A Garota no Trem

I want to start my life over again.

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Direção: Tate Taylor

Roteiro: Erin Cressida Wilson, baseado no livro homônimo de Paula Hawkins

Elenco: Emily Blunt, Justin Theroux, Rebecca Ferguson, Haley Bennett, Allison Janney, Edgar Ramírez, Lisa Kudrow, Luke Evans, Cleta Elaine Ellington, Rachel Christopher, Gregory Morley

The Girl on the Train, EUA, 2016, Drama/Suspense, 112 minutos

Sinopse: Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério. (Adoro Cinema)

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É preciso cautela na hora de acusar um filme de plágio, seja ele temático ou até mesmo estético, porque são muitas as variáveis e as coincidências envolvendo as produções audiovisuais, principalmente em tempos de democratização das tecnologias e das plataformas on demand. No entanto, existem casos específicos em que fica difícil defender tal ideia tamanha a infinidade de semelhanças entre uma obra em questão e outras realizadas previamente. A Garota no Trem, que adapta o best-seller homônimo de Paul Hawkins, se encaixa nesse grupo ao tentar reproduzir, em estilo e narrativa, tudo o que deu certo no fantástico Garota Exemplar, de David Fincher. Só que faltou uma atenção maior do diretor Tate Taylor e da roteirista Erin Cressida Wilson para o fato de que o texto original de Paula Hawkins está bem longe de ser tão provocativo e sofisticado quanto o de Gillian Flynn para o filme estrelado por Rosamund Pike em 2014.

Ao tratar novamente do desaparecimento de uma mulher suburbana em meio a um casamento aparentemente feliz mas frequentemente conturbado, A Garota no Trem procura se cercar, como se já não bastasse a aproximação temática, de todos os elementos estéticos de Garota Exemplar: da trilha de Danny Elfman (como um veterano como ele se entrega ao mero exercício da cópia?) à fotografia assinada por Charlotte Bruus Christensen (que trabalhou com ninguém menos do que Thomas Vinterberg no ótimo A Caça), tudo é carente de personalidade própria nessa adaptação. A fragilidade dessa concepção é um claro reflexo da escolha de ter alguém como Tate Taylor na cadeira de direção. Responsável por ter comandado histórias açucaradíssimas (Histórias Cruzadas), biografias de formato clássico (Get on Up: A História de James Brown) e comédias apoiadas na simplicidade (Grace and Frankie), Taylor não tem o pulso firme necessário para uma história complicada e tão suscetível a clichês como a de A Garota no Trem, entregando prematuramente algumas cartas que o próprio roteiro já não faz muita questão de esconder.

Indo à raiz do problema, a história começa optando por um artifício muito cômodo, colocando em cena uma protagonista desmemoriada que, com o desenrolar dos fatos, se vê obrigada a recuperar suas conturbadas lembranças para juntar as peças de um quebra-cabeça. Ainda não ajuda A Garota no Trem ter uma história que exige tanta boa vontade do espectador para acreditar nas inúmeras coincidências de tantas relações e situações desenhadas pelo roteiro, que falha ao dar a carga dramática necessária a uma protagonista desestabilizada (se não fosse por Emily Blunt, a deprimida Rachel seria apenas a caricatura de uma alcoolista que nunca superou um divórcio) e ao fazer um estudo sobre as trágicas consequências da forma desregulada e distorcida com que cada vez mais tratamos os relacionamentos nos dias de hoje. Ao invés disso, A Garota no Trem se preocupa em fazer o básico de um suspense policialesco que termina caindo em armadilhas facilmente evitáveis.

Quando há mistério envolvido em uma trama, é importante considerar outros fatores além dos desdobramentos factuais do texto. A própria produção de um filme pode revelar mais do que os realizadores gostariam, e um dos descuidos básicos é justamente a escalação de elenco. Atentando-se à constatação de que nenhum ator famoso ou de alto calibre está de bobeira ou como figurante em um filme do gênero, você é capaz de matar a charada de A Garota no Trem ainda na metade. Se o final é abrupto e o elenco como um todo não tem muito o que fazer em cena (inclusive uma Allison Janney com o óbvio papel da dedicada detetive), ao menos se preserva o inegável talento de Emily Blunt. Ela, que já brilhava muito antes de suas merecidas indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA de melhor atriz coadjuvante por O Diabo Veste Prada, vem crescendo nos últimos anos em trabalhos bastante distintos: cantou e encantou mesmo em um filme péssimo como Caminhos da Floresta e entregou um dos seus melhores desempenhos no forte Sicario: Terra de Ninguém, citando duas obras recentes. Por superar com folga o próprio filme, Emily Blunt ao menos sai da experiência com um bom acréscimo ao seu currículo. Isso com certeza deve valer alguma coisa.

Um comentário em “A Garota no Trem

  1. Confesso que, apesar da vontade, ainda não consegui assistir a esse filme. Muita gente fala do livro no qual a obra se baseou, mas eu estou tentando não ler muito sobre a trama em si do filme, para tentar ser surpreendida quando eu conferir a adaptação cinematográfica.

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