Oscar 2015: melhor direção

oscar15directing

Desde que o Oscar passou a contar com mais de cinco indicados na categoria de melhor filme não víamos uma situação tão confusa em melhor direção como este ano. Afinal, como Foxcatcher, indicado aqui, não foi lembrado em melhor filme? Quer dizer que a direção é digna de lembrança (assim como os atores e o roteiro também indicados) mas o filme não chega perto da qualidade dos outros oito indicados? Sem falar que um deles, Selma, concorre apenas a canção original… Não reclamo, porém, da lembrança de Miller aqui, endossando uma seleção errada apenas na lembrança a Morten Tyldum, que só figura entre os cinco para representar a ala dos longas convencionais.

Entre os indicados, ressalto minha total torcida por Alejandro González Iñárritu, que, a exemplo de seu conterrâneo mexicano Alfonso Cuarón ano passado com Gravidade, apresenta um trabalho completamente inovador e surpreendente. Acho difícil, entretanto, a Academia celebrar um mexicano pelo segundo ano consecutivo, o que carimba o já consolidado favoritismo de Richard Linklater ao prêmio. Além de realizar um filme que diz muito sobre a cultura estadunidense, o diretor teria aqui finalmente uma celebração após inúmeros trabalhos de qualidade.

•••

ALEJANDRO GONZÁLEZ INÁRRITU (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)): É disparado o trabalho mais maduro e inventivo dos cinco indicados. Não deixa de ser curioso ver Alejandro González Inárritu, um diretor sempre focado em dramas pessoais bastante pesados, realizar um filme como Birdman, tão completo e menos específico que seus outros trabalhos. É um verdadeiro show de direção que vai além dos brilhantes planos-sequência. Tudo está no seu devido lugar, passando pelas brincadeiras com o super heroi, a ótima direção de atores, as cenas lindamente concebidas e toda a segurança ao orquestrar um filme cheio de aspectos diferenciados.

BENNETT MILLER (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo): Sou grande fã do estilo de direção de Bennett Miller. Não tanto em O Homem Que Mudou o Jogo (que não me comoveu em nada), mas em Capote e agora Foxcatcher, Miller se destaca por fugir dos caminhos óbvios de histórias envolvendo assassinatos. As mortes em si são o que menos interessa para o diretor, que sempre busca, com um tom bastante pausado e calmo, estudar cada situação que desencadeou cada tragédia. Com Foxcatcher não é diferente, e talvez o resultado seja difícil justamente em função do filme não ser investigativo ou sobre esporte. Ele é, antes de tudo, sobre as pessoas por trás de uma tragédia.

MORTEN TYLDUM (O Jogo da Imitação): Preenche a vaga do superestimado do ano que dirige uma biografia nada além do convencional. A lembrança de Morten Tyldum é pra lá de previsível, mas nem por isso merecida: por mais que comande O Jogo da Imitação com segurança, não existe qualquer inovação na forma como o diretor conta a história do matemático Alan Turing. É mais do mesmo, desde o trabalho com os elementos técnicos até o próprio tom empregado à narrativa. Idem para o arco dramático dos personagens, todos tratado com as devidas formalidades do gênero. Certamente, o mais fraco concorrente da categoria.

RICHARD LINKLATER (Boyhood: Da Infância à Juventude): Sou muito mais fã de outros trabalhos de Linklater e, parando para pensar um pouco na trilogia Antes, já dá para ver que o uso do passar do tempo como forma de narrativa não é novidade em sua carreira. Basta juntar os três filmes estrelados por Julie Delpy e Ethan Hawke para se ter o mesmo efeito de Boyhood: dois atores envelhecendo ao longo de oito anos junto com os seus personagens. Por isso, é de certa forma um mistério saber porque todos resolveram dar algum reconhecimento para Linklater só agora. Ponto positivo, por outro lado, pelo reconhecimento a uma obra discreta, sutil e fora dos padrões das premiações.

WES ANDERSON (O Grande Hotel Budapeste): A mesma pergunta que faço sobre o porquê Richard Linklater ter recebido reconhecimento por Boyhood enquanto outros trabalhos seus foram mais marcantes também muitos fazem sobre Wes Anderson. No entanto, é notável a escalada de Anderson em O Grande Hotel Budapeste. Esse é um longa muito mais ambicioso assinado pelo diretor, desde as referências (baseado no universo do escritor austríaco Stefan Zweig) ao próprio trabalho técnico (ele sempre foi um diretor atento a isso, mas aqui se supera). Reconhecimento tardio, mas nem por isso desmerecido.

2 comentários em “Oscar 2015: melhor direção

  1. Sem dúvidas o Alejandro foi o melhor diretor do ano. Boyhood é um filme ótimo, muito bem feito. Mas infelizmente possui um encanto tão incrivelmente sombrio a ponto de ofuscar Birdman, que vai ser o eterno esnobado.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: