Cinema e Argumento

Os vencedores do Emmy 2017

Ann Dowd com o seu primeiro Emmy: o prêmio não veio como convidada por The Leftovers, mas sim como coadjuvante por The Handmaid’s Tale.

Ao contrário do que se poderia esperar, a cerimônia do Emmy 2017 não trouxe maiores surpresas, consagrando The Handmaid’s TaleVeepBig Little Lies nas categorias de drama, comédia e minissérie, respectivamente. É curioso como a Academia se voltou para uma série mais de nicho como The Handmaid’s Tale em um ano repleto de programas marcados pelo sucesso com o público. Desmerecido? De forma alguma, já que a série da Hulu é a mais relevante dessa temporada, além, claro, de ser incrivelmente bem produzida, dirigida, escrita e atuada (e o prêmio de atriz coadjuvante para a sempre excelente Ann Dowd não poderia ser mais merecido!). No segmento das comédias, era inevitável mais uma consagração para Veep em tempos políticos tão conturbados. Minha maior ressalva mesmo fica entre as minisséries, e não é apenas porque não tenho boa relação com Big Little Lies: o Emmy realmente pesou a mão ao festejar a produção, conferindo estatuetas inegavelmente questionáveis, como direção para Jean-Marc Vallée, que nunca foi um cineasta particularmente criativo ou marcante, e ator coadjuvante para Alexander Skarsgård, reduzido a um personagem limitado tanto pelo texto quanto pela interpretação do próprio ator. É realmente de se lamentar que não tenham achado espaço para Feud: Bette and Joan, a recordista de indicações entre as minisséries. De qualquer forma, percebam uma lindíssima vitória: todos os programas celebrados nas principais categorias (drama, comédia, minissérie e telefilme) são centrados em figuras femininas. Confira abaixo a lista de vencedores nas principais categorias:

MELHOR SÉRIE DRAMAThe Handmaid’s Tale
MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Veep
MELHOR MINISSÉRIEBig Little Lies

MELHOR TELEFILMEBlack Mirror: San Junipero
MELHOR ATRIZ DRAMA: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Nicole Kidman (Big Little Lies)

MELHOR ATOR DRAMASterling K. Brown (This is Us)
MELHOR ATOR COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Riz Ahmed (The Night Of)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DRAMA: Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE COMÉDIA: Kate McKinnon (Saturday Night Live)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Laura Dern (Big Little Lies)
MELHOR ATOR COADJUVANTE DRAMA: John Lithgow (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE COMÉDIA: Alec Baldwin (Saturday Night Live)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Alexander Skarsgård (Big Little Lies)

Quem serão os vencedores do Emmy 2017?

Com exceções aqui ou ali, o Emmy é sempre uma loteria. Mesmo com aparentes favoritos, o radar para possíveis surpresas não deve ser desligado. Esse ano, em especial, a cerimônia promete dar uma guinada para esse lado, já que, depois de duas edições consecutivas, Game of Thrones não pode reinar, já que não exibiu seus novos episódios a tempo para concorrer ao Emmy. Com a ausência do fenômeno da HBO, três hits despontam na corrida pelo título de melhor série dramática: Stranger ThingsWestworldThis is Us. Elogiadíssima, a requintada e corajosa The Handmaid’s Tale também é uma possibilidade real, ainda que destoe de uma seleção dominada majoritariamente por grandes sucesso de público. Estaria o Emmy disposto a ignorá-los para abraçar uma série mais de nicho?

Entre as comédias, não há estreia que possa derrubar Veep, sempre tão atual em um conturbado momento político que não deixa de impulsionar o programa estrelado por Julia-Louis Dreyfus. Contudo, a disputa mais acirrada está mesmo entre as minisséries, onde Big Little Lies desponta na corrida ao mesmo tempo em que parece muito estranho a recordista de indicações Feud: Bette and Joan sair de mãos abanando. Vá saber também o que acontecerá na categoria de melhor atriz desse segmento, que promove uma batalha de gigantes de resultado praticamente imprevisível. Nela, assim como em várias outras categorias do Emmy, nenhuma aposta é maluca. Confira abaixo a nossa lista de palpites e não deixe de conferir a cerimônia, que será transmitida neste domingo, 17 de setembro, a partir das 21h, na TNT (o canal também fará cobertura do Tapete Vermelho a partir das 20h).

MELHOR SÉRIE DRAMA: Stranger Things / alt: The Handmaid’s Tale
MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Veep / alt: Atlanta
MELHOR MINISSÉRIE: Big Little Lies / alt: Feud: Bette and Joan
MELHOR TELEFILME: Black Mirror: San Junipero / alt: The Wizard of Lies
MELHOR ATRIZ DRAMA: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Allison Janney (Mom)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Jessica Lange (Feud: Bette and Joan) / alt: Carrie Coon (Fargo)

MELHOR ATOR DRAMA: Sterling K. Brown (This is Us) / alt: Anthony Hopkins (Westworld)
MELHOR ATOR COMÉDIA: Jeffrey Tambor (Transparent) / alt: Donald Glover (Atlanta)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Robert De Niro (The Wizard of Lies) / alt: Ewan McGregor (Fargo)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DRAMA: Ann Dowd (The Handmaid’s Tale) / alt: Chrissy Metz (This is Us)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE COMÉDIA: Anna Chlumsky (Veep) / alt: Judith Light (Transparent)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Laura Dern (Big Little Lies) / alt: Judy Davis (Feud: Bette and Joan)
MELHOR ATOR COADJUVANTE DRAMA: John Lithgow (The Crown) / alt: Ron Cephas Jones (This is Us)
MELHOR ATOR COADJUVANTE COMÉDIA: Alec Baldwin (Saturday Night Live) / alt: Louie Anderson (Baskets)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Alfred Molina (Feud: Bette and Joan) / alt: David Thewlis (Fargo)

Os vencedores do Oscar 2017

violaoscarfinalQuem considera engraçada a situação envolvendo a leitura errada do vencedor do Oscar de melhor filme certamente não compreende o quanto esse momento foi a coroação máxima da tragicidade da temporada de premiações de 2017. Em um ano que já havíamos comentado ser extremamente difícil do ponto de vista de discussões, onde cinéfilos fizeram da disputa uma arena onde filmes se digladiam como se tivessem nascido exatamente para isso, o equívoco só endossa o tom odioso das últimas semanas. Ver La La Land vencer para depois ter seu prêmio entregue para Moonlight foi algo lamentável de se ver – e o que dizer, então, de quem vivenciou isso. Todos saem perdendo: independente de preferências, imaginem a frustração de quem subiu ao palco, estava prestes a terminar o discurso de vitória e de repente recebe um cochicho no ouvido de que aquele prêmio não foi entregue corretamente. Igualmente chata – e isso já foi declarado por Mahershala Ali, vencedor como melhor ator coadjuvante por Moonlight – é a situação da equipe do filme de Barry Jenkins, que precisou subir ao palco para comemorar uma vitória diante da desgraça alheia de outra equipe. Ali, coberto de razão, diz que não se sentiu à vontade para celebrar qualquer coisa diante daquela confusão. 

O grande problema não está no erro em si, mas no tempo demorado para corrigir a situação. Afinal, se existe uma auditoria que, no backstage, tem em mãos o mesmo envelope que está sendo lido pelos apresentadores a fim de evitar qualquer tropeço, como demoraram tanto para barrar a vitória de La La Land, que, nesse meio tempo, se abraçou, subiu ao palco, pegou prêmio e ainda quase terminou um discurso? Houve também erro de Warren Beatty, que simplesmente não soube como agir quando percebeu que algo estava errado: qualquer vídeo que você assistir dá conta de mostrar o veterano visivelmente confuso com o resultado que tinha em mãos (ele ainda procura outro cartão dentro do envelope que esclarecesse sua dúvida), além de Faye Dunaway olhar para ele com uma expressão de preocupação e de Beatty entregar a bomba a ela para depois sussurrar “está escrito Emma Stone”. Mais grave ainda, no entanto, é o fato de nenhum representante do Oscar ter tomado frente da situação, deixando a ingrata missão para os próprios vencedores de La La Land. Nem a auditoria, que já se desculpou publicamente pelo ocorrido, sabe como o envelope de melhor atriz foi parar nas mãos de Beatty (dizem que ainda estão investigando), o que desmonta ainda mais a credibilidade do prêmio.

oscar17winners

Toda a situação é lastimável porque a vitória de Moonlight nunca será lembrada antes da gafe. O mico foi o verdadeiro marco da 89ª edição do Oscar. Por mais que ainda restem dúvidas sobre o quanto o Oscar realmente abraça a diversidade com sinceridade, um filme como o de Barry Jenkins merecia uma lembrança mais emblemática do que essa que está fadado a ter. Primeira história de cunho LGBT a ganhar o prêmio principal da Academia, Moonlight pode até ser um filme estruturalmente imperfeito (já comentei várias vezes sobre como o terceiro ato me decepciona profundamente), mas tem qualidades inegáveis e é uma obra incrivelmente catártica para os tempos que vivemos. Entretanto, quando digo que tenho minhas dúvidas sobre o quanto o Oscar realmente mudou é porque, em 2014, 12 Anos de Escravidão ganhou exatamente os mesmos prêmios de Moonlight – filme, roteiro adaptado e um de coadjuvante – para logo em seguida a vitória ser sucedida pelo ano do Oscar So White.

Mais do que isso: mesmo com a consagração do longa de Jenkins, o Oscar segue limitando os intérpretes negros a vitórias em categorias de coadjuvante e sem dar um prêmio de direção a um negro. Importante saber: o vencedor da categoria de melhor filme vem a partir de quem tem a melhor média de colocação no ranking de preferência que os votantes precisam fazer na hora de votar. Ou seja, de nada adianta La La Land ser o primeiro colocado em inúmeras listas se, em outras, aparece entre os últimos colocados. É mais benéfico para um filme, na categoria de melhor filme, estar em terceiro ou quatro lugar, mas de forma unânime na cédula da maioria dos votantes (eu próprio teria favorecido Moonlight, pois ele era o terceiro melhor na minha avaliação). Já o Oscar de de direção computa simplesmente quem recebeu mais votos. Ou seja, a vitória de Damien Chazelle por La La Land sugere mais sobre o Oscar do que estamos dispostos a admitir. A mudança poderia – e merecia – ser bem mais expressiva.

Em termos de distribuição de estatuetas, o Oscar preferiu seguir a tendência do BAFTA, que não deixou La La Land monopolizar os prêmios, fazendo suas escolhas de forma mais democrática. E, novamente, não podemos dizer que houve injustiças ali (até A Chegada foi lembrado)! É um saldo positivo, ainda que, particularmente, me entristeça Isabelle Huppert não ter vencido: poucas atrizes francesas tiveram uma trajetória tão promissora no Oscar por um filme tão atípico, o que, parando para pensar, já é por si só uma vitória tremenda. Jimmy Kimmel, que fez um bom trabalho como apresentador ao não ficar se enrolando em monólogos intermináveis e aparições infinitas, teve sacadas espertas e corajosas, como Twittar para Donald Trump em plena cerimônia e pedir para que Meryl Streep levantasse e recebesse o aplauso de uma plateia em pé, fazendo novamente uma clara provocação ao presidente estadunidense que, ao ser criticado por ela no Globo de Ouro, definiu a atriz como “superestimada”. Agora, um momento dessa cerimônia que precisa ficar mesmo marcado é a vitória de Viola Davis (merecida, por sinal), que fez um discurso emocionante e arrebatador sobre a honra que sente de fazer parte de uma profissão que tem o mágico dom de exumar corpos e dar protagonismo a histórias que, em vida, nunca foram contadas. Poucas vezes Viola esteve tão emocionada. E mal sabe ela que somos nós que recebemos o presente de vê-la consagrada. Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILMEMoonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALManchester à Beira-Mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Apartamento (Irã)
MELHOR ANIMAÇÃOZootopia – Essa Cidade é o Bicho
MELHOR DOCUMENTÁRIOO.J.: Made in America
MELHOR FOTOGRAFIALa La Land: Cantando Estações
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃOLa La Land: Cantando Estações
MELHOR FIGURINOAnimais Fantásticos e Onde Habitam
MELHOR MONTAGEMAté o Último Homem
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações
MELHOR MIXAGEM DE SOMAté o Último Homem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Chegada
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Esquadrão Suicida
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Sing
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIOThe White Helmets
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃOPiper: Descobrindo o Mundo

Apostas para o Oscar 2017

theoscars

Há quem pule Carnaval e há quem não perca por nada a entrega do Oscar. Como faço parte do segundo grupo, hoje vou estar sintonizado na TNT, a partir das 21h, para acompanhar a etapa final da temporada de premiações. A cerimônia, que será apresentada por Jimmy Kimell, começa de verdade somente às 22h30, mas antes já estarei na área com um novo live na página oficial do Cinema e Argumento no Facebook para comentar melhor as apostas elencadas aí embaixo. Lá no Twitter também faço meus comentários ao longo da cerimônia. Então, para quem for deixar as serpentinas de lado, fica o convite: vamos curtir todos juntos o Oscar 2017?

MELHOR FILMELa La Land: Cantando Estações / alt: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) / alt: Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) / alt: Isabelle Huppert (Elle)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós) / alt: Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALManchester à Beira-Mar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Moonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Lion: Uma Jornada Para Casa
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Apartamento (Irã) / alt: Toni Erdmann (Alemanha)
MELHOR ANIMAÇÃOZootopia – Essa Cidade é o Bicho / alt: Kubo e as Cordas Mágicas
MELHOR DOCUMENTÁRIOA 13ª Emenda / alt: O.J.: Made in America
MELHOR FOTOGRAFIAMoonlight: Sob a Luz do Luar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃOLa La Land: Cantando Estações / alt: Animais Fantásticos e Onde Habitam

MELHOR FIGURINOJackie / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MONTAGEMLa La Land: Cantando Estações / alt: Até o Último Homem
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações) / alt: “How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações / alt: Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR MIXAGEM DE SOMLa La Land: Cantando Estações / alt: Até o Último Homem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Até o Último Homem / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Star Trek: Sem Fronteiras / alt: Esquadrão Suicida
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo / alt: Doutor Estranho

Comentando os indicados e os favoritos ao Oscar 2017

lalalandmovieDesde o advento da internet, nunca houve um Oscar tão complicado de se acompanhar. E isso não tem nada a ver com La La Land: Cantando Estações ter monopolizado a disputa ou com as reações adversas que um filme instantaneamente desperta ao se tornar o grande favorito da temporada, mas sim com a completa intolerância de quem se propõe a discutir a temporada. Ou melhor: problematizá-la como se fosse uma missão de vida. É um pouco estranho pensar que a situação seja encarada dessa maneira visto que um salto histórico foi dado no sentido de representatividade. Algumas discussões são inegavelmente importantes, enquanto outras parecem apenas pretexto para procurar cabelo em ovo, especialmente quando o engajamento na discussão é mais pose do que reflexão genuína. Com pessoas metendo o bedelho em assuntos espinhosos só para polemizar, muitas vezes foi rompida a barreira do bom senso em relação a  diversos ideais.

Há quem considere errado gostar de La La Land por ele ser supostamente machista. Adorar Viola Davis também se revela uma opinião extremamente rasteira para certos espectadores, já que existem outras atrizes negras tão talentosas quanto ela que não recebem o mesmo reconhecimento. Já a possível vitória de O Apartamento é motivo de torcida como forma de protesto contra Donald Trump e não por méritos próprios ou como um claro reflexo de que a Academia tem dificuldades em premiar comédias como Toni Erdmann. E o que dizer de Amy Adams, cuja ausência por A Chegada não podemos lamentar já que foi Ruth Negga quem entrou de surpresa na disputa com Loving? Sobrou até para Lion porque um garoto pobre e de origem indiana não pode ser resgatado por uma família branca e rica porque isso é celebrar os chamados white saviors.

Entretanto, não me interpretem de maneira errada. O que quero dizer é que não há nada problema em levantar qualquer uma dessas questões (no cinema, como diz o crítico Luiz Carlos Merten, experiências são feitas de olhares particulares: se eu não enxergo uma coisa, isso não significa que tal coisa realmente não esteja lá) ou muito menos em elucidar problematizações que são realmente necessárias para os tempos efervescentes que vivemos no cinema. Só que o pessoal, especialmente nas redes sociais, pesa demais na discussão, impondo opiniões como verdades absolutas e não como ferramentas para um debate democrático. Para falar sobre cinema no Oscar 2017, você precisa amar ou odiar determinada coisa, defender ou recauchutar determinada posição. Até porque, dizem, se você se exime de entrar nesse jogo, você comete o pecado da omissão. Confesso que isso cansa bastante.

Tem sido um exercício complexo, onde frequentemente me indigno com quem parece ver filme só para postar polêmica na internet ao mesmo tempo em que procuro apurar o olhar, na medida do possível, de quem acha que representatividade não é algo assim tão importante. Mas foi difícil porque não existem discussões, e sim monólogos para ver quem tem mais razão ao final. Felizmente, não estamos mais em Esparta para ganhar discussões no grito, e, por isso, aos poucos fui procurando me distanciar do furacão que se tornou a temporada de prêmios. Não é diferente agora. Muito já falamos aqui no blog sobre o que determinadas indicações simbolizam em termos de representatividade (e isso inclui até a lembrança de Meryl Streep por Florence: Quem é Essa Mulher?, única intérprete que concorre por um papel de comédia esse ano) e sobre o quanto fatores exteriores às vezes precisam ser considerados na disputa, mas agora vou pendurar um pouco as chuteiras nesse assunto para falar sobre os filmes em si e sobre o quanto a gente vê merecimento em um ou outro dentro da tela. Vamos nessa?

moonlighpostoscar

O olhar comum

É o tipo de cinema que sempre me tocou e que poucas vezes o Oscar celebrou como agora: aquele sobre pessoas comuns como eu e você. Seja em musicais (La La Land), relatos históricos (Estrelas Além do Tempo), adaptações teatrais (Um Limite Entre Nós) e situações muitos próximos da realidade (Moonlight: Sob a Luz do Luar), a temporada se debruçou sobre sonhos, dores, esperanças e dúvidas identificáveis a todos nós. Não é nem loucura colocar Elle nesse balaio, já que sua protagonista é, em muitos aspectos, a representação da mulher madura, independente, bem sucedida e sexualmente ativa que o cinema norte-americano raramente retrata dessa maneira. Por isso, percebam como as pessoas de realidades distantes e em situações extraordinárias foram aos poucos perdendo os holofotes. É o caso de Jackie, antes tão bem cotado para dar um segundo Oscar para Natalie Portman e até para concorrer nas categorias principais. Seu destino foi ser finalista em dois segmentos técnicos e perder o favoritismo para a sua intérprete.

Os violinos do Titanic

Uma brincadeira da internet dá conta de que o musical La La Land é como o trio de músicos que tocam violino enquanto o Titanic afunda no filme de James Cameron. E que problema há no escapismo? Um filme, por não ser tão engajado socialmente ou politicamente quanto os outros, é inferior por causa disso? Na crítica de La La Land já havia falado sobre o preconceito contra a leveza de um romance, mas talvez seja mesmo necessário um filme como esse, que nos propõe a sair um pouco de um mundo que, a cada dia, noticia as coisas mais absurdas. A vida está pesada e não há mal nenhum em ir ao cinema para sonhar com realidades paralelas. É a homenagem de La La Land aos clássicos musicais de Hollywood e esse seu escapismo que despontam o filme de Damien Chazelle como franco favorito ao Oscar de melhor filme. Simplesmente não há disputa. Antes assinalado como uma alternativa, Moonlight se enfraqueceu na temporada ao perder o Screen Actors Guild Awards de melhor elenco, ficando apenas com o Globo de Ouro de melhor drama na bagagem. Caso vença, o filme de Barry Jenkins desafiará toda a matemática dos prêmios, o que só aconteceu de verdade com Crash – No Limite em 2006 (Spotlight foi um caso à parte ano passado).

Discussão de sobra entre as atrizes

Não houve categoria mais polêmica entre as atuações do que a de melhor atriz. Com a ausência de Amy Adams por A Chegada, caíram pesado em cima de Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?), que realmente não mereceu a indicação, mas se esqueceram que, considerando o histórico de todos os outros prêmios da temporada, quem entrou de última hora foi Ruth Negga, que não acho que faça nada de muito maravilhoso em Loving para estar aqui também. Com Natalie Portman (Jackie) já considerada uma carta fora do baralho, a disputa sobra para Emma Stone (La La Land) e Isabelle Huppert (Elle), com a primeira tendo larga vantagem por ter conquistado o BAFTA e o SAG (pouco conta o Globo de Ouro, já que ela só concorria com Meryl lá). Em contramão, não considerem a francesa uma impossibilidade, pois, além de ser um ícone do cinema europeu mundialmente adorado pela crítica e ainda em plena atividade, Huppert vem sendo celebrada mundo afora, algo que nunca aconteceu em sua carreira. Ela tem feito direitinho o tema de casa, concedendo entrevistas para todos os meios, participando de todos os prêmios e sendo fotografada por revistas importantíssimas. Ainda que o histórico dos prêmios trabalhe contra a sua vitória, em termos de Oscar, vale a velha lógica: quem é visto termina por ser lembrado.

caseypostoscar

E a vida pessoal?

Casey Affleck reacendeu a chama das discussões sobre até que ponto a vida pessoal de um ator deve interferir no julgamento de seu trabalho no cinema. Com acusações de assédio sexual, Affleck vem colhendo a antipatia de muita gente por essa situação, o que passa um pouco longe de mim: já que o filme está aí, prefiro julgá-lo exclusivamente por ele, e aí há de se reconhecer o quanto Affleck é sensacional em Manchester à Beira-Mar. A disputa é de igual para igual com Denzel Washington em Um Limite Entre Nós, já que ambos estão inspirados em seus respectivos filmes, mas apresentando estilos bem diferentes de interpretação. Também seria justo colocar no mesmo patamar o jovem Andrew Garfield, que tem em Até o Último Homem o momento mais expressivo de sua carreira até agora. No geral, o nível da categoria é excelente, onde somente Ryan Gosling concorre sem muitos méritos por La La Land. Para quem for participar de algum bolão, a disputa se divide entre Casey e Denzel, com uma pequena vantagem do primeiro considerando o número de prêmios conquistados na temporada.

Coadjuvantes pulverizados

Quer uma estatueta ainda mais disputada? Então dê uma olhada entre os atores coadjuvantes. Repetindo a situação do ano passado, a seleção desse ano se divide entre intérpretes que ganharam diferentes prêmios por seus desempenhos. Mahershala Ali vem com o SAG por Moonlight e Dev Patel com o BAFTA por Lion: Uma Jornada Para Casa. Nem o Globo de Ouro ajuda a desempatar a situação, já que o vencedor lá foi Aaron Taylor-Johnson, por Animais Noturnos, que sequer concorre ao Oscar. Nunca subestime o poder de um queridinho da Academia como Jeff Bridges, que tem sido celebrado pelo mesmo papel desde Coração Louco (e vale lembrar que, por essa lógica, Christoph Waltz ganhou um segundo Oscar de coadjuvante por Django Livre em um ano igualmente pulverizado). Agora, se os votantes realmente fossem espertos, uma consagração para Michael Shannon por Animais Noturnos não cairia nada mal dado a falta de favoritismo da categoria (e o fato de que, claro, o ator é sempre uma unanimidade, menos em coisas como Homem de Aço). O único que infelizmente tem suas chances zeradas é o jovem Lucas Hedges, o meu favorito entre os cinco e que é uma grande revelação em Manchester à Beira-Mar.

violaoscarpost

Do protagonismo às participações de luxo

Viola Davis bem que poderia estar concorrendo como protagonista por Um Limite Entre Nós e, mesmo que a aceite como coadjuvante no filme dirigido pelo colega Denzel Washington, é inegável o quanto sua nova classificação novamente suscita a discussão sobre a categoria de coadjuvante ser um reduto de protagonistas que ajustam sua campanha para ganhar um prêmio que não conquistariam entre as atrizes principais. Curiosamente, existe outro extremo: o de Michelle Williams, que, caso concorresse ao Emmy por Manchester à Beira-Mar, seria enquadrada na categoria de atriz convidada e não de coadjuvante. Nicole Kidman também tem papel bem pequeno em Lion, deixando apenas para Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo) e Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar) a representação fiel da categorização de coadjuvante em tempo de cena e relevância. Viola reina soberana como favorita e também como merecedora, mas bem que também poderia existir algum espaço para a Naomie Harris, não?

Categorias técnicas consagrarão La La Land?

La La Land já fez história ao se juntar aos clássicos Titanic A Malvada como recordista de indicações ao Oscar, mas, por outro lado, é bem provável que não leve para casa um número histórico de estatuetas (chutando por cima, deve sair com cerca de oito prêmios, a mesma quantia de Quem Quer Ser Um Milionário?, outro filme repleto de sonhos e otimismo em um ano de obras com grande cunho dramático). O que decide isso é como a Academia reagirá ao filme de Damien Chazelle em categorias técnicas, o que nos leva a considerar preferências históricas dos votantes. É bem possível, por exemplo, que Jackie fature melhor figurino, já que filmes contemporâneos raramente ganham essa estatueta. Mais provável ainda é que Até o Último Homem leve pelo menos um dos segmentos de som dado o favorável histórico de longas de guerra na categoria (Cartas de Iwo JimaA Hora Mais Escura são os exemplares mais recentes). Também não deixo de ter minhas dúvidas se a linda fotografia de Moonlight não é capaz de desbancar La La Land como forma de dar algum tipo extra de protagonismo ao filme de Barry Jenkins, que parece ter chances reais de consagração apenas em ator coadjuvante e roteiro adaptado. Aí é questão de dar sorte no bolão mesmo! As nossas apostas finais estarão por aqui no próximo post!

Os vencedores do BAFTA 2017

violabafta

Não perca pontos no bolão: Viola Davis é aposta certa para o Oscar de atriz coadjuvante. Com o BAFTA, tanto ela quanto Emma Stone (La La Land) reforçam a ideia de que o jogo já está fechado para as mulheres.

Não dê bola para quem disser que o BAFTA foi distributivista ou bondoso demais em sua premiação de 2017 ao entregar prêmios para praticamente todos os grandes filmes da temporada. Há justiça e sentido em quase todas as escolhas dos votantes britânicos. Só vamos deixar de comentar os prêmios para Lion: Uma Jornada Para Casa porque ainda não conferimos o filme, mas fica a observação: a exemplo do ano passado, em 2017 temos novamente uma disputa de ator coadjuvante acirrada, onde os principais prêmios se dividem entre três dos concorrentes. Na pulverização do BAFTA, teve para todo mundo: Florence: Quem é Essa Mulher? (maquiagem e penteados), Animais Fantásticos e Onde Habitam (design de produção), A Chegada (som), Manchester à Beira-Mar (ator e roteiro original), e por aí vai… Alguma injustiça? Nenhuma. La Land: Cantando Estações pode mesmo ser o hit da temporada, mas há filmes igualmente relevantes e cheios de méritos na disputa, e o BAFTA fez questão de celebrá-los. Em um ano qualquer e abaixo da média, a situação poderia ser vista mesmo como uma certa covardia para agradar a todos. Não é o que acontece em 2017. 

É de se comemorar que os britânicos tenham retomado a lucidez que, em edições longínquas, sempre foi muito característica das estatuetas distribuídas por eles. Afinal, como não comemorar, por exemplo, a vitória do lindo Kubo e as Cordas Mágicas em animação? Ou do fato dos votantes terem colocado o pé no chão e percebido que La La Land é sim o grande espetáculo do ano (faturou filme, direção, atriz, fotografia e trilha sonora), mas que o seu roteiro original não é o melhor da temporada, concedendo a vitória para o texto impecável de Manchester à Beira-Mar? Mas também fiquemos atentos: com Denzel Washington fora da disputa, o caminho ficou fácil para Casey Affleck levar melhor ator, o que novamente lhe dá visibilidade em uma corrida que, desde o SAG, deixou seu nome sob à sombra do protagonista de Um Limite Entre Nós. Ainda é importante ressaltar que o BAFTA não elucida muita coisa sobre a categoria de filme estrangeiro, já que o prêmio foi parar com O Filho de Saul (o longa é da award season passada, mas só se qualificou para o prêmio este ano), deixando pendente a incógnita se Toni Erdmann é mesmo o franco favorito.

Por falar em qualificação para o BAFTA, a francesa Isabelle Huppert não pôde concorrer por Elle, pois o filme de Paul Verhoeven estreia no Reino Unido apenas em março. Mais uma vitória fácil a partir dessa configuração: em franca escalada de consagração, Emma Stone carimbou de vez o seu Oscar, e não há nada que Natalie Portman possa esperar nessa altura do campeonato. E não é apenas porque Emma virou o jogo e vem faturando tudo, mas sim porque Huppert resolveu embarcar no ritmo: praticamente estabelecida em Los Angeles, dá entrevista para todo e qualquer programa, estampa várias capas de revista, cria conta no Instagram e desmistifica a sua fama de blasé. Com a surpreendente vitória no Globo de Ouro, ainda está recebendo elogios em Berlim por sua performance em Barrage e, em breve, deve faturar o Independente Spirit Awards por sua performance em Elle. Não há dúvida: a atriz parece estar gostando muito, mas muito mesmo dessa viagem internacional que está fazendo às premiações norte-americanas com Elle. Obviamente que, por ser estrangeira, as chances de Huppert se reduzem, mas nunca duvidem do poder da Meryl Streep do continente europeu. Principalmente quando ela, ao contrário de Emmanuelle Riva, em Amor, vem fazendo de tudo para chegar lá. Não custa sonhar. Confira abaixo a lista de vencedores do BAFTA 2017:

MELHOR FILME: La La Land: Cantando Estações
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Dev Patel (Uma Jornada Para Casa)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Manchester à Beira-Mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Lion: Uma Jornada Para Casa
MELHOR FOTOGRAFIA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MONTAGEM: Até o Último Homem
MELHOR FIGURINO: Jackie

MELHOR TRILHA SONORA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Florence: Quem é Essa Mulher?

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Animais Fantásticos e Onde Habitam
MELHOR ANIMAÇÃO: Kubo e as Cordas Mágicas
MELHOR DOCUMENTÁRIO: A 13ª Emenda
MELHOR FILME BRITÂNICO: Eu, Daniel Blake
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Home

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: A Love Story
BAFTA RISING STAR: Tom Holland

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2017

hfiguresguilds

Otimismo (além de diversidade, claro) é a palavra de ordem da temporada de premiações em 2017: com La La Land fora da disputa, Screen Actors Guild Awards premia o espirituoso Estrelas Além do Tempo na categoria de melhor elenco.

Se você estava cansado do marasmo de emoções dessa temporada de premiações, o Screen Actors Guild Awards veio para mexer um pouco com os nossos ânimos. Isso não se refere à vitória de Estrelas Além do Tempo (que, na realidade, vem apenas para enfraquecer Moonlight e engrandecer La La Land, provando que a temporada quer premiar histórias que prezam pelo otimismo), mas pela virada decisiva de Emma Stone como favorita ao Oscar de melhor atriz com o musical de Damien Chazelle. Há muito comentamos aqui no blog que um segundo Oscar para Natalie Portman seria improvável (atrizes sempre precisam provar mais competência do que atores – em carreira, papeis e desempenhos – para ganhar um prêmio novamente, o que não é o caso de Natalie, que, desde Cisne Negro, só vem fazendo coisas como Thor Sexo Sem Compromisso), e o SAG assinou embaixo: Emma Stone, estrela em ascensão da vez no filme mais querido da temporada, pode mesmo quebrar o jejum de 43 anos do Oscar sem premiar uma atriz principal de musical (a última foi Liza Minelli, por Cabaret).

Também é importante observar a vitória de Denzel Washington. O ator está mesmo ótimo em Um Limite Entre Nós e não tinha um SAG em casa até então. À parte a dívida, Denzel tinha como principal concorrente Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar), que vem encarado problemas com as acusações de assédio sexual que a grande imprensa insiste em não dar muita bola. É certo que, desde o ano passado, a premiação tem sido pioneira em abraçar como ninguém a diversidade, mas um possível terceiro Oscar para Denzel vai ao encontro do que já dissemos: é sempre mais fácil um homem ser celebrado novamente do que uma mulher. Daniel Day-Lewis, que nem tem carreira tão constante assim, que o diga! E, como o Oscar está sedento para apagar a sua fama de racista, não seria surpresa alguma ver o ator levando uma nova – e merecida – estatueta por seu desempenho. Ele e Affleck, cada um a sua maneira, são excelentes em seus respectivos filmes. O que vai pesar aqui é a influência de fatores exteriores. Mas, afinal, não é quase sempre assim quando o assunto é premiações de cinema? Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR ELENCOEstrelas Além do Tempo
MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATOR: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMA: Stranger Things
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIAOrange is the New Black
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: John Lithgow (The Crown)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: William H. Macy (Shameless)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Bryan Cranston (All the Way)

%d blogueiros gostam disto: