Adeus, 2015! (e as melhores cenas do ano)

Como já é tradição aqui no blog, encerro 2015 escolhendo as melhores cenas do ano. O que muitas delas têm em comum? A simplicidade. Boa parte do que vi de melhor no cinema este ano me pegou muito mais pela emoção do que por ambições estéticas ou narrativas. Já a lista de melhores do ano fica para quando voltarmos em 2016, pois muito ainda deve ser visto para compensar o ano menos acelerado que tive no cinema. Seria injusto finalizá-la agora. Por enquanto, ficamos com a lista das nossas cenas favoritas (todas elencadas aleatoriamente) enquanto fazemos uma breve pausa para recarregar as baterias e colocar os filmes em dia. Logo voltamos a nos encontrar por aqui, combinado? Um bom final de ano a todos e obrigado pela companhia em 2015!

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Kate e Geoff dançam Smoke Gets in Your Eyes em 45 Anos

O maior testamento do grande desempenho de Charlotte Rampling em 45 Anos está na cena derradeira deste filme escrito e dirigido por Andrew Haigh (do ótimo Weekend). Sem uma palavra sequer, a veterana, muito bem acompanhada por Tom Courtenay, transmite um universo de angústias ao espectador quando dança Smoke Gets in Your Eyes com o marido- e poucas vezes os exatos últimos cinco segundos de um filme foram tão assombrosamente dolorosos.

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Qualquer perseguição de Mad Max: Estrada da Fúria

Cheio de adrenalina do início ao fim, Mad Max: Estrada da Fúria é um filme de ação simplesmente impecável. Por ser impossível escolher apenas um momento da longa, insana e criativa fuga dos protagonistas em pleno deserto escaldante, nada mais justo do que nomear todas elas. Afinal, vai dizer que teve alguma que não deixou você sem fôlego?

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Os minutos finais de Whiplash: Em Busca da Perfeição

Em poucos minutos, o diretor Damian Chazelle dá um baile em muitos colegas que passam anos sem chegar a um momento magistral como o que encerra Whiplash: Em Busca da Perfeição. Difícil não suar com os personagens neste clímax que une tudo o que o cinema pode fazer pelos sentidos e encerra com perfeição um longa já repleto de som e fúria.

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Val e a piscina em Que Horas Ela Volta?

Quando bem conduzidos, momentos de libertação podem emocionar mais do que qualquer lágrima. No caso específico de Val (Regina Casé), uma mulher que nega a si mesma o livre arbítrio e até o devido extravasamento de sentimentos, o ápice do seu adeus às amarras acontece em uma piscina – e a diretora Anna Muylaert conseguiu extrair o melhor do talento de Regina Casé e do seu próprio como realizadora.

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Maria Eugênia ganha a guarda de Chicão, e Cássia Eller se encerra com O Segundo Sol

O Brasil é referência na produção de documentários, mas Cássia Eller está mesmo entre os mais emocionantes dos últimos anos. Ao longo de tantas passagens tocantes do filme, aquela em que Maria Eugênia ganha a guarda de Chicão na justiça traz o auge da beleza do legado da cantora. E tinha maneira mais bonita de encerrar o filme logo após com depoimentos de amigos e familiares ao som de O Segundo Sol

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O voo de Riggan em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Trabalho mais completo da carreira do mexicano Alejandro González Iñárritu, Birdman está cheio de cenas inovadoras e marcantes, mas o voo de Riggan Thomson (Michael Keaton) pelas ruas de Nova York rumo ao teatro que abriga seu mais novo espetáculo é aquela que você vê e já sabe instantaneamente que é emblemática. Executado com o devido realismo e encantamento, o momento é também pra lá de simbólico na vida do protagonista.

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Qualquer lembrança envolvendo Bobbi em Livre

É fruto de uma montagem impecável toda a emoção causada pelas lembranças que Cheryl (Reese Witherspoon) tem de sua mãe Bobbi (Laura Dern). Introduzindo com precisão importantes fatos e revelações sobre o passado das duas, as breves memórias aparecem no filme como na própria vida: aqui ou ali, sem razão aparente, onde colocamos uma nova luz sob momentos que antes nos pareciam tão corriqueiros. Em função desse imenso carinho com a importância da figura materna, qualquer lembrança envolvendo a personagem de Laura Dern parte o nosso coração – e, de brinde, você nunca mais sairá ileso da bela El Condor Pasa, de Simon & Garfunkel.

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O primeiro discurso de Mason em Expresso do Amanhã

Com óculos de Margaret Thatcher, pose de tirana e transformada por uma ótima maquiagem, Tilda Swinton é o centro das atenções toda vez que aparece no criativo Expresso do Amanhã. A primeira aparição de Tilda, entretanto, é a mais emblemática porque já nos mostra o quão tosca mas perigosa pode ser uma ditadora como a sua Mason. Qualquer semelhança com tantas figuras reais dessa mesma natureza que já habitaram a história mundial não é mera coincidência.

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Riley volta para casa em Divertida Mente

Há quem chore horrores com o desfecho do elefante rosa, mas o momento que me derruba mesmo em Divertida Mente é aquele em que a protagonista Riley volta para casa. Consegue me derrubar porque fala, em poucas palavras, sobre milhares de questões de forma muito delicada: o amadurecimento, o valor da família, a importância de sentirmos a tristeza uma vez ou outra, e por aí vai… De cortar o coração! 

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O último encontro de Alejandro e Kate em Sicario: Terra de Ninguém

Sicario: Terra de Ninguém é aquele tipo de filme que deixa um peso nas costas do espectador após o fim da sessão. A história contada pelo canadense Dennis Villeneuve é densa por si só, mas o último encontro de Alejandro (Benicio Del Toro) e Kate (Emily Blunt) perturba particularmente por sua veracidade e intensidade ao sintetizar até que ponto o ser humano vai para fazer o que julga ser certo em um ambiente que “possibilita” a justiça pelas próprias mãos.  E o mais angustiante: tudo sem um tom elevado, com uma discrição afiadíssima.

6 comentários em “Adeus, 2015! (e as melhores cenas do ano)

  1. Adorei sua seleção, Matheus! Várias das cenas que você escolheu, são meus destaques também! Feliz Ano Novo!!!

  2. Apesar de pouco ter escrito em 2015, assisti 7 filmes da sua lista Matheus! Isso me deixa feliz! E são mesmo as cenas que nos emocionam as que ficam. Como a Luiza, gostei bastante de Star Wars, mas o que muito me impressionou foi constatar o quanto nossos jovens heróis envelheceram – como eu mesma, é claro, que tinha 25 anos na estréia de Star Wars. :-) Mal posso esperar pelo 8º filme da série! A jovem Daisy Ridley foi uma escolha certeira como a piloto Rey, muito carismática. Feliz Ano Novo, Matheus! E vida longa para Cinema e Argumento!

  3. lista impecável!
    eu pessoalmente ja citaria algo de star wars ♡

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