Três atores, três filmes… com Raquel Piegas

raqueltresMesmo em um curto espaço de tempo até aqui, o Jornalismo já me trouxe muitas experiências e trabalhos bacanas. Nada, no entanto, se compara às amizades tão especiais que vieram com o pacote. Na lista de encontros mais marcantes, o que tive com a Raquel Piegas está indiscutivelmente entre os mais importantes. Devido ao destino e à geografia, já não nos vemos pessoalmente há alguns anos, mas isso não é motivo para que nossas risadas, trocas e conversas fiquem menos relevantes do que quando convivíamos diariamente. Agora, trago a Raquel para um pouquinho mais perto de mim com a participação dela na coluna Três atores, três filmes. A seleção tem a cara da convidada, em especial a primeira escolha, que valoriza um desempenho luminoso e revelador e que eu já deduzia que pudesse estar entre seus desempenhos favoritos por dizer muito sobre quem a própria Raquel é. Fiquem abaixo, portanto, com a participação dessa amiga que admiro desde sempre.

Penélope Cruz (Volver)
Sou uma grande fã de Penélope. Foi um pouco difícil escolher qual atuação dela me é mais emblemática. Em todas suas personagens, Penélope leva um quê de si. Da mulher latina que não se entrega, que é intensa, que não se renega. Raimunda é uma matriarca, uma representação da força feminina, em uma lição de resistência diante de uma situação forte e impetuosa como o abuso sexual de sua filha e o assassinato em legítima defesa de seu marido, cometido pela filha abusada. Volta e meia me pego revendo a cena em que Raimunda interpreta a canção Volver, de Carlos Gardel. Essa parte do filme me traz a intensidade de quem está vivendo longe de sua terra, como eu. As lágrimas reais de Penélope nessa atuação me representam. É uma atuação a qual recorro em diversos momentos.

Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Escolhi uma atuação atual dessa atriz, por recentemente ter assistido a esse filme. Um drama sem choros fantasiosos, sem atuações escrachadas, sem melodrama. Um drama real, uma família real, uma situação com a qual podemos nos deparar constantemente: a ilusão de que somos intocáveis por doenças ou males que nos parecem distantes e que surgem de maneira inesperada para nos ensinar a reviver. Julianne consegue transmitir mesmo com sua expressão serena, em uma atuação que comove somente pelo olhar.

John Cusack (Alta Fidelidade)
Alta Fidelidade é cultura pop até os ossos. Desde o livro, escrito por Nick Hornby, até sua trilha sonora, o filme é um ícone de uma geração que está perdida e sabe que está perdida. E faz disso um estilo de vida, claro. Rob Gordon é viciado em listas. Top 5. Cada aspecto de sua vida é avaliado com base em cinco itens que ele escolhe como sendo os mais emblemáticos. Alta Fidelidade é uma tentativa de Rob se reencontrar reparando seus cinco maiores erros e decepções amorosas, com mulheres claramente mais fortes e emblemáticas que ele. É um personagem que me apaixona pelos seus lugares comuns e com a forte identificação que promove ao nos despertar a certeza de que é necessário reconhecer e revisitar cada fracasso vivido como uma maneira de evolução.

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