Oscar 2015: melhor filme

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Pelo visto, a Academia prefere dois espaços em branco em uma lista do que indicar Garota Exemplar ou Foxcatcher, por exemplo. Pela primeira vez trazendo menos de nove indicados desde que passou a poder contar com até 10 em sua categoria principal, o prêmio errou feio na diminuição de filmes elencados. Que baita pisada na bola, especialmente depois de anos em que coisas como Um Sonho Possível chegavam em uma seleção final com nove indicados. Deixando de lado discussões sobre qualidade, a lista de 2015 de fato representa os principais filmes da temporada, com exceção de Sniper Americano e Selma: Uma Luta Pela Igualdade, que só tiveram vida aqui. Sonhando um pouco, ainda seria um mundo perfeito se os estrangeiros também tivessem chances aqui: na minha lista, indicaria Relatos SelvagensDois Dias, Uma Noite sem pensar duas vezes.

Chegamos à premiação desse domingo (22) com uma disputa aparentemente acirrada. De um lado, Birdman, com o aval dos principais sindicatos. De outro, Boyhood, celebrado pelas grandes premiações televisionadas. Independente de quem ganhe, vale perceber o grande avanço temático e técnico que o Oscar traz esse ano, principalmente quando, anos atrás, esnobou longas como Cisne Negro para premiar as formalidades de O Discurso do Rei. Realmente é um tiro no escuro apostar em qualquer um dos dois filmes. Ao mesmo tempo que parece improvável o Oscar celebrar um filme tão naturalista como Boyhood, é igualmente estranho imaginá-lo coroando as inventividades de Birdman. Particularmente, minhas torcidas ficam todas para o segundo.

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BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñárritu: Disparado meu filme favorito entre os oito indicados, Birdman é uma grande aula de direção. Contemporâneo, inteligente e inventivo em roteiro e técnica, o filme representa justamente o que está em falta no cinema: inovação com maturidade. Se ganhar as categorias principais, não tenho dúvidas de que será uma das vitórias mais merecidas em anos (e nem lembro a última vez que torci tanto por um grande favorito). 

BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, de Richard Linklater: Repito que ainda é um grande mistério para mim o porquê das premiações terem comprado esse filme. Não é questão de merecimento e sim de perfl mesmo: alguém se lembra a última vez que celebraram um filme tão “menos é mais”, independente e autoral como Boyhood? Não sou grande fã desse experimento em específico de Richard Linklater, mas é fácil perceber que ele é o queridinho da temporada e o favorito para as categorias de filme, direção e atriz coadjuvante.

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, de Wes Anderson: Mais um velho nome conhecido que finalmente ganha algum reconhecimento, Wes Anderson chega à festa do Oscar com motivos de sobra para comemorar. Além de ser um profissional que parecia fadado a receber apenas indicações a roteiro, agora ele chega com uma obra que é favoritíssima em várias categorias técnicas. O próprio Anderson também deve levar a estatueta de roteiro original. Tenho grande carinho pelo filme, que representa o auge da criação e da evolução técnica de seu diretor.

O JOGO DA IMITAÇÃO, de Morten Tyldum: Não é novidade que a Academia cai de amores por um filme certinho e situado dentro de uma forte zona de conforto. Quem mais representa essa preferência dos votantes esse ano é O Jogo da Imitação, que, sim, é um filme satisfatório, mas nada diferente de tantas biografias que já estamos cansados de assistir. Deve levar um Oscar de roteiro adaptado como consolação e por preguiça dos votantes, que obviamente não perceberam a genialidade de Whiplash

SELMA: UMA LUTA PELA IGUALDADE, de Ava DuVernay: Gosto bastante de Selma não ser apelativo ou mera panfletagem da causa (ao contrário daquela baderna chamada O Mordomo da Casa Branca), mas não foi uma experiência que me pegou ou me trouxe maiores comoções. O grande destaque do filme é o ótimo desempenho de David Oyelowo, ao mesmo tempo forte e sutil como Martin Luther King. Sem dúvida alguma é mais um nome que merecia muito mais a lembrança na categoria de melhor ator do que Bradley Cooper.

SNIPER AMERICANO, de Clint Eastwood: Não é surpresa alguma ver um filme como Sniper Americano entre os principais indicados. Ora, o combo Clint Eastwood + guerra do Iraque + sucesso de bilheteria é o suficiente para justificar sua presença na lista. Agora se a inclusão foi merecida… É outra história. Polêmicas à parte sobre Sniper Americano ser excessivamente patriota ou não, o longa é um relato bem produzido sobre uma tragédia que ainda assombra os norte-americanos. É específico, contemporâneo e sobre a vida deles. Já como cinema mesmo, não tem frescor. Aliás, alguém ainda consegue se entusiasmar com filmes dessa temática? 

A TEORIA DE TUDO, de James Marsh: Mesmo não me empolgando tanto com o resultado em si (que tem problemas pontuais que muito me incomodam, como a história se focar mais na deficiência do que na carreira ou na vida pessoal de Stephen Hawking), é grande minha torcida para Eddie Redmayne em melhor ator. Deve ser a única (e merecida) vitória do filme na cerimônia, com uma e possível lembrança em melhor roteiro adaptado caso o prêmio não fique com O Jogo da Imitação.

WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, de Damien Chazelle: Em um mundo ideal, Whiplash estaria concorrendo também em melhor direção, pois o filme de Chazelle é a melhor surpresa entre todos os indicados do Oscar deste ano. Objetivo, tenso e muito bem arquitetado, longa já tem certo o seu Oscar de ator coadjuvante para J.K. Simmons. Se der sorte, ainda deve merecidamente levar um prêmio de som e até mesmo de montagem. 

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