Rapidamente

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Gena Rowlands brilha em Uma Mulher Sob Influência. O longa de John Cassavetes mostra que casamento e loucura podem muito bem andar lado a lado.

MOTHER – A BUSCA PELA VERDADE (Madeo, 2009, de Joon-ho Bong): Considerado um dos grandes trabalhos do cineasta coreano Joon-ho Bong, autor de outros célebres filmes como O Hospedeiro e do recente Expresso AmanhãMother – A Busca Pela Verdade realmente faz jus a esse título. Pode ser que a premissa pareça relativamente simples (uma mãe determinada a provar a inocência do filho preso por um homicídio), mas o roteiro de Bong, em parceria com Eun-kyo Park, surpreende pela sobriedade. Não é difícil criar empatia pela protagonista, interpretada com delicadeza por Hye-ja Kim (uma atriz pouco ativa, já que, fora Mother, ela só tem cinco trabalhos no currículo envolvendo cinema e TV), e, aos poucos, torcer por sua destemida jornada materna. Misturando o suspense da trama com doses de humor e drama familiar, o filme pode até resolver seu principal conflito de forma pouco inesperada, mas Mother volta a pegar o espectador desprevenido logo após essa revelação, lançando um instigante e até mesmo provocador desfecho para essa história extremamente bem articulada.

UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA (A Woman Under the Influence, 1974, de John Cassavetes): Casamento e insanidade andam juntos em Uma Mulher Sob Influência que, muito mais do que ser uma das grandes referências da carreira de John Cassavetes, é o ponto alto da atriz Gena Rowlands. Ela não chegou a vencer o Oscar em 1975 (perdeu para Ellen Burstyn, por Alice Não Mora Mais Aqui), mas, como sempre, o tempo se revela o melhor prêmio possível, uma vez que o desempenho de Rowlands é, sem dúvida, muito mais lembrado – e com todos os méritos: como a complicada Mabel, ela dá uma verdadeira aula de interpretação, especialmente quando transita de sua doce e frágil faceta de mãe a um estado completamente descontrolado frente à família. A longa duração (155 minutos) e o tom assumidamente teatral presente em várias tomadas podem ser exaustivas, mas também são a fórmula ideal para que Rowlands brilhe a cada minuto. A tarefa de assistir a Uma Mulher Sob Influência também não é das mais fáceis porque a experiência é densa, e o olhar sob a vida conjugal do diretor não é nada positivo. No entanto, nada disso é obstáculo para que o filme impacte e seja um retrato atemporal de como existe uma linha muito tênue entre paixão e loucura.

SENTIDOS DO AMOR (Perfect Sense, 2011, de David Mackenzie): A ideia de Sentidos do Amor traz o que existe de mais interessante nos melhores filmes sobre epidemias: o foco no comportamento humano a partir de determinada tragédia desse gênero. Aqui é ainda mais instigante porque, ao contrário de Ensaio Sobre a Cegueira, por exemplo, os personagens estão fadados a perder não somente a visão, mas sim todos os sentidos. No centro dessa epidemia desconhecida e irremediável estão pessoas emocionalmente perdidas, mais especificamente um casal vivido por Eva Green e Ewan McGregor que começa a se apaixonar justamente em um cenário tão desesperançoso. Por outro lado, não ajuda Sentidos do Amor levar tanto tempo para engrenar, fazendo com que o espectador só se envolva com os personagens lá pela metade da história, quando o longa de David Mackenzie deixa de ser apenas um retrato convencional de cientistas tentando compreender uma epidemia que foge do controle da ciência. A partir do momento em que finalmente se entrega à relação dos protagonistas, Sentidos do Amor cativa e chega a culminar em um final incrivelmente belo e tocante – se é que isto é possível dada a condição da humanidade na trama. Parte da emoção se deve à belíssima trilha sonora de Max Richter, que recentemente também emocionou na TV com seu trabalho para o seriado The Leftovers.

4 comentários em “Rapidamente

  1. “Sentidos do Amor” é um filme que merece ser redescoberto. Não é memorável, mas acho singelo. E a trama da epidemia é super interessante mesmo.

  2. Não assisti a nenhum dos filmes que você resenhou aqui, mas me interesso particularmente por “Mother” e por “Uma Mulher sob Influência”.

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