Mad Max: Estrada da Fúria

What a day! What a lovely day!

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Direção: George Miller

Roteiro: Brendan McCarthy, George Miller e Nico Lathouris

Elenco: Charlize Theron, Tom Hardy, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley, Riley Keough, Abbey Lee, Courtney Eaton, John Howard, Richard Carter, Angus Sampson

Mad Max: Fury Road, EUA/Austrália, 2015, Ação, 120 minutos

Sinopse: Após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentanto fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo. (Adoro Cinema)

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Mad Max: Estrada da Fúria é um filme que contamina. Não estranhe se, após a insana viagem de duas horas proporcionada pelo diretor George Miller, você se pegar ainda agitado ou sem fôlego. Mérito das quase ininterruptas sequências de ação? Claro. Só que é importante compreender o porquê da adrenalina do filme funcionar tanto. Ao contrário do que podem dizer os avessos ao resultado, Mad Max: Estrada da Fúria não é uma espécia de Corrida Maluca no deserto ou muito menos um filme sem história. Sim, existe uma trama ali – bem mais complexa do que parece – mas não do jeito que esperamos ou sequer estamos acostumados a ver nas últimas produções do gênero.

Muito já foi dito que as cenas de ação de Mad Max possuem a mesma lógica dos números de um (bom) musical. Tal comparação é um baita elogio – e para lá de verdadeira. As explosões, as lutas e os confrontos são funcionais pela plena harmonia e fazem parte de um arco dramático construído sem palavras. Pare e pense: como você se afeiçoa e entende um universo sobre os personagens se Mad Max deve ter cerca de, sabe-se lá, dez páginas de diálogos em seu roteiro? Assim, não é apenas porque a direção sintoniza trilha, fotografia, montagem e outros elementos técnicos com perfeição que a adrenalina toma conta do espectador. Na realidade, é mais porque algo está sendo contado ali sem que tudo esteja necessariamente verbalizado. 

É melhor saber o mínimo sobre a trama (não ter visto os volumes anteriores não influencia a experiência), que se desenvolve em um mundo pós-apocalíptico e controlado por um temido ditador. Todos enlouqueceram, como narra Max (Tom Hardy) logo nos minutos iniciais, e o melhor suspense vem obviamente daí: loucura é sinônimo de imprevisibilidade, o que torna palpáveis situações e personagens que, em outro universo, poderiam resultar exagerados ou até mesmo implausíveis. Então espere ver muitas alegorias em Mad Max, passando por personagens bizarros (perfeitamente construídos por um impressionante trabalho de maquiagem), carros mirabolantes e momentos deliciosamente estapafúrdios (as cenas do músico que lança fogo com uma guitarra já são emblemáticas!).

Por falar em Max, é revigorante ver que o filme de George Miller também se atualizou: dessa vez, o protagonista até então vivido por Mel Gibson se torna quase um coadjuvante para da lugar a uma… Mulher! Sim, Mad Max é feminista e não somente por tirar as mulheres da inércia diante de uma batalha (aqui até uma jovem grávida se encarrega de tomar as rédeas de uma situação de vida ou morte!), mas por colocá-las como as responsáveis por desencadear toda a ação que se desenvolve ao longo de duas horas. Não é especificamente sobre a força física feminina, mas sobre a coragem de transgredir. Furiosa (Charlize Theron, em um dos papeis mais emblemáticos de sua carreira) se torna a estrela da história por desafiar uma sociedade patriarcal e colocar em xeque todo um sistema ditatorial. Ela é simplesmente arrebatadora, e seria muito mais coerente, inclusive, se o filme se chamasse Mad Furiosa.

George Miller acerta ao eliminar todos os cacoetes que acometem os filmes de ação dos dias de hoje. Não espere ver em Mad Max personagens que, entre uma morte e outra, soltam piadinhas ou fazem gracinha como alívio cômico. Não, o realismo reina aqui, inclusive com efeitos visuais que utilizaram CGI apenas em pouco menos de 20% das cenas. Tudo isso em prol de uma jornada que não traz ação por ação e que faz com que o espectador embarque em arcos coadjuvantes com a mesma dose de interesse. Basta prestar atenção para ver que Mad Max entra na mente de um jovem terrorista (Nicholas Hoult, ótimo) e no desespero interior de um ditador (Hugh Keays-Byrne) em plena derrocada com a mesma precisão que desenvolve sua adrenalina incessante (e não é a do tipo que causa dor de cabeça como em Transformers). Miller, que hoje já passa dos 70 anos, dá uma aula de como injetar inteligência e fôlego a um gênero cada vez mais carente de conceitos. Mad Max é tudo isso que dizem por aí – e muito mais. Testemunhem!

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