Sully: O Herói do Rio Hudson

Everything is unprecedented until it happens for the first time.

sullyposter

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Todd Komarnicki, baseado no livro “Highest Duty: My Search for What Really Matters”, de Chesley ‘Sully’ Sullenberger e Jeffrey Zaslow

Elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Anna Gunn, Valerie Mahaffey, Delphi Harrington, Mike O’Malley, Jamey Sheridan, Holt McCallany, Katie Couric, Blake Jones, Molly Bernard

Sully, EUA, 2016, Drama, 95 minutos

Sinopse: 15 de janeiro de 2009. Logo após decolar do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, uma revoada de pássaros atinge as turbinas do avião pilotado por Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks). Com o avião seriamente danificado, Sully não vê outra alternativa senão fazer um pouso forçado em pleno rio Hudson. A iniciativa é bem sucedida, com todos os 150 passageiros a bordo sendo salvos. Tal situação logo transforma Sully em um grande herói nacional, o que não o isenta de enfrentar um rigoroso julgamento interno coordenado pela agência de regulação aérea nos Estados Unidos. (Adoro Cinema)

Faz parte das afirmações dolorosas de serem feitas, mas é impossível se esquivar: Clint Eastwood tem se tornado um cineasta cada vez mais irrelevante. Se, entre 2003 e 2006, os anos foram de ouro para o veterano diretor (Sobre Meninos e LobosMenina de OuroCartas Para Iwo Jima!), a situação só desandou dali em diante: apesar das atividades ininterruptas, sua carreira vem oscilando entre a inexpressividade (Invictus), o tédio (Além da Vida) e o mero patriotismo (Sniper Americano). O que parecia ser um caminho sem volta realmente se confirma com a estreia de Sully: O Herói do Rio Hudson, longa que, para piorar, reúne todos os aspectos negativos que pautaram a filmografia recente de Eastwood.

Os problemas cruciais de Sully começam ainda em sua concepção. Afinal, como expandir para quase 100 minutos a dramaturgia de um evento real que durou aproximadamente três minutos e meio? Além: onde está o conflito de uma trama centrada em um evento que, fadado a terminar em tragédia, acabou preservando a vida de mais de 150 pessoas? Dessa forma, o roteiro escrito por Todd Komarnicki faz de tudo para dar algum estofo dramático à jornada do protagonista, um piloto veterano que, ao confiar mais na sua experiência e nos seus sentidos humanos, reescreveu o destino ao pousar um grande avião no rio Hudson dos Estados Unidos para salvar seus tripulantes com sucesso. Só que a missão de problematizar esse feito heroico é falha, pois basta uma pequena perspectiva para perceber que não há nada a ser problematizado ali.

Tentando compensar a base dramática fragilíssima de Sully, erram tanto Kormanicki quanto Eastwood. O primeiro sobrecarrega o filme com firulas desnecessárias como os flashbacks da adolescência do protagonista que, aleatórios, não iluminam nada sobre o presente dele ou como os diferentes pontos de vista que o longa adota na hora de encenar seu grande evento (superficialmente, acompanhamos as histórias individuais de alguns passageiros antes de eles embarcarem no avião). Enquanto isso, o diretor frequentemente força a barra no tom dramático que dá aos eventos, indo de cenas dignas de novela quando perturba Sully (Tom Hanks) com falas de outros personagens que pipocam em sua mente ao conceito que aplica no comportamento da equipe de Segurança Aérea cuja única missão parece ser inexplicavelmente destruir a carreira do protagonista. 

Tom Hanks, um cara bacana até quando atua no piloto-automático, é o sujeito perfeito para um papel como o de Sully: homem correto e de carreira respeitável, o protagonista exalta o retrato do cidadão norte-americano íntegro que os Estados Unidos adoram ver nas telas. Em contramão, o filme subutiliza duas grandes atrizes, aqui escaladas para papeis rasteiros para seus respectivos talentos. A primeira é Laura Linney, que dispensa comentários, mas nada tem a fazer a não ser falar ao telefone com o marido sem nunca contracenar com ele. A segunda é Anna Gunn, a eterna Skyler White de Breaking Bad, reduzida ao papel unidimensional da única investigadora feminina do time que quer derrubar o heroico piloto. Fica a dúvida: por que selecionar intérpretes tão talentosas para papeis esquecíveis como esse? Talvez seja mais uma jogada para desviar a atenção do fato de que o que mais falta em Sully é uma história. Não foi dessa vez (de novo!), Clint Eastwood!

Um comentário em “Sully: O Herói do Rio Hudson

  1. Sem dúvida o filme é maravilhoso, eu adorei. É interessante ver um filme que está baseado em fatos reais, acho que são as melhores historias, porque não necessita da ficção para fazer uma boa produção. Gostei muito de Sully um grande filme de Tom Hanks não conhecia a história e realmente gostei. Super recomendo, o elenco é grande, muito bom trabalho.

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