Rapidamente: “Festa da Salsicha”, “Perfeita é a Mãe!”, “Pets” e “O Que Está Por Vir”

BAD MOMS

Tinha tudo para ser uma diversão perfeitamente esquecível, mas Perfeita é a Mãe! tem um elenco em plena sintonia e sabe ser divertidíssimo mesmo com as situações mais simples.

FESTA DA SALSICHA (Sausage Party, 2016, de Conrad Vernon e Greg Tiernan): Festa da Salsicha nasceu para causar controvérsias, e isso é excelente. Com uma proposta onde é fácil agradar um público ao mesmo tempo em que ofende outro, o filme não tem a intenção de ser democrático, o que lhe restringe a uma plateia muito específica. Sim, a comédia de Festa da Salsicha é cheia de palavrões e piadas sobre sexo. Cabe a você decidir se isso é bacana. Até porque estamos falando de uma animação. Particularmente, a piada me convenceu, e, dada a circunstância, me diverti horrores com o que a dupla Conrad Vernon e Greg Tiernan subverte com essa trama protagonizada por uma salsicha que, dentro de um supermercado, descobre a terrível verdade que todos os alimentos saem de lá para serem devorados, o que imediatamente causa pânico geral. Não é preciso dizer que os menores devem ficar longe de Festa da Salsicha, mas também é bom poupar os mais sensíveis da sessão, pois o filme não poupa na subversão quando encena decapitações e até mesmo uma morte a partir da mistura de Coca-Cola e Mentos! Visualmente criativo, o filme, apesar do aparente fiapo de história, consegue se sustentar muito bem a partir de uma infinidade de personagens curiosos. Das duas uma: ou o espectador despreza o que esta na tela ou se diverte à beça. E não tenho pruridos em dizer que me desarmei para viver a segunda experiência. Até porque Festa da Salsicha dá boas razões para isso.

PERFEITA É A MÃE! (Bad Moms, 2016, de Jon Lucas e Scott Moore): Render ótima diversão com um material simples é trabalho raro, e é por isso que Perfeita é a Mãe! se revela uma grata surpresa. Espécie de Meninas Malvadas versão maternal, a comédia dirigida pela dupla Jon Lucas e Scott Moore pegas temas cotidianos e exclusivamente femininos para, em meio a saídas fáceis, mas eficientes no humor, questionar, entre outros tópicos, o papel da mulher na sociedade. Toda mãe precisa ser perfeita? Mas, afinal, o que é ser perfeita? É abdicar qualquer respiro na rotina para atender todas as vontades dos filhos? Ou ser uma executiva exemplar e conseguir chegar em casa a tempo para fazer a janta e colocar as crianças na cama? Perfeita é a Mãe! brinca (muitas vezes de forma séria, como toda boa comédia) com essas questões que cada vez mais batem na porta de uma sociedade inegavelmente machista. O filme tem trilha pop, ritmo ágil, situações divertidas e principalmente um elenco que não veio para uma brincadeira qualquer: Mila Kunis está em um de seus desempenhos mais espontâneos, a sempre ótima Kathryn Hahn se esbalda com muito talento no papel papel mais chamativo da história, Kristen Bell acerta o ponto de uma personagem que vai da ingenuidade à libertação e Christina Applegate bem que poderia ser a mãe de Rachel McAdams no já citado Meninas Malvadas tamanho o veneno disfarçado por dinheiro, maquiagem e bons saltos altos. Vá sem medo porque a diversão é garantida.

PETS: A VIDA SECRETA DOS BICHOS (Pets, 2016, de Chris Renaud e Yarrow Cheney): Não tenho receio algum em dizer que é o tipo de animação que evito sem pensar duas vezes: aquelas que os estúdios produzem apenas para divertir as crianças. Basicamente o Toy Story dos animais de estimação (na verdade, não apenas deles, já que aparecem até jacarés e cascavéis nas ruas de Nova York!), Pets: A Vida Secreta dos bichos é exclusivamente dos pequenos no sentido de fazer de tudo para conquistá-los visualmente. No filme assinado pela dupla Chris Renaud e Yarrow Cheney, importa mais o coelho fofinho se revelar maquiavélico com mil caras e bocas do que propriamente desenvolver alguma história sobre ele. Tudo é pretexto para que gatos, cachorros, passarinhos e hamsters saiam pelas ruas se metendo em todo tipo de enrascada, mesmo que muitas delas sejam bastante exageradas, como os inúmeros acidentes de trânsito que os bichinhos causam quando estão na direção de caminhões (!!!). É sempre um mau sinal em termos criativos: enquanto as crianças certamente se divertem com a infinidade de animais, não é muito difícil que os adultos se sintam entediados com uma trama esquecível, onde o apelo visual se sobrepõe ao conteúdo já bastante frágil. A boa ideia – muitos filme infantis já foram irresistíveis ao falar sobre a relação dos animais com os seres humanos, a exemplo de Aristogatas, o meu clássico particular nesse sentido – é desperdiçada por esse projeto carente de uma verdadeira história.

O QUE ESTÁ POR VIR (L’avenir, 2016, de Mia Hansen-Løve): Como é de praxe na carreira da francesa Isabelle Huppert, 2016 foi mais um ano prolífero para atriz. Além de chegar aos cinemas brasileiros com Mais Forte Que Bombas, Fique ComigoO Vale do Amor e, claro, Elle, a atriz também teve boa repercussão no circuito alternativo com O Que Está Por Vir, assinado por Mia Hansen-Løve, outra profissional francesa. Provando novamente ser uma das grandes intérpretes do cinema mundial por transitar em qualquer tipo de papel, Huppert aqui é uma professora de filosofia que, após ser abandonada pelo marido que sai de casa para viver com outra mulher, precisa reconstruir toda uma vida dada como certa até então. Sem nunca se repetir (seria fácil qualquer tipo de comparação, já que sua Michèle LeBlanc, de Elle, até hoje está muito presente em nosso imaginário), Huppert registra as transformações dessa protagonista madura de forma muito sutil mesmo quando verte lágrimas ao sentar no ônibus e ver o ex-marido com a nova mulher. Os louros também devem ser dados – e de forma muito merecida – para a diretora, que jamais procura fazer da vida da personagem um dramalhão. O maior exemplo disso é a cena em que o marido anuncia a traição e o desejo de divórcio. Ali, não há escândalos, discussões, choros irrefreáveis ou vasos sendo quebrados. Ao mesmo tempo, sapos não são engolidos, provando que, mesmo não seja necessariamente marcante, O Que Está Por Vir é um filme de gente grande e que sabe encontrar um equilíbrio invejável entre o menos e o mais.

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