Dívida de Honra

I live uncommonly alone.

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Direção: Tommy Lee Jones

Roteiro: Kieran Fitzgerald, Tommy Lee Jones e Wesley A. Oliver, baseado no romance “The Homesman”, de Glendon Swarthout

Elenco: Hilary Swank, Tommy Lee Jones, Grace Gummer, Miranda Otto, Sonja Richter, Hailee Steinfeld, Meryl Streep, John Lithgow, James Spader, Jo Harvey Allen, Barry Corbin, David Dencik, William Fichtner, Evan Jones, Caroline Lagerfelt, Jesse Plemons

The Homesman, EUA/França, 2014, Western, 122 minutos

Sinopse: 1854. Por mais que seja forte e independente, Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) guarda uma profunda mágoa devido à solidão que sente. Ela precisa levar três mulheres insanas até o Iowa, onde poderão viver em paz. No caminho ela encontra George Briggs (Tommy Lee Jones), um criminoso que tem sua vida salva por Mary Bee. Em retribuição, ele segue viagem ao lado dela e a ajuda em sua jornada. (Adoro Cinema)

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Poucos gêneros morreram tanto com o passar dos anos quanto o western. Pelo menos na safra mais recente do cinema é preciso forçar a memória para lembrar de exemplares deste nicho. E o pior: mais difícil ainda é se recordar de westerns recentes de grande qualidade. Uma vez ou outra surge uma diversão descompromissada como Os Indomáveis, mas é quase raro encontrar produções do gênero, que teve seu último momento realmente excepcional em 1992 com Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood. Surpreendentemente, o western é agora oxigenado por Tommy Lee Jones com Dívida de Honra, um filme sensível, envolvente e bastante subversivo. Mesmo fracassando nas bilheterias estadunidenses (faturou apenas pouco mais de dois milhões de dólares), merece lugar cativo na agenda de todos os apreciadores do gênero e do cinema em geral.

Se a tarefa de elencar westerns recentes já é complicada, o que dizer, então, de um estrelado por uma mulher? Dívida de Honra, além de ser não ser centrado em uma figura masculina, inova por ter uma forte veia feminista. Em terras predominadas por homens, Mary Bee Cuddy (Hilary Swank, ótima) é uma mulher que foge dos padrões de seu tempo e espaço: com mais de 30 anos, é solteira e não tem filhos, administrando sozinha uma propriedade. Se deseja um casamento, não é por convenções sociais, e sim para preencher uma solidão que já a assombra há anos. Assim, as paisagens desérticas do filme dirigido por Tommy Lee Jones são mais do que apropriadas para ilustrar a vida da protagonista que, mais uma vez subvertendo as expectativas de uma sociedade, topa abraçar uma missão rejeitada covardemente por todos os homens da região: a de atravessar milhas até Iowa para levar três mulheres repudiadas pela cidade após surtos de loucura (uma delas por ter perdido três filhos em uma semana para a difteria, por exemplo) a um lugar onde possam ser devidamente tratadas e viver em paz.

Mary Bee Cuddy encontra no caminho George Briggs (Jones), que passa a ser seu companheiro na tal jornada, mas, mesmo quando não está em cena, a personagem permanece com o espectador. É resultado da presença marcante de uma mulher repleta de dúvidas como todos nós, mas forte e a frente de seu tempo. Ou seja, os holofotes de um western estão em uma mulher e só por isso Dívida de Honra, integrante da mostra competitiva do Festival de Cannes de 2014, já não merecia amargar fracasso ou muito menos esquecimento. O filme em si também é realmente muito bom, optando por deixar o bangue bangue ou as corridas a cavalo de lado para se focar na relação que se estabelece entre os dois protagonistas. A ambientação e as possibilidades de um western, portanto, servem justamente para falar sobre pessoas. O contraste entre Briggs e Cuddy (ele, apesar de mais experiente, não tem o pulso firme dela) ainda é fundamental para manter o interesse na história, ao mesmo tempo que Dívida de Honra ganha pontos em sua sustentação pela questão da loucura: como percorrer milhas em paisagens solitárias carregando três mulheres instáveis, surtadas e imprevisíveis?

Por mais que carregue sua dose de tensão em função de toda a circunstância dos protagonistas, o filme de Jones tem seus melhores momentos mesmo na relação e nas discretas transformações dos personagens. Dívida de Honra cumpre com louvor o mais básico conceito de um road movie: a de que nunca chegamos ao final da estrada da mesma forma que entramos nela. Com um excelente design de produção e uma bonita trilha sonora (é Marco Beltrami voltando ao mundo dos westerns com algo bastante diferente de Os Indomáveis), o longa pode não ter o desfecho mais revelador ou impactante como se poderia esperar, mas toda a construção até lá é riquíssima, sempre de forma sóbria e sem exposições escancaradas. Solenemente ignorado na temporada de premiações (nem uma esperada indicação a melhor atriz para Hilary Swank se concretizou), Dívida de Honra parece não ter sido compreendido muito bem nem pela crítica. Porém, assim como Mary Bee Cuddy, merece quebrar barreiras e ser lembrado com carinho por aqueles que o encontrarem.

9 comentários em “Dívida de Honra

  1. é por causa de filmes como esse, que eu evito acreditar nos comentários da critica, o filme é tudo menos bom, chato, arrastado, enfadonho, preguiçoso e seu único mérito é a trilha de Marco Beltrami, nada mais – se Hilary Swank está bem? Eu digo que, não o suficiente.

    • Cleber, entendo a aversão a este filme porque ele é um tipo de western que ninguém filma… Um western sobre solidão, desolação e até mesmo pobreza. Eu adorei!

    • O FILME É ESPETACULAR E PRECISA TER SENSIBILIDADE E ENTENDE-LO.VÇ NÃO ENTENDE NADA DE FILMES.

  2. Pela sua crítica, me parece um filme bem subestimado. O western é o gênero cinematográfico com o qual eu tenho uma dívida mais profunda. Vou tentar assistir a esse “Dívida de Honra”. Fiquei curiosa!

  3. Hilary Swank é realmente o destaque do filme. Acho q podia ter rolado pelo menos uma indicação ao globo de ouro de melhor atriz em comédia.

  4. Profundo. Marcante e Envolvente. É preciso ter sensibilidade para aprecia-lo. Uma obra de arte. Trilha perfeita. Atuaçao perfeita de Hilary Swank. Emocionante!

  5. Sou fã de Tommy Lee Jones, mas sinceramente, ele precisa se reencontrar. Lá pelas tantas, me deu sono. Nada contra… Só não gostei. Muitas coisas sem explicação e um final desconexo. Melhores cenas foram as do hotel.

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