importemos de verdade com o protagonista.

BRADLEY COOPER (Sniper Americano): Chegou de última hora roubando a vaga que era de Jake Gyllenhaal (O Abutre), mas, ao contrário de Marion Cotillard na categoria de melhor atriz, não foi lá muito justa sua inclusão-surpresa aqui. Conquistando uma terceira indicação consecutiva, o ator dá conta do personagem e consegue liderar o elenco de Sniper Americano com segurança, mas não existe nada de muito novo na abordagem do protagonista e Cooper, procurando internalizar todas as emoções de seu Chris Kyle, fica quase refém das velhas repetições do herói estadunidense assombrado e transformado pela guerra. 

EDDIE REDMAYNE (A Teoria de Tudo): Não é apenas nos mimetismos que Eddie Redmayne acerta em cheio ao interpretar Stephen Hawking. O ator, que chega à cerimônia como favorito, realmente capturou todo o espírito do físico que, mesmo com uma doença degenerativa, nunca desistiu da vida. Além de estar perfeito na reprodução da doença, Redmayne tem ótimos momentos incorporando Hawking na adolescência (e percebam como, desde lá, ele já faz um trabalho corporal repleto de detalhes), formando uma bela dupla com a adorável Felicity Jones. Um desempenho admirável.

MICHAEL KEATON (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)): Talvez a metalinguagem da vida do personagem com a própria carreira de Keaton me confunda um pouco em relação ao o que realmente é mérito do ator e o que é mera consequência da semelhança com o texto. Afinal, tanto o Riggan Thomson de Birdman quanto Michael Keaton estão incorporando um papel sério e que pela primeira vez traz algo de promissor para suas respectivas carreiras. Independente disso, Keaton está ótimo no filme, sendo o protagonista ideal para um elenco com vários outros desempenhos dignos de nota. 

STEVE CARELL (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo): É o azarão porque obviamente está na categoria errada. Caso concorresse como coadjuvante, era certo que Steve Carell teria muito mais chances por sua atuação reveladora em Foxcatcher. Reveladora até certo ponto, pois o ator já havia demonstrado uma bela força dramática com seus papeis melancólicos em ótimas comédias como Pequena Miss SunshineEu, Meu Irmão e Nossa Namorada. Mas aqui ele realmente está sombrio, incômodo (no bom sentido) e imerso nesse difícil personagem. Tomara que tenha chances tão desafiadoras como essa no futuro. E que tire tudo de letra novamente.

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