Os vencedores do BAFTA 2017

violabafta

Não perca pontos no bolão: Viola Davis é aposta certa para o Oscar de atriz coadjuvante. Com o BAFTA, tanto ela quanto Emma Stone (La La Land) reforçam a ideia de que o jogo já está fechado para as mulheres.

Não dê bola para quem disser que o BAFTA foi distributivista ou bondoso demais em sua premiação de 2017 ao entregar prêmios para praticamente todos os grandes filmes da temporada. Há justiça e sentido em quase todas as escolhas dos votantes britânicos. Só vamos deixar de comentar os prêmios para Lion: Uma Jornada Para Casa porque ainda não conferimos o filme, mas fica a observação: a exemplo do ano passado, em 2017 temos novamente uma disputa de ator coadjuvante acirrada, onde os principais prêmios se dividem entre três dos concorrentes. Na pulverização do BAFTA, teve para todo mundo: Florence: Quem é Essa Mulher? (maquiagem e penteados), Animais Fantásticos e Onde Habitam (design de produção), A Chegada (som), Manchester à Beira-Mar (ator e roteiro original), e por aí vai… Alguma injustiça? Nenhuma. La Land: Cantando Estações pode mesmo ser o hit da temporada, mas há filmes igualmente relevantes e cheios de méritos na disputa, e o BAFTA fez questão de celebrá-los. Em um ano qualquer e abaixo da média, a situação poderia ser vista mesmo como uma certa covardia para agradar a todos. Não é o que acontece em 2017. 

É de se comemorar que os britânicos tenham retomado a lucidez que, em edições longínquas, sempre foi muito característica das estatuetas distribuídas por eles. Afinal, como não comemorar, por exemplo, a vitória do lindo Kubo e as Cordas Mágicas em animação? Ou do fato dos votantes terem colocado o pé no chão e percebido que La La Land é sim o grande espetáculo do ano (faturou filme, direção, atriz, fotografia e trilha sonora), mas que o seu roteiro original não é o melhor da temporada, concedendo a vitória para o texto impecável de Manchester à Beira-Mar? Mas também fiquemos atentos: com Denzel Washington fora da disputa, o caminho ficou fácil para Casey Affleck levar melhor ator, o que novamente lhe dá visibilidade em uma corrida que, desde o SAG, deixou seu nome sob à sombra do protagonista de Um Limite Entre Nós. Ainda é importante ressaltar que o BAFTA não elucida muita coisa sobre a categoria de filme estrangeiro, já que o prêmio foi parar com O Filho de Saul (o longa é da award season passada, mas só se qualificou para o prêmio este ano), deixando pendente a incógnita se Toni Erdmann é mesmo o franco favorito.

Por falar em qualificação para o BAFTA, a francesa Isabelle Huppert não pôde concorrer por Elle, pois o filme de Paul Verhoeven estreia no Reino Unido apenas em março. Mais uma vitória fácil a partir dessa configuração: em franca escalada de consagração, Emma Stone carimbou de vez o seu Oscar, e não há nada que Natalie Portman possa esperar nessa altura do campeonato. E não é apenas porque Emma virou o jogo e vem faturando tudo, mas sim porque Huppert resolveu embarcar no ritmo: praticamente estabelecida em Los Angeles, dá entrevista para todo e qualquer programa, estampa várias capas de revista, cria conta no Instagram e desmistifica a sua fama de blasé. Com a surpreendente vitória no Globo de Ouro, ainda está recebendo elogios em Berlim por sua performance em Barrage e, em breve, deve faturar o Independente Spirit Awards por sua performance em Elle. Não há dúvida: a atriz parece estar gostando muito, mas muito mesmo dessa viagem internacional que está fazendo às premiações norte-americanas com Elle. Obviamente que, por ser estrangeira, as chances de Huppert se reduzem, mas nunca duvidem do poder da Meryl Streep do continente europeu. Principalmente quando ela, ao contrário de Emmanuelle Riva, em Amor, vem fazendo de tudo para chegar lá. Não custa sonhar. Confira abaixo a lista de vencedores do BAFTA 2017:

MELHOR FILME: La La Land: Cantando Estações
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Dev Patel (Uma Jornada Para Casa)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Manchester à Beira-Mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Lion: Uma Jornada Para Casa
MELHOR FOTOGRAFIA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MONTAGEM: Até o Último Homem
MELHOR FIGURINO: Jackie

MELHOR TRILHA SONORA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Florence: Quem é Essa Mulher?

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Animais Fantásticos e Onde Habitam
MELHOR ANIMAÇÃO: Kubo e as Cordas Mágicas
MELHOR DOCUMENTÁRIO: A 13ª Emenda
MELHOR FILME BRITÂNICO: Eu, Daniel Blake
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Home

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: A Love Story
BAFTA RISING STAR: Tom Holland

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