Baywatch: S.O.S Malibu

I’m oceanic, motherfucker!

Direção: Seth Gordon

Roteiro: Damian Shannon e Mark Swift, baseado em história de David Ronn, Jay Scherick, Robert Ben Garant e Thomas Lennon, e na série criada por Douglas Schwartz, Gregory J. Bonann e Michael Berk

Elenco: Dwayne Johnson, Zac Efron, Priyanka Chopra, Alexandra Daddario, Kelly Rohrbach, Ilfenesh Hadera,  Jon Bass, Yahya Abdul-Mateen II, Hannibal Buress, Rob Huebel, Amin Joseph, Jack Kesy

Baywatch, EUA, 2017, Comédia, 116 minutos

Sinopse: Mitch Buchannon (Dwayne Johnson) é um devoto salva-vidas, orgulhoso do seu trabalho. Enquanto está treinando o novo e exibido recruta Matt Brody (Zac Efron), os dois descobrem uma conspiração criminosa no local que pode ameaçar o futuro da baía. (Adoro Cinema)

Quer provocar polêmica em uma conversa sobre cinema? Então é só propor uma discussão sobre comédias para o assunto se tornar repleto de discordâncias e debates inconclusivos. Por ser algo muito particular, o humor é imediatamente decisivo na hora de julgar um filme do gênero. Ou vai dizer que é tarefa fácil desassociar o que você acha engraçado daquilo que uma comédia de pegada oposta propõe? Há, por exemplo, quem ache As Branquelas um guilty pleasure divertidíssimo enquanto meio mundo considera uma tremenda bobagem de mau gosto. Tem também que julgue um absurdo gostar de seriados como The OfficeExtras ou Getting On por eles rirem de coisas sérias como terceira idade, deficiência e homossexualidade, sendo que, na realidade, podem ser considerados até corajosos pelo humor politicamente incorreto. Já comédias como Baywatch: S.O.S. Malibu chegam ao cinema cercadas de preconceitos: afinal, será mesmo que algo de bom pode sair de um besteirol com homens que parecem praticar halterofilismo em seu maior grau, mulheres que desfilam na praia com maiôs cavadíssimos e brincadeiras envolvendo ereções, pelos pubianos e líquidos expelidos por cadáveres? A lógica da identificação com o humor se aplica aqui: quase nada é engraçado ou digno de reconhecimento em Baywatch se você não consegue rir do que está na tela, mas, na realidade, o problema se revela mais amplo, já que é muito tortuosa a forma com que o diretor Seth Gordon tenta construir alguma graça para o filme.

A crítica Isabela Boscov escreveu e dá perfeitamente para assinar embaixo: é preciso certo talento para fazer uma comédia ruim ao ponto de ela se tornar boa. Certamente não é o que acontece com Baywatch, que, no geral, é mesmo um besteirol, mas que frequentemente acredita envolver o espectador com uma trama de investigação quando, na verdade, ela é apenas desinteressante, ineficiente e enrolada. Ao invés de simplesmente deixar os personagens salva-vidas vivendo mil e uma besteiras na beira da praia, o filme prefere colocá-los como investigadores de um grande esquema de tráfico de drogas. Toda a função não é divertida, especialmente porque o roteiro escrito pela dupla Damian Shannon e Mark Swift falha em tirar graça da investigação e prefere despertar algum tipo de curiosidade no espectador, como se alguém estivesse realmente interessado por aquela situação. Com isso, Baywatch se vê obrigado a tirar humor de qualquer outro lugar, e é exatamente aí que o filme se mostra incrivelmente frágil. O problema não é ter piada envolvendo sexo, ereções e vômitos, mas sim a inserção aleatória de cada uma dessas piadas. Sem talento para criar uma história divertida de tão absurda, a dupla de roteiristas resolve espalhar tudo que é tipo de situação constrangedora no filme para formar alguma identidade cômica. O resultado é um desastre: além do longa não se assumir como uma baixaria assumida, sequer dá para dizer que ele debocha de si próprio ou se inspira na cafonice do seriado homônimo criado nos anos 1980 em que se baseia (e as participações rapidíssimas de Pamela Anderson e David Hasselhoff sequer imprimem alguma nostalgia, reforçando o espírito mal resolvido do filme).

Uma bela solução para comédias problemáticas como Baywatch pode ser a escolha de um elenco afiado e em plena sintonia para amortecer a situação. E não é errada a ideia de escalar Zac Efron para o papel do jovem gostoso, acéfalo e cheio de si, mas o ator há muito tempo deixou de ter qualquer carisma, preocupando-se apenas em ter braços cada vez mais estourados para aparecer descamisado em comédias que parecem todas iguais. Limitadíssimo, Zac não impressiona nem com atributos físicos (sua forma muscular já é desproporcional, quase ao ponto de deformá-lo e engessá-lo), abrindo espaço para que Dwayne Johnson, também interpretando a si mesmo como o brutamontes fitness de sempre, seja o responsável por dar leveza à história, muito pela brincadeira que seu personagem adota ao nunca chamar o Matt Brody de Zac Efron pelo nome, e sim por referências envolvendo sucessos teens como o próprio High School Musical estrelado por Efron. De resto, as meninas de decotes protuberantes fazem um esforço danado para completar qualquer frase, enquanto entre os coadjuvantes ainda há espaço para o gordinho cujas piadas envolvem apenas o tamanho de seu corpo e o fato de ele, um garoto que o roteiro trata escancaradamente como uma figura nada desejável frente aos corpos “esculturais” da praia, desejar a mulher mais linda da vizinhança – e é fácil deduzir como essa paixão aparentemente impossível irá se desenrolar. Após a onda de críticas negativas, Dwayne Johnson saiu na defensiva e disse que esse não é um filme para “críticos”. Pois bem, será, então, que o grande público soube apreciar devidamente a experiência? Não deixem de me contar.

 

Um comentário em “Baywatch: S.O.S Malibu

  1. Estes “besteirois” já perderam um pouco do prazo de validade. Entendo que existam filmes do tipo, mas acho que pesam na mão das piadas, chegando até ser muuuitos grosseiros. Acho que até estas comédias precisam avançar também e encontrar novas formas fáceis de fazer rir. E Baywatch perdeu a chance de fazer algo nostálgico por causa da série e tals, mas tipo, nada a ver este elenco aí.

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