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Jennifer Lawrence tenta, mas o último filme da saga Jogos Vorazes é problemático individualmente e como complemento aos outros capítulos da saga.

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL (The Hunger Games: Mockingjay – Part 2, 2015, de Francis Lawrence): Lamentável uma série que dependia tanto deste último volume para se tornar um marco terminar de forma tão decepcionante. Com a sucessão de escolhas erradas que foi dividir o último capítulo em dois volumes, Jogos Vorazes, no final das contas, fica na lembrança como uma franquia bastante irregular. São inúmeras as razões que fazem de A Esperança um capítulo aquém do que a série mostrou no ótimo Em Chamas, e todas estão ligadas a essa velha decisão comercial que coloca as bilheterias em primeiro lugar e não a história. Como complemento ao capítulo anterior, este novo filme só enrola durante longos 130 minutos para chegar a um clímax mal conduzido e pobremente arquitetado (Julianne Moore mais uma vez deu azar!), enquanto Jennifer Lawrence faz o que pode com o roteiro pobre em ação e que não cria discussões ou metáforas interessantes nos momentos de calmaria. Nós já sabemos tudo o que precisamos saber sobre a protagonista e sua batalha, e o que importa mesmo aqui é passar a régua e terminar as contas. Só que Jogos Vorazes: A Esperança – O Final tem pouco a dizer (reflexo de que tudo deveria ter sido condensado em um filme só), além de um elenco desperdiçado, um triângulo amoroso insosso e uma das cenas finais mais cafonas do ano. Não serve nem como uma carinhosa despedida do saudoso Philip Seymour Hoffman, em seu último filme lançado nos cinemas.

MY HOUSE IN UMBRIA (idem, 2003, de Richard Loncraine): Deve ter sido pela dívida de nunca ter premiado uma dama como Maggie Smith que o Emmy a consagrou como melhor atriz em telefilme/minissérie por esse açucarado drama dirigido por Richard Loncraine. A teoria é essa porque My House in Umbria não traz qualquer desafio para a veterana ou sequer uma cena mais especial onde ela possa realmente brilhar. Na tentativa de fazer um mosaico com personagens de diferentes origens e idades (todos sobreviventes de um ataque terrorista em um trem que passam uma temporada na mansão da protagonista vivida por Maggie), My House in Umbria fica sem consistência pois não desenvolve com propriedade nenhuma das figuras em questão. Até mesmo a relação da protagonista com uma garotinha que fica órfã após a tragédia é trabalhada de forma rasa e sem a emoção que merecia. Maggie está lá, com sua habitual sobriedade britânica, mas a mão frequentemente pesada de Loncraine para o drama mina o filme quase por completo, especialmente quando, na falta de conflitos mais sólidos, o diretor resolve aumentar o tom da trilha sonora ou inventar pequenos conflitos que nunca se revelam uma verdadeira contribuição para o todo da história.  

TEMPORÁRIO 12 (Short Term 12, 2013, de Destin Daniel Cretton): É com muita maturidade e sensibilidade que o diretor Destin Daniel Cretton, em seu segundo longa-metragem, conta uma história super complicada: a de uma jovem que, na casa de seus 20 anos, convive com as mais diferentes tragédias pessoais de um grupo de adolescentes em uma clínica. A sobriedade reina em Temporário 12, que, com grande delicadeza, apresenta dramas densos sem nunca cair no melodrama ou no exagero. Hoje favorita ao Oscar de melhor atriz por O Quarto de Jack, Brie Larson já entregava um belo momento no filme de Cretton e, por mais que alguns de seus conflitos pessoais sejam perfeitamente previsíveis, a atriz nunca deixa transparecer em sua atuação qualquer fragilidade que o roteiro possa ter. Ao mesmo tempo triste e esperançoso, Temporário 12 é um exemplar clássico do cinema independente que se preocupa muito mais com a complexidade dos sentimentos do que com a complexidade dos fatos. É nos pequenos momentos e na verossimilhança de seus adolescentes problemáticos e perdidos na vida que o filme de Cretton se engrandece – o que confere ao filme uma humanidade das mais preciosas.

A VERY MURRAY CHRISTMAS (idem, 2015, de Sofia Coppola): Lançado pelo Netflix, o Natal musical de Bill Murray se assemelha muito ao que simbolizam os dois decepcionantes filmes de Sex and the City, em especial o segundo: amigos se divertindo do lado de lá da tela enquanto os espectadores ficam completamente entediados assistindo sem fazer parte da festa. Não há carisma ou ator experiente como Bill Murray que sustente este especial de uma hora onde a história simplesmente inexiste e tudo é mero pretexto para que várias celebridades soltem a voz em um karaokê infinito de músicas natalinas. Sofia Coppola, que há anos não realiza algo realmente relevante, dirige A Very Murray Christmas de forma muito displicente, provando que, caso não ela não estivesse atrás das câmeras, os atores certamente conduziriam tudo da mesma maneira sem qualquer dificuldade. Isso porque Coppola não encena os números musicais com qualquer criatividade, apostando 100% na ideia de que o carisma de figuras como George Clooney e Amy Poehler é o suficiente para que a atração se sustente. O problema é que não demora muito tempo para percebermos que não é isso o que acontece. Na realidade, A Very Murray Christmas só serve mesmo para abrir nossos olhos (e ouvidos) para a boa cantora que Miley Cyrus é. 

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