Os vencedores do Oscar 2015

Em uma noite r

Em uma noite de excelentes surpresas, o Oscar faz história e consagra pelo segundo ano consecutivo um diretor mexicano

Poucas vezes vi, na minha breve vida de cinéfilo até agora, uma cerimônia de Oscar tão surpreendentemente justa como a desse ano. Há tempos me questionava como os prêmios tinham comprado um filme tão diferente e naturalista como Boyhood. Sua vitória sempre me pareceu inconcebível, mas, pelas tendências e matemáticas dos grandes prêmios, apostei sem hesitar no filme de Richard Linklater. E que bela surpresa tive ao ver Birdman sendo consagrado nas categorias principais. Não é apenas porque considero Boyhood uma obra superestimada que minha alegria foi tão grande, mas porque era de um filme como Birdman que o Oscar precisava urgentemente na sua lista. A história comandada por Alejandro González Iñárritu é repleta de críticas à indústria e isso casou perfeitamente com o tom inflamado da cerimônia em relação a diversas feridas latentes em Hollywood.

Se Neil Patrick Harris (extremamente apagado se comparado a Ellen DeGeneres ano passado) abriu os trabalhos falando que o Oscar premiaria apenas os filmes mais brancos, Patricia Arquette logo deu continuidade ao tom falando sobre salários e oportunidades iguais para mulheres – o que levou Meryl Streep, uma feminista ferrenha, ao total êxtase na plateia. Logo veio a consagração de “Glory” em canção original e os autores da canção obviamente expuseram o racismo ainda existente na indústria. Isso mesmo, Academia: não adianta só colocar dezenas de negros cantando no palco, uma plateia inteira chorando e aplaudindo em pé e uma estatueta para um filme como Selma para amenizar tal questão. Em seguida, Graham Moore, o roteirista de O Jogo da Imitação, falou ao público gay. “Permaneçam estranhos. Permaneçam diferentes”, bradou lindamente o vencedor.

No mais, impossível não se emocionar com a apresentação simplesmente impecável de Lady Gaga na homenagem para A Noviça Rebelde (um momento que ressaltou a grande intérprete que Gaga um dia já foi e que hoje se perdeu em várias histerias de figurinos e visuais malucos), vibrar com injustiças sendo corrigidas (Alexandre Desplat, finalmente!), se surpreender com vitórias gratificantes (Whiplash em montagem!) e não se encantar com a total sinceridade e emoção genuína de Eddie Redmayne ganhando como melhor ator, por exemplo. Mas a minha felicidade particular está mesmo com a consagração de Birdman, um filme que admiro profundamente e que me deixou feliz em ter errado minhas apostas nas categorias principais. Nunca saí tão satisfeito com um Oscar. Hoje vou dormir tardiamente e feliz após anos vendo meus favoritos perdendo na cerimônia. Até 2016!

meryloscar

Yes! Yes! Yes! Melhor Oscar!

A lista completa de vencedores:

MELHOR FILMEBirdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
MELHOR ATRIZ: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
MELHOR ATOR: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons (Whipash: Em Busca da Perfeição)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: O Jogo da Imitação
MELHOR FOTOGRAFIA: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR FIGURINO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR MIXAGEM DE SOM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Sniper Americano
MELHOR MONTAGEM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR TRILHA SONORA: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Ida (Polônia)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR ANIMAÇÃO: Operação Big Hero
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Phone Call
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: O Banquete
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIOCrisis Hotline: Veterans Press 1
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Grande Hotel Budapeste
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Interestelar

3 comentários em “Os vencedores do Oscar 2015

  1. Friendo, também fiquei muito feliz com a consagração de “Birdman”, um baita filme que reflete sem medo a indústria e a ousadia da AMPAS em premiar um filme assim, muitas vezes eles são tão caretas. rsrsrs. Para coroar a noite, ainda teve uma bela coroação de “Whiplash” e “O Grande Hotel Budapeste” (DESPLAT, FINALLY. rsrsrs). Só por esses momentos, dormi feliz! :)

    • Mayara, como comentei no texto, poucas vezes vibrei tanto com uma vitória na categoria principal do Oscar. Sou um superfã de “Birdman” e ainda ver as surpresas de “Whiplash”, a consagração de Alexandre Desplat e os prêmios merecidos de “O Grande Hotel Budapeste”… Compensou a já tradicional monotonia da festa!

  2. Realmente o Oscar de 2015 emocionou muito. Os seus destaques estão perfeitos, Matheus, vibrei em cada um desses momentos! Assim como na abertura musical, quando o Neil Patrick Harris aparece em cenas clássicas do cinema. E ainda na lembrança dos que faleceram em 2014. A presença simpática de James Garner marcou minha infância como Maverick e como o galã de uma série de filmes sempre agradáveis. Mas toca pra frente, que temos muita gente talentosa nas telas de hoje, graças a Deus!

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