Três atores, três filmes… com Bruno Costa

brunotresConversar com o Bruno sobre cinema sempre rende discussões das mais interessantes. Resultado de outro ótimo encontro proporcionado pela internet e pelas redes sociais, nosso contato cinematográfico já ultrapassa a mera relação de blogueiro e leitor. É sempre um prazer trocar ideias com ele sobre cinema porque, além de termos muitas afinidades (principalmente no que se refere ao nosso afeto por atrizes), acredito que sempre provocamos um no outro novas reflexões sobre determinadas obras. A lista selecionada pelo Bruno tem a cara dele (claro que não poderia faltar Kate Winslet) e até reserva algumas afirmações bastante atípicas (será que existe uma interpretação melhor de Chalize Theron do que a de Monster – Desejo Assassino?).

Charlize Theron (Jovens Adultos)
Charlize Theron pode até ter ganhado o Oscar por Monster – Desejo Assassino (2003), mas é na pele da problemática Mavis Gary de Jovens Adultos (2011) que a atriz obteve o melhor desempenho da sua carreira. Amarga, bitch queen, sarcástica, infantil e presunçosa, sua personagem aqui é uma soma de vários defeitos que faz alguém ser detestável. Mesmo com uma personagem tão intragável e complexa, Theron consegue brilhar intensamente. Aliás, ela está impagável em suas caras e bocas, personificando com maestria o desprezo de Mavis pelas pessoas da sua cidadezinha natal, as quais ela reencontra graças a brilhante ideia de tentar reconquistar o namorado da adolescência, hoje um homem casado. Mas a grandiosidade da construção de Charlize vai além dos aspectos externos – algo que considero primário numa construção de personagem. Seu brilhantismo reside em conseguir transmitir a essência de um filme que trata sobre pessoas altamente capazes de obter êxito pessoal, mas que, por algum motivo, sabotam sua existência com atitudes infantis. São ressentimentos e descontentamentos para consigo mesmo que definem Mavis Gray. E Charlize Theron foi ótima em transmitir isso.

Gregory Peck (O Sol é Para Todos)
Um herói! Eis o melhor adjetivo para definir Atticus Finch, o mitológico personagem de O Sol é Para Todos. Adaptado do premiado romance de Harper Lee, a premissa do filme é simples: Atticus Finch, íntegro e renomado advogado da fictícia Maycomb, aceita defender um negro acusado de estuprar uma moça branca. O problema? Tudo se passa na década de 30, numa sociedade segregadora e preconceituosa, onde a palavra de um homem negro não devia ser levada em conta. Apesar da trama simples, o desenrolar dos acontecimentos é impactante em O Sol é Para Todos. E o valor social da história está longe de perder a relevância. Entretanto, tudo ficaria comprometido caso não tivessem encontrado o intérprete adequado para dar vida a Atticus Finch. Felizmente, o filme encontra nas qualidades do ator norte-americano Gregory Peck uma escolha mais do que acertada. Considerado um dos grandes atores da era dourada do cinema, Peck era conhecido por simbolizar a referência moral de Hollywood, dado seu ávido ativismo. De estilo sóbrio, voz serena, olhar que diz pouco e muito ao mesmo tempo, Peck empresta a Atticus Finch aspectos de sua persona pública, proporcionando ainda mais credibilidade e empatia do público em relação a um personagem que já nasceu mitológico em suas origens literárias. Longe de significar um demérito, essa fusão entre as características do interprete e as da figura ficcional resulta num desempenho cujo poder afetivo é inigualável. O Atticus Finch de Peck é mágico, soberbo, cativante e inesquecível!

Kate Winslet (O Leitor)
Dos grandes desempenhos da inglesa Kate Winslet, poucos costumam citar sua atuação em O Leitor (2008). Seja por causa da polêmica nas premiações ou pela controversa personagem, a grande verdade é que a composição da atriz para Hanna Schmitz merecia maior consenso. A primeira vez que conferi o desempenho de Kate neste filme, identifiquei de imediato as suas principais características como atriz: a profundidade técnica e emocional, o uso do erotismo como ferramenta de dramatização e a tão habitual sensação de poder e vulnerabilidade que ela traz a suas personagens. Despida de qualquer vaidade, Winslet apresenta ao público novidades no seu repertório, visíveis seja na rudeza da Hanna ou no interessante trabalho físico realizado. Certamente um dos seus maiores desafios de sua carreira, Hanna é, nas mãos de Kate, complexa, misteriosa, arisca, rude e de moral no mínimo duvidosa. O impressionante é que a atriz consegue ir além do proposto, conferindo uma pitada de humanidade a uma figura cujo passado odioso assombrou a si e aos seus durante toda vida.

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