Cinema e Argumento

Vídeo da Semana

A canção não-original mais linda do ano, até agora, presente em um longa-metragem.

Sarah McLachlan interpreta Answer, presente no desfecho de Valente.

“I will be the answer, at the end of the line. I will be there for you, while you take the time. In the burning of uncertainty, I will be your solid ground. I will hold the balance, if you get knocked down. If it takes my whole life, I won’t break, I won’t bend. It will all be worth it, worth it in the end. ‘Cause I can only tell you what I know… That I need you in my life. And when the stars have all gone out, you’ll still burning so bright. Cast me gently, into morning, for the night has been unkind. Take me to a place so holy that I can wash this from my mind. The memory of choosing not to fight. If it takes my whole life, I won’t break, I won’t bend. It will all be worth it, worth it in the end. ‘Cause I can only tell you what I know… That I need you in my life. And when the stars have all gone out, you’ll still burning so bright. Cast me gently, into morning.”

Antes de Partir

We live, we die, and the wheels on the bus go round and round.


Direção: Rob Reiner

Elenco: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow, Rowena King

The Bucket List, EUA, 2007, Comédia, 95 minutos, 12 anos.

Sinopse: Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e, com isso, é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a “lista da bota”, algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela, Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.

Antes de Partir é apenas mais uma história sobre ”viva o agora pois a vida é curta”. A sessão acaba, poucos segundos depois você já nem lembra mais do filme e só vai voltar a pensar nele quando alguém o citar em uma conversa. Infelizmente, é esse o resultado do novo filme de Rob Reiner, que pouco tempo atrás era até mesmo cotado para o Oscar, em possíveis indicações para Jack Nicholson ou Morgan Freeman. O fato é que a produção se revelou como apenas um entretenimento leve e pouco inspirado.

No entanto, fiquei bastante contente ao ver que Antes de Partir não é descaradamente clichê e brega como eu estava esperando – tudo é muito contido, sem maiores lições de moral (que, apesar de estarem presentes no roteiro, não chegam nem a incomodar) e com humor agradável. Nem mesmo nas partes dramáticas a história se deixa levar por grandes pieguices, conseguindo obter um resultado bem efetivo. Claro que tudo não tem o menor impacto ou originalidade, mas ao menos conseguiu com que a temática fosse tratada de um bom jeito, tornando a curtíssima sessão de 95 minutos, no mínimo, simpática.

Deixando de lado o roteiro, que é o fator menos importante da produção, vamos ao que mais interessa: os desempenhos de Jack Nicholson e Morgan Freeman. Como era de se esperar, o filme é completamente deles, com cada um tendo seus bons momentos. Nicholson, que vem participando de poucos filmes recentemente (o último foi Os Infiltrados), está ótimo. O seu Edward Cole é uma mistura de Warren Schmidt de As Confissões de Schmidt e Harry Sanborn de Alguém Tem Que Ceder. O timing cômico do ator é perfeito, e o diretor Rob Reiner soube aproveitar isso muito bem, extraindo do ator excelentes momentos cômicos e dramáticos também.

Já para Morgan Freeman ficou o papel dramático e também o do narrador (aliás, ele leva jeito pra coisa, assim como demonstrou em Menina de Ouro), com o ator conseguindo outro ótimo trabalho e se mantendo no mesmo nível de excelência de Nicholson. No final das contas, Antes de Partir é inofensivo, não ofende ninguém e não machuca uma mosca. O jeito é assistir o filme de cabeça aberta, sem qualquer preconceito com esse tipo de história e deixar o senso crítico de lado. É o melhor jeito para se perdoar os erros e as obviedades de Antes de Partir. Destaque para a música de John Mayer, que toca nos créditos finais (“Say“) e que transmite toda a mensagem que o filme quer passar…

FILME: 7.0

3

Filmes em DVD

mary-poppins.jpg

Mary Poppins, de Robert Stevenson

Com Julie Andrews, Dick Van Dyke e David Tomlinson


Se Willy Wonka é o rei dos doces em A Fantástica Fábrica de Chocolate, Mary Poppins (Julie Andrews, ótima) é a rainha da diversão em Mary Poppins. A premissa desses dois filmes é praticamente a mesma. Mary Poppins é a babá mágica, que leva as crianças a lugares maravilhosos e inesquecíveis. Tudo isso permeado por músicas encantadoras e ótimas coreografias. O filme é tão puro que encanta completamente, nos lembrando da época em que a inocência era algo incrível de se ter. Para embarcar no clima de Mary Poppins é preciso voltar a ser criança e liberar toda a imaginação que existe. O único defeito é que o filme é longo demais para uma produção infantil, e dificilmente crianças menores conseguirão prestar atenção na história durante mais de duas horas Ganhou cinco Oscars, incluindo melhor atriz para Julie Andrews.

FILME: 8.0

the-deep-end.jpg

Até o Fim, de Scott McGehee e David Siegel

Com Tilda Swinton, Goran Visnjic e Jonathan Tucker


Mais um exemplar de filme de chantagem que não traz nada de novo ou mais interessante. Se existe um motivo para que esse filme seja assistido é a presença de Tilda Swinton, ótima como sempre. De resto, Até o Fim é bem morno, nunca conseguindo empolgar como produções desse estilo normalmente conseguem fazer com seus clichês. De certo os diretores levaram a história a sério demais e quiseram fazer uma produção correta. Pena que se excederam em seguir demais as regras e entregaram um filme completamente passageiro…

FILME: 6.5

o-abraco-partido.jpg

O Abraço Partido, de Daniel Burman

Com Daniel Hendler, Adriana Aizemberg e Sergio Boris


O cinema argentino sempre chamou a minha atenção por sua delicadeza e por seu humanismo ao tratar de relacionamentos. O Abraço Partido parecia ser mais um exemplar emocionante desse gênero ao tratar da história de um filho que está prestes a conhecer o pai que o abandonou quando ele ainda era criança. Mas a produção resolveu seguir um rumo diferente e apostar no humor e na irreverência, o que acaba por enganar o espectador que esperava ver justamente o contrário ao ler a sinopse. De qualquer forma, os personagens muito bem trabalhados conseguem segurar as rédeas da história que, ao menos, é simpática o suficiente para tornar o filme uma aceitável diversão.

FILME: 7.0

baby-jane.jpg

O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de Robert Aldrich

Com Bette Davis, Joan Crawford e Maidie Norman


A exemplo de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, esse filme estrelado por Bette Davis é longo demais, mas consegue manter o interesse o espectador durante toda a projeção. Bette Davis, por sinal, dá um show de interpretação como a dissimulada Baby Jane do título, em inesquecível desempenho que lhe rendeu sua décima indicação ao Oscar. Joan Crawford também não fica atrás, só que saiu prejudicada por seu personagem não ser tão interessante quanto o de Davis. O Que Terá Acontecido a Baby Jane? encanta mais pelas fabulosas interpretações do que pelo filme em si, mas mesmo assim consegue se tornar um marco na história do cinema preto-e-branco. Altamente recomendável.

FILME: 8.0

places-in-the-heart.jpg

Um Lugar No Coração, de Robert Benton

Com Sally Field, John Malkovich e Danny Glover


É muito difícil achar uma atriz que tenha dois Oscar em casa na mesma categoria. Sally Field é uma delas. Além de ganhar merecidamente pelo ótimo Norma Rae, ainda venceu por esse Um Lugar No Coração. Nesse trabalho sua vitória não tão merecida, mas mesmo assim ela realiza um bom trabalho. Na realidade, ela é um pouco prejudicada pela linearidade da produção, que não faz nada além de mostrar a história de uma mulher plantando algodão pra não perder a casa. Falta ritmo ao filme também, mas ele ainda tem um momento brilhante – a cena do tornado é fantástica – e bons coadjuvantes que ajudam Sally Field a sustentar a qualidade, em especial John Malkovich. Ainda tem pequena participação do lost Terry O’Quinn.

FILME: 7.5

evita.jpg

Evita, de Alan Parker

Com Madonna, Antonio Banderas e Jonathan Pryce


Pra começo de conversa já digo que Evita é o pior musical que já vi em toda minha vida – histriônico, exagerado, descontrolado e incrivelmente monótono. São mais de duas horas de incessantes canções (em nenhum momento do filme existe qualquer tipo de diálogo, tudo é cantado) em que nenhum momento empolgam, apenas ferem os ouvidos. Mas o maior erro do filme não é ser um musical, mas tratar de forma americana uma história tipicamente latina – a vida da famosa argentina Eva Duarte de Perón. Não posso dizer que o filme é totalmente ruim – ele é muito bem produzido, especialmente nos figurinos e na direçao de arte. Em algum momento ou outro, também gostei de algumas músicas. Mas, infelizmente, o resultado é péssimo, nada que o esforço em vão de Madonna e Antonio Banderas possa salvar.

FILME: 5.0

Vídeo da Semana

Depois da turbulência das férias e das premiações, volto agora com essa sessão que eu fazia antes. O primeiro vídeo da semana desse ano é com uma das vitórias mais justas e emocionantes do Oscar dos últimos tempos. Desde que Halle Berry ganhou sua estatueta por A Última Ceia, uma atriz não se emocionava tanto ao ser premiada. Notem também a reação de Cate Blanchett quando o nome de Marion Cotillard é anunciado.

Na Natureza Selvagem

I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… but to feel strong.

Direção: Sean Penn

Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, Hal Holbrook, Catherine Keener, William Hurt, Jena Malone, Kristen Stewart, Vince Vaughn

Into The Wild, EUA, 2007, Drama, 148 minutos, 12 anos.

Sinopse: Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca de liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

A solidão deve ser o tema mais interessante de se trabalhar em um filme dramático. Principalmente quando ela é intrigante e complexa. Entender as atitudes do personagem Christopher McCandless, o protagonista do novo longa de Sean Penn, ao se isolar da família e abandonar toda vida cheia de oportunidades que estava a sua espera é o principal de Na Natureza Selvagem. Trazendo alguns dilemas para o espectador, essa produção menor e que ficou em menor destaque nas premiações desse ano, consegue o feito de trabalhar a solidão sem cair em qualquer tipo de clichê.

Os méritos ficam por conta de dois apaixonados por esse projeto. O primeiro é o diretor Sean Penn, que se mostra maduro atrás das câmeras desde que estreiou nesse ramo com A Promessa. O segundo é o jovem ator Emile Hirsch (que chamou minha atenção em Heróis Imaginários), que entrou de cabeça no personagem, até mesmo se arriscando nas cenas mais perigosas onde negou a ajuda de um dublê. O restante do elenco também contribui bastante para o filme fluir com excelência. Hal Holbrook (em bom desempenho indicado ao Oscar), Kristen Stewart e Catherine Keener são os coadjuvantes que mais se destacam e só trazem pontos positivos para a trama. 

É exatamente por causa de tamanha sinceridade por parte do elenco e do diretor que Na Natureza Selvagem funciona, uma vez que fica evidente que o filme não é brilhante e muito menos cativante – tem poucos conflitos e não precisava de uma duração tão longa. As narrações em off são sempre bem-vindas, inclusive aqui. Por um outro lado, fiquei bastante indignado que um outro quesito do longa tenha sido completamente ignorado nas premiações – as belas composições de Eddie Vedder. Ok, elas são tantas que fica difícil escolher apenas uma. Mas, se ao menos Guaranteed fosse lembrada, já estaria de bom tamanho. Uma pena. Na Natureza Selvagem ficou aquém do que eu esperava (até porque havia criado expectativas demais), mas o resultado é satisfatório e não decepciona. É por Sean Penn e por Emile Hirsch que o filme deve ser conferido.

FILME: 8.0

Six Feet Underground

six-feet-underground.jpg

A internet gera frutos interessantíssimos. Depois de eu passar um bom tempo comentando na comunidade de Six Feet Under no Orkut, conheci o Márcio Ramos e a Bruna Canuto por lá. Depois de um tempo, resolvemos nos unir nessa paixão por esse grande seriado e criar um blog em sua homenagem. Com críticas dos episódios, especiais e posts sobre os atores do elenco, o Six Feet Underground existe faz um tempinho já, mas só hoje começa a trabalhar a todo vapor.

Clique aqui para acessar o blog.

Ligeiramente Grávidos

knocked-up.jpg

[de Judd Apatow. Com Katherine Heigl, Seth Rodgen e Leslie Mann]

Como todos sabem, sou um daqueles que detesta o humor de O Virgem de 40 Anos. A princípio, Ligeiramente Grávidos estava programado para ser uma continuação do filme estrelado por Steve Carell, mas ainda bem que não foi. Essa segunda comédia do diretor Judd Apatow (que acertou completamente na escolha do elenco, em especial a ótima Katherine Heigl, impulsionando sua saída da tv e sua entrada no cinema) tem um clima humorístico totalmente diferente do seu trabalho anterior. Tudo bem, é apenas mais um filme que lida sobre esse assunto tão trabalhado que é “se tornar pai quando responsabilidade e compromisso não existem”, mas ao menos Ligeiramente Grávidos consegue cumprir sua promessa sem escorregar nem exagerar, ainda que não precisasse de longos 130 minutos para desenvolver tudo. As piadas não são inteligentes ou muito menos cativantes, mas ao menos não precisam ficar sem integridade ou decência para causar graça (o que é o caso de O Virgem de 40 Anos). Conseguindo conduzir tudo com muita tranquilidade, o diretor Apatow consegue saldo positivo com essa produção que, apesar de totalmente esquecível, consegue ser ao menos simpático e enganar como uma engraçada diversão durante duas horas.

FILME: 7.0

3

%d blogueiros gostam disto: