Os 33

Aim to miss.

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Direção: Patricia Riggen

Roteiro: Craig Borten, Michael Thomas e Mikko Alanne, baseado no livro “Deep Down Dark”, de Hector Tobar

Elenco: Antonio Banderas, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro, Gabriel Byrne, Adriana Barraza, Bob Gunton, Paulina García, Lou Diamond Phillips, Juan Pablo Raba, Mario Casas, Naomi Scott, James Brolin, Kate del Castillo, Oscar Nuñez, Jacob Vargas

The 33, EUA/Chile, Drama, 120 minutos

Sinopse: Capiapó, Chile. Um desmoronamento faz com que a única entrada e saída de uma mina seja lacrada, prendendo 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. Eles ficam em um lugar chamado refúgio e, liderados por Mario Sepúlveda (Antonio Banderas), precisam racionar o alimento disponível. Paralelamente, o Ministro da Energia Laurence Golborne (Rodrigo Santoro) faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo. (Adoro Cinema)

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Só pela composição do elenco se percebe que Os 33 não é um filme particularmente comprometido com suas raízes. Sejamos francos: escalar um espanhol (Antonio Banderas), uma francesa (Juliette Binoche), um irlandês (Gabriel Byrne) e um brasileiro agora praticamente estadunidense (Rodrigo Santoro) para protagonizar, falando inglês, uma história sobre o povo chileno é o primeiro indicador de que esta é uma produção motivacional de sobrevivência para norte-americano ver – e, quem sabe, arrecadar uma gorda bilheteria com as estrelas reunidas. Poderia ser pior: Binoche foi escalada de última hora para substituir Jennifer Lopez, que preferiu priorizar sua participação no reality show musical American Idol! Não entrando em maiores discussões sobre este mundo em que uma atriz do calibre de Binoche vem para compensar a ausência de Jennifer Lopez, concluímos, então, com tal panorama, que Os 33, apesar de não ser o que podemos chamar de um filme necessariamente oportunista, está mais preocupado com o possível espetáculo de sua extraordinária história do que com fazer um retrato marcante deste que foi o maior acidente envolvendo mineiros na história do Chile.  

Não dá para deixar de se impressionar com o que os 33 mineiros do título viveram. Preso a quase 700 metros de profundidade após um grande deslizamento dentro de uma mina na cidade de Capiapó, o grupo sobreviveu durante 17 dias sem ter contato algum com o exterior, dividindo uma caixa de comida pensada para satisfazer apenas 30 pessoas durante três dias. Como sabemos, todos saíram vivos de lá, o que é um feito simplesmente extraordinário. E quando se afirma que Os 33 não é necessariamente oportunista, isso é porque o filme dirigido por Patricia Riggen, mesmo com suas convencionalidades, não pesa a mão e muito menos parte para o implausível com a missão de tirar lágrimas do espectador. Neste sentido, o relato é respeitoso e entrega ao público menos exigente (ou em busca de um mero entretenimento baseado em fatos reais) a fórmula sempre certeira para fins comerciais que tanto caracteriza os novelões estadunidenses sobre superação do ser humano: o tradicional início, meio e fim, subtramas de descontração, redenções pessoais, reavaliações da vida e o final feliz inspirador.

Já para quem procura transgressão, Os 33 é bastante decepcionante. Ao contrário de Ensaio Sobre a Cegueira ou até mesmo do recente Expresso do Amanhã, o filme de Patricia Riggen não explora a construção de uma nova “sociedade” em um ambiente isolado e de condições impensáveis. Os 33 não é sobre o comportamento humano frente ao desespero – o que, diga-se de passagem, seria um caminho inteligentíssimo a ser seguido. Na realidade, o roteiro do trio Craig Borten, Michael Thomas e Mikko Alanne, que tem como base o livro “Deep Down Dark”, de Hector Tobar, é simplesmente sobre o racionamento de água e comida e a busca por possíveis saídas dentro da mina. Nada mais. Enquanto isso, do lado de fora, familiares reivindicam por mais buscas e as autoridades pouco a pouco começam a agir. É tudo muito inofensivo e linear, o que não dá à história a devida dimensão dramática que ela merecia, sem falar dos habituais cacoetes de filmes sobre tragédia, como o sujeito que, desde o início, avisa que a situação pode ser perigosa mas nunca é ouvido e o coadjuvante que entra na mina e, por alguma força desconhecida, já não se sente bem lá.

Nos tradicionais ingredientes do gênero que compõem a mistura de Os 33, coloque ainda alívios cômicos (muitos deles entregues a uma subaproveitada Adriana Barraza), soluções arquitetadas sem muita criatividade (óbvio que um importante passo para a solução do conflito principal surge de uma conversa motivacional e aparentemente passageira) e uma trilha sonora (a última do recém falecido James Horner!) que tenta reproduzir a latinidade ausente no restante da obra. Uma vez ou outra Patricia Riggen tenta dar o seu toque ao filme, como no momento em que encena um banquete entre os mineradores (não é a mais brilhante das ideias, mas pelo menos tira um pouco a história do didatismo), e consegue o mais difícil: não se perder nas dezenas de personagens que protagonizam o grande conflito da trama. Só que realmente não há como fazer diferente com um projeto que, na mais funda de suas raízes, já foi pensado como entretenimento para o cinemão dos Estados Unidos e não como uma verdadeira homenagem à brava história desses 33 homens chilenos.

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