Três atores, três filmes… com Allan Souza Lima

allantresO nosso novo convidado da coluna marca presença dupla no Festival de Cinema de Gramado deste ano. Além de integrar o elenco de Aquarius, que será exibido fora de competição, Allan Souza Lima está na disputa pelo Kikito com o curta-metragem O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico, dirigido (em parceria com Gugu Seppi), escrito e protagonizado por ele. Foi justamente com o interesse pela direção que Allan montou a produtora Ikebana Filmes para contar suas próprias historias, chegando agora a esse terceiro curta-metragem que concorre no festival serrano. Atualmente, ele, junto com a sua sócia, a produtora executiva Fernanda Etzberger, também vem se preparando para rodar, no próximo ano, seu primeiro longa-metragem como ator e diretor. Quanto às escolhas do nosso convidado, é possível encontrar desde desempenhos que ilustram filmes icônicos como Laranja Mecânica a outros criados por grandes atores como Daniel Day-Lewis. Além disso, Björk conquista seu bicampeonato aqui na coluna por sua atuação em Dançando no Escuro. Conheçam, abaixo, as escolhas do Allan:

Malcolm McDowell (Laranja Mecânica)
O primeiro da lista é o personagem Alex, interpretado pelo ator Malcolm McDowell, no filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Além de eu ser um eterno admirador da obra do Kubrick, esse filme mexeu comigo desde a primeira vez que eu vi. Para mim, é um dos mais característicos e um dos mais polêmicos filmes existentes. É aquele filme que você vê um slogan e lembra toda a sua historia. Um filme que trouxe uma grande polemica na época pelas suas cenas de sexo e de brigas ao som da 9º Sinfonia de Beethoven. Uma verdadeira genialidade o personagem usar seu “horrorshow” ao som da música clássica de Beethoven. O que vemos no filme é a pura realidade do retrato da nossa sociedade narcisista e fascista, com alguns toque exagerados ou não, que dão a conotação sarcástica ao longa. Sem falar do maravilhoso trabalho que o Kubrick conseguiu, junto ao ator, de chegar à perfeita interpretação do personagem Alex. Digamos que um pouco exagerado, mas completamente condizente com a linguagem e a proposta instaurada do inicio ao fim. Como ator, digo que é um dos mais incríveis e excêntricos personagens criados no cinema.

Daniel Day-Lewis (Meu Pé Esquerdo)
Sou um fã e admirador incondicional do ator Daniel Day-Lewis. Sem sombra de dúvidas, para mim, é o melhor de todos os atores. Claro que é muito difícil ficar comparando o trabalho de um com o de outro, mas,o que vejo de mais belo nesse ator é o processo de entrega que ele tem para com os seus personagens. A intensidade e a densidade que ele busca para criá-las são fantásticas e elas são tamanhas que o próprio ator, imerso em uma personagem,  quebrou, pelo esforço excessivo, duas costelas durante as filmagens por assumir a posição de corcunda em sua cadeira de rodas durante semanas de filmagens. Esse é Christy Brown, maravilhoso papel de Daniel Day-Lewis no filme Meu Pé Esquerdo. Acredito que seja o trabalho de ator junto a personagem mais incrível no cinema. O processo de criação realmente foi bem desgastante: o ator ficou quase um ano vivendo Christy intensamente. Reza a lenda que o próprio Day-Lewis propôs ao diretor que só começaria as filmagens quando ele, de fato, conseguisse fazer uma pintura com seu pé esquerdo. Estudando a trajetória dele, é um ator que, comparado a outros, fez pouquíssimos filmes. Em media, fez um a cada dois anos, além de escolher bem seus personagens. Além do grande personagem nesse filme, com certeza, é o melhor ator de todos os tempos.

Björk (Dançando no Escuro)
Para finalizar, também fazendo parte da minha lista de cabeceira, sem sombra de dúvida, esse filme não poderia deixar de ser comentado. Qual foi a atriz que, numa das brigas com um diretor, simplesmente rasgou todo seu figurino e foi embora sem deixar rastro, voltando dias depois para as filmagens? A personagem Selma Jezkova, interpretada pela atriz e cantora Björk. Um processo bastante intenso e conflituoso durante todo o processo de filmagem do filme Dançando no Escuro, dirigido pelo polêmico Lars Von Trier. Processo este que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Não lembro de outro filme que uma personagem feminina tão densa tenha me tocado tão profundamente como a de Björk nesse filme, que é um verdadeiro soco no estômago.

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