Três atores, três filmes… com Eduardo Fernando Gomes Filho

eduardotresDebater cinema com quem gosta de filmes é uma coisa. Já falar sobre o assunto com quem está ligado na indústria, em prêmios e nos bastidores dessa arte é uma história bem diferente. De Woody Allen a Catherine Deneuve, o meu amigo Eduardo Fernando Gomes Filho se encaixa no segundo grupo, e por isso é tão entusiasmante tê-lo por perto (mesmo que virtualmente). É do tipo de pessoa que me lembra que gostar tanto de cinema não é coisa tão louca. Pois a participação dele aqui no blog reflete justamente essa pluralidade que é realmente curtir de verdade a sétima arte: escolhendo três atrizes emblemáticas e de estilos de interpretação diferentes, o Eduardo, claro, destacou a sua predileção por desempenhos femininos, mas também fez uma seleção de filmes que são simplesmente indispensáveis. Ah, e não deixem de dar uma conferida no trabalho que ele faz como editor lá do Cine Eterno!

Faye Dunaway (Rede de Intrigas)
O longa de Sidney Lumet é quase que premonitório na questão de degradação constante da imprensa. Uma obra-prima completa no qual é difícil escolher um único atributo que torna Rede de Intrigas tão memorável. Num elenco estrelado, aquela que mais me marcou foi justamente Faye Dunaway, que faz a chefe de uma emissora em busca de audiência. Ela encarna com voracidade a síntese da argumentação, não cai no maniqueísmo tolo e apresenta camadas que tornam sua personagem Diane incrivelmente vasta. Em dado momento, inclusive, um personagem diz a ela “Você é a televisão encarnada Diane: indiferente ao sofrimento, insensível à alegria. Sua vida se resume a banalidade da vida”. O trabalho de Dunaway merece não só aplausos, como muitas discussões. É difícil ficar indiferente ao filme e sobretudo a sua personagem, até porque há muitas “Dianes” no nosso cotidiano.

Catherine Deneuve (Os Guarda-Chuvas do Amor)
Sou grande fã da maravilhosa Catherine Deneuve, musa do cinema francês. Já não bastasse sua beleza encantadora, ela se mostrou uma atriz poderosa desde seu primeiro trabalho. Em Os Guardas Chuvas do Amor, um filme todo musical do diretor Jacques Demy, há um teatralismo que torna o longa uma experimentação única: uma trágica ópera sobre o fatalismo do ato de amar. Cantada com maestria por Deneuve que consegue em um olhar nos desarmar, passar a sensação de plenitude ao mesmo tempo que desespero. É uma performance sensível e bela, com canções compostas por ninguém mesmo que Michel Legrand, cantadas na voz de Deneuve. Impossível não se apaixonar.

Dianne Wiest (Hannah e suas Irmãs)
Woody Allen é um diretor que sabe dirigir atrizes. Na vastidão de sua carreira, ele consagrou várias “divas”, e é difícil escolher a que mais me marcou, principalmente por carregá-las muito delas em mim. Porém, o trabalho de Dianne Wiest em Hannah e suas Irmãs, como a insegura Holy, é um dos trabalhos que mais me identifico. Wiest é uma atriz encantadora que sabe gerar empatia fazendo muito pouco, mas, com um roteiro afiado, ela abraça a personagem e a torna encantadora ao mesmo tempo que questionável. Holy é sonhadora, folgada, transloucada, insegura, humana. Gente como a gente. E é isso que torna sua personagem e sua atuação tão marcante pra mim. Inclusive, saudades de Dianne Wiest, que já denunciou a dificuldade de papeis desafiadores para atrizes mais velhas, uma injustiça gigantesca se tratando de uma atriz tão gabaritada assim.

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