Rapidamente: “O Clube”, “Marguerite” e “Trumbo – Lista Negra”

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Catherine Frot em Marguerite: tanto ela quanto Meryl Streep em Florence: Quem é Essa Mulher? compreendem a trágica inocência de uma mesma personagem.

O CLUBE (El Club, 2015, de Pablo Larraín): Vencedor do grande prêmio do júri no Festival de Berlim em 2015 e indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro este ano, O Clube é o sexto longa-metragem assinado pelo chileno Pablo Larraín. Para quem ainda não acompanhava o nome dele de perto (em 2012, fez o excelente No, estrelado por Gael García Bernal e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro), é bom reparar o erro a partir de agora com O Clube, um filme profundamente desconfortável (no bom sentido) e munido de muita coragem ao narrar os dias de padres isolados pela igreja católica em uma casa litorânea sob a suspeita de crimes de pedofilia. O clima invernal, o tom taciturno, a fotografia nebulosa e uma morte na porta do retiro dos padres são os pontos altos da ambientação desse filme que não economiza, seja abordagem ou vocabulário, para falar sobre os crimes nunca encenados que os sacerdotes teriam cometido. Com um desfecho particularmente surpreendente e até mesmo perturbador, O Clube reafirma o talento de Larraín como contador de histórias – e, ainda que No seja mais marcante, sua nova investida atrás das câmeras não deixa de ser uma experiência de alto valor cinematográfico e narrativo.

MARGUERITE (idem, 2015, de Xavier Giannoli): Realizado quase paralelamente ao ótimo Florence: Quem é Essa Mulher?, o belga Marguerite prefere carregar menos no tom anedótico para contar a história da personagem-título, transpondo a história verídica de Florence Foster Jenkins para o imaginário de língua francesa. Por isso acho tão complicado – e até injusto – colocar na balança o trabalho de Xavier Giannoli com o longa estrelado por Meryl Streep e Hugh Grant, já que o segundo, mesmo dando conta da dimensão dramática da personagem, prefere ser um (satisfatório) produto cômico. Enquanto isso, Marguerite opta por fazer um estudo mais minucioso de sua personagem, explorando muito mais os detalhes da trágica inocência de uma mulher que, apesar do marido compreensivo e do mordomo fiel, enfrenta uma crise no casamento e constantemente se depara com pessoas que querem secretamente abusar de sua ingenuidade. Elegante, o longa de Giannoli, assim como o de Stephen Frears, respeita e compreende o que existe de mais fascinante em sua protagonista, principalmente porque também acerta na escolha da intérprete: aqui, Catherine Frot é excelente como protagonista que sempre conquista a nossa compaixão.

TRUMBO – LISTA NEGRA (Trumbo, 2015, de Jay Roach): Quem escreveu que Trumbo – Lista Negra é o filme que coloca um diretor de comédia no mundo dos dramas e da biografia certamente desconhece a carreira de Jay Roach. É lógico que seus maiores sucessos são filmes cômicos como Austin PowersEntrando Numa Fria, mas a comparação lógica para falar sobre Trumbo seria com Recontagem Virada no Jogo, duas grandes histórias verídicas sobre importantes momentos da política norte-americana que ele adaptou para a HBO. Isso porque Trumbo, que já decepciona por si só, acaba se tornando ainda menos interessante quando lembramos do que Jay Roach já foi capaz com esses dois filmes específicos. Fica claro, no longa estrelado Bryan Cranston, que o diretor tem sérios problemas em narrar biografias que compreendem um longo espaço de tempo. Enquanto em Recontagem Virada no Jogo ele era cirúrgico ao distribuir a construção de seus personagens a partir de momentos cotidianos de um pequeno recorte, em Trumbo a situação é dispersiva pela amplitude cronológica, resultando no recorrente problema de filme biográficos que, desejando narrar tudo o que é possível sobre a vida de um personagem, acabam comunicando muito pouco. Bryan Cranston faz o que está ao seu alcance em um elenco mal aproveitado e até caricato (Helen Mirren não passa da caracterização, por exemplo), mas isso não é o suficiente para tirar o filme do status de mero relato esquemático e sem refinamento.

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