Divertida Mente

I’m positive that you’ll get lost in there!

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Direção: Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve e Pete Docter, baseado em história de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Elenco (vozes): Amy Poehler, Phyllis Smith, Bill Hader, Lewis Black, Mindy Kaling, Kaitlyn Dias, Diane Lane, Kyle MacLachlan, Paula Poundstone, Bobby Moynihan, Paula Pell, Dave Goelz, Frank Oz

Inside Out, EUA, 2015, Animação, 101 minutos

Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente. (Adoro Cinema)

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Dois trailers antecederam a minha sessão de Divertida Mente: os de Hotel Transilvânia 2Minions. E haja paciência, pois ambas as prévias já antecipam que ambas são animações que subestimam a inteligência de qualquer espectador. Só que há quem diga – levianamente, claro – que esse gênero existe com o propósito de apenas entreter crianças. Assim, a errada disseminação de tal lógica nos leva a produção de filmes que se utilizam somente de piadas físicas e nada criativas para arrancar risadas dos pequenos. No entanto,  é sim missão do gênero educar o olhar desta geração e, principalmente, diverti-la com histórias refinadas e suscetíveis a crescerem junto com ela. A Pixar, apesar da baixa em qualidade que teve nos últimos anos, foi pioneira em entretenimento inteligente para crianças e obras igualmente fascinantes para os adultos, mas com Divertida Mente alcança um patamar muito acima do esperado, fazendo um contraste gritante com os trailers da minha sessão. Sim, é verdade, inteligência também é fundamental e necessária para as animações. 

Antecedido pelo belo e sensível curta-metragem Lava (sobre um vulcão solitário cuja vontade de ser amado guia uma narrativa musical!), Divertida Mente é, sem dúvida alguma, o trabalho mais complexo já concebido pela Pixar. É, antes de qualquer coisa, uma obra que sintetiza o porquê do selo do estúdio ter alcançado notável reconhecimento: com a Pixar, há diversão para as crianças e material de sobra para que os adultos se envolvam tanto quanto elas. Ninguém é excluído de Divertida Mente, e o êxito do filme, que foi aplaudido em sua primeira sessão no Festival de Cannes este ano, também se reflete nas bilheterias: o trabalho da dupla Pete Docter e Ronaldo Del Carmen é a maior estreia de bilheteria de uma história inteiramente original, superado o até então recordista Avatar. Cannes e bilheteria. Todos aplaudem a Pixar. E não é exagero dizer que bastam 10 minutos de Divertida Mente para se entender as razões desta conquista. 

Mesmo se tratando de Pixar, é surpreendente que uma premissa tão atípica tenha saído do papel: aqui, a animação é passada toda dentro da mente de uma criança, onde os protagonistas são sentimentos! Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho ainda passeiam por lembranças, brincam com a imaginação, entram em pensamentos abstratos e descobrem detalhes de como são “produzidos” os sonhos. Há motivos de sobra para as crianças se entreterem com Divertida Mente, mas é somente com o tempo que elas conseguirão compreender o quão fascinante esse filme realmente é. Dos personagens adoráveis dentro e fora da mente ao plot pra lá de envolvente, a animação é assinada com impressionante segurança por Pete Docter, veterano da Pixar já responsável por Monstros S.A.Up – Altas Aventuras, em parceria com o estreante na direção de longas Ronaldo Del Carmen. Além da direção, a dupla também tem os créditos da criação da história, o que comprova que a ousadia e a genialidade dos dois se estenderam para fora do papel.

Dosando humor e emoção em um universo constantemente surpreendente, Docter e Del Carmen ganham os pequenos com as cores, os personagens e as situações, mas fisgam o coração dos adultos com a escolha de falar sobre como a vida pode ser frustrante e imprevisível. Nós não temos controle sobre ela e às vezes não há otimismo que mude essa situação. Tão genial quanto parece ou quanto qualquer análise pode apontar, Divertida Mente recupera uma força criativa que parecia perdida na Pixar – e o faz transbordando criatividade e emoção em um roteiro atento a todos os detalhes, onde nenhum detalhe é esquecido. Porém, assim como em quase todos os filmes do estúdio, o que fica de mais válido é a série de ensinamentos deixados pela história em questão. No caso deste, é tudo muito claro e verdadeiro: sem alegria é difícil viver, mas a tristeza também faz parte das nossas vidas e é somente ela que nos amadurece e nos faz crescer. Uma reflexão super válida que norteia este novo clássico das animações que acaba de ganhar as telas do cinema.

3 comentários em “Divertida Mente

  1. Quero muito ver esse filme, só estou escutando elogios a respeito! *u*
    Ótima critica!
    Bjs

    Ass: Carolina Souza

  2. Pingback: Rapidamente: Anomalisa, Boi Neon, Ex-Machina, Maze Runner e Ponte dos Espiões |

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