Procurando Dory

You are lucky. No memories, no problems.

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Direção: Andrew Stanton e Angus MacLane

Roteiro: Andrew Stanton e Victoria Strouse, com colaboração de Angus MacLane e Bob Peterson, baseado em história de Andrew Stanton

Elenco (vozes originais): Ellen DeGeneres,  Albert Brooks, Ed O’Neill, Hayden Rolence,  Kaitlin Olson, Diane Keaton, Ty Burrell, Eugene Levy, Idris Elba, Dominic West, Sigourney Weaver,  Willem Dafoe,  Allison Janney

Sinopse: Um ano após ajudar Marlin (Albert Brooks) a reencontrar seu filho Nemo, Dory (Ellen DeGeneres) tem um insight e lembra de sua amada família. Com saudades, ela decide fazer de tudo para reencontrá-los e na desenfreada busca esbarra com amigos do passado e vai parar nas perigosas mãos de humanos. (Adoro Cinema)

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Desde que a Disney comprou a Pixar em janeiro de 2006 por uma cifra bilionária, é perceptível que a primeira tem tido prioridade não apenas nos projetos que envolvem os dois estúdios, mas também na criação das histórias que são ou um dia foram da segunda. Mercadologicamente, claro, é muito justo. Artisticamente, nem tanto. Enquanto são anunciadas cada vez mais continuações de obras emblemáticas da Pixar (e confesso que morro de medo de que, daqui a pouco, acrescentem à lista filmes como RatatouilleWALL-E), a dupla de selos parece ter parado para refletir: recentemente, Jim Morris, presidente da Pixar, anunciou que o estúdio lançará apenas obras originais a partir de 2019. É um excelente sinal, principalmente agora que Procurando Dory ganha as telas dos cinemas quebrando recordes e mais recordes de bilheteria. Excelente porque a continuação de Procurando Nemo, de 2001, pode até ser divertidíssima e um excelente passatempo recheado de mensagens importantes, mas, no todo, não se configura necessariamente como uma continuação: ao invés de expandir o universo dos carismáticos protagonistas, o filme apenas reproduz, com certa comodidade, toda a estrutura narrativa do longa anterior. Por outro lado, a história parece se cercar muito bem de elementos certeiros para não deixar transparecer tal fragilidade.

Racionalmente avaliado, Procurando Dory, assinado pela dupla Andrew Stanton e Angus MacLane (existe alguma explicação para animações serem cada vez mais assinadas por duplas ou até trios?), não apresenta quase nada inédito às águas de Nemo, Marlin e, claro, da esquecida Dory. Voltamos a acompanhar os personagens em uma longa cruzada pelo oceano e, claro, as infinitas engenhosidades que precisam ser pensadas quando alguns deles novamente são capturados para um aquário (dessa vez em proporções bem maiores do que no primeiro longa). A carta na manga de Procurando Dory que compensa essa certa preguiça do roteiro é, claro, a nostalgia para o público mais adulto de reencontrar um universo que marcou tantas infâncias no início dos anos 2000, enquanto a nova geração mergulha pela primeira vez na proposta da animação com o mesmo senso de humor do filme original. Não há dúvidas: a sequência conversa tanto com adultos quanto crianças porque sua diversão não está no humor pelo humor, mas sim em uma rica gama de personagens criativos, genuínos e inseridos em um espaço que instiga visualmente.  

O alto nível de dubladores da versão original (Ellen DeGeneres! Albert Brooks! Sigourney Weaver! Diane Keaton! Willem Dafoe!) comprova o quanto Nemo e sua turma continuam com prestígio depois de tanto tempo. É bom ver uma legião de astros emprestando seus nomes a uma trama de grande importância aos pequenos – e também aos adultos, por que não? Basta olhar um pouquinho além dos grandes mergulhos e das situações inegavelmente cômicas para perceber que Procurando Dory é inegavelmente um filme sobre minorias. O assunto se torna especialmente latente nessa continuação a partir do momento em que a condição da peixinha Dory, que sofre de perde memória recente, vira alvo da impaciência e da irritabilidade até do amigo Merlin, que, no longa anterior, só encontrou o filho graças à ajuda dela. Ao longo da animação, a protagonista tem suas capacidades questionadas, o que imediatamente faz com que sua jornada em busca dos pais se revele uma bela homenagem à filosofia de que não devemos dar ouvidos a quem nos desmotiva. Só devemos continuar a nadar!

Maior estreia de uma animação no Brasil, Procurando Dory tem outro mérito importante: o de não tornar a condição de sua protagonista um empecilho para a construção do roteiro escrito pelo próprio diretor Andrew Stanton em parceria com Victoria Strouse. Seria fácil tornar o desenrolar da trama e até mesmo o humor do repetitivo com a função de Dory, a cada cinco minutos, esquecer o que estava fazendo. Por sorte e talento dos roteiristas, não é isso o que acontece, uma vez que o esquecimento da peixinha, em certo ponto, é até mesmo invejado por um mal humorado polvo que ela encontra no caminho. “Você tem sorte. Sem memórias, sem problemas!”, diz o não tão temido animal aquático. Ao se atentar para essas delicadezas e fugir do lugar-comum para não cair na obviedade de construções que surgiriam bastante problemáticas nas mãos de mentes menos talentosas, Procurando Dory consegue disfarçar muito bem a total falta de inovação na estrutura de seu roteiro – e se não fosse por esse detalhe, estaríamos diante de um filme tão grande quanto o original.

Um comentário em “Procurando Dory

  1. Infelizmente, ainda não assisti a “Procurando Dory”, mas as expectativas são as melhores para esta animação!

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