Cinema e Argumento

A Família Savage

Direção: Tamara Jenkins

Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman, David Zayas.

The Savages, EUA, 2007, Comédia Dramática, 115 minutos, 12 anos.

Sinopse:Wendy (Laura Linney) e Jon Savage (Philip Seymour Hoffman) sempre buscaram escapar do jeito dominador de seu pai (Philip Bosco), sendo que agora lidam apenas com suas próprias vidas. Wendy trabalha como dramaturga no East Village e passa seus dias buscando doações, namorando o vizinho casado e roubando material de escritório. Já Jon trabalha como professor universitário em Buffalo, tendo escrito alguns livros sobre assuntos obscuros. Um dia eles recebem um telefonema que os informa que seu pai, Lenny, está aos poucos sendo consumido pela demência e que apenas eles podem ajudá-lo. Isto faz com que Jon e Wendy voltem a morar juntos, o que não ocorria desde a infância, com ambos tendo que lidar com as excentricidades do outro.

2 INDICAÇÕES AO OSCAR 2008:

Melhor Atriz (Laura Linney) e Melhor Roteiro Original.

Totalmente diferente do que o seu enganador trailer anuncia, “A Família Savage” é um filme denso e assustadoramente sério, como há muito não se via no cinema independente. A sintonia entre os quesitos cinematográficos nunca esteve em tanta harmonia numa produção desse estilo. Infelizmente não é um filme para se recomendar, pois é feito para um público totalmente restrito.”

Inúmeros fatores faziam com que eu pré-gostasse de A Família Savage antes mesmo de eu assistir. Não apenas a presença de Laura Linney, uma de minhas atrizes favoritas, mas os nomes de Alexander Payne e Jim Taylor na produção (os produtores do meu filme favorito – As Confissões de Schmidt). Além disso, a história sobre difíceis relacionamentos familiares, insatisfação pessoal, e a mistura de comédia e drama chamavam a minha atenção. Tentei não criar expectativas em cima do filme, e o mais engraçado de tudo é que fui completamente surpreendido por esse filme de Tamara Jenkins. Não, ele não é inovador, apenas escolhe um tom totalmente surpreendente para uma produção desse gênero. Tudo é incrivelmente real – é fácil se identificar com os conflitos emocionais dos personagens, a cidade gélida e nebulosa nos remete a um dia normal de nosso cotidiano e os diálogos são perfeitamente familiares. Mérito do roteiro que, apesar de lento e com falta de ritmo, extrai o melhor desse assunto tão saturado que é o mal relacionamento entre pais e filhos.

A Família Savage teve azar e acabou ficando entre aqueles filmes independentes que, apesar do sucesso relativo nas premiações, não alçam vôo. Absurdo foi ver que a estupenda Laura Linney só foi lembrada pelo Oscar, enquanto passou despercebida em outros prêmios. Já o roteiro e a interpretação de Philip Seymour Hoffman foram indicados em maior quantidade. Dá pra entender o porquê dessa difícil aceitação por parte da crítica em relação ao filme. Certamente não é fácil de digerir a história, mas acima de tudo o problema é que ela incomoda. Quase ninguém gosta de ver personagens imperfeitos, cheio de defeitos e problemáticos. Muito menos inseridos em situações mais tristes ainda. É necessário, de certa forma, força para assistir ao filme. É uma experiência “negativa” e ninguém vai sair da sala do cinema sorrindo com a terceira idade ou achando que a vida é a coisa mais feliz do mundo. A realidade está nua e crua em A Família Savage.

Os protagonistas são vividos por Laura Linney e Philip Seymour Hoffman, ambos estupendos atores dessa geração. Linney, indicada ao Oscar por seu desempenho, não está menos que impecável no melhor desempenho da carreira e o melhor do ano até agora. A atriz exprime de forma incisiva todas as angústias daquela mulher hipocondríaca e que tem caso com um homem mais velho e casado. Mais uma vez volta a provar que um dia ainda ganhará a cobiçada estatueta dourada. A presença de Hoffman já é inferior à de sua companheira de tela, mas mesmo assim ele também está excelente, afirmando todo o talento que demonstrou em Capote. Philip Bosco, como o pai enfermo, realiza trabalho linear para o personagem como o esperado.

A diretora e roteirista Tamara Jenkins não se preocupa em desmembrar maiores detalhes sobre a falta de relacionamento entre os irmãos nem em dissecar as dores que a esclerose em fim de vida de alguém pode causar, ela prefere trabalhar o perfil de cada personagem, e faz isso de forma contundente. Esse detalhismo de perfil atrapalha o andamento do longa, que se torna um pouco desgastado ao longo de suas quase duas horas de duração. Sem falar do clima pesado e dramático. No entanto, quem é fã desse estilo vai encontrar em A Família Savage um prato cheio. Para concluir, digo que não é uma produção recomendável; ela deve ser descoberta por aqueles que realmente se interessarem por ela. E principalmente por aqueles que aceitarem entrar de cabeça em uma história nada feliz. Eu aproveitei cada minuto e já o considero um dos melhores filmes do ano.

FILME: 8.5

4

Traídos Pelo Destino

Direção: Terry George

Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jennifer Connelly, Mira Sorvino, Elle Faning.

Reservation Road, EUA, 2007, Drama, 100 minutos, 14 anos.

Sinopse: Ethan (Joaquin Phoenix) e Grace Learner (Jennifer Connelly) estão voltando para casa com seus filhos, Josh (Sean Curley) e Emma (Elle Fanning). Antes de entrar no carro Josh pegou alguns vaga-lumes e os prendeu em um pote. Já durante a viagem de retorno ele pergunta à mãe se pode ficar com eles, com ela respondendo que seria melhor soltá-los pois caso contrário morreriam. A família faz uma parada durante a viagem, onde Josh aproveita para saltar do carro para soltar os vaga-lumes. Simultaneamente Dwight Arno (Mark Ruffalo), um advogado divorciado, está voltando para casa com seu filho, Lucas (Eddie Alderson), após assistirem ao vivo uma partida do Red Sox. Dwight perde a direção do carro por um instante e atropela Josh, sem parar para socorrê-lo. Ethan vê o carro e seu condutor em um relance, mas corre para socorrer o filho. O garoto morre, o que faz com que Ethan desenvolva uma obsessão em encontrar e punir o culpado. Como a polícia não consegue encontrá-lo Ethan decide procurar uma empresa de advogados, sendo encaminhado para ser auxiliado por Dwight.

“Apoiado completamente no elenco que possui, Traídos Pelo Desejo é um filme “clássico” sobre uma perda trágica – baseado em choros, silêncios e angústias. Ainda que não trabalhe essa temática de forma nada original ou mais instigante, consegue segurar as rédeas de forma competente, sem nunca se perder.”

A dor de uma perda é impossível de ser descrita com palavras. Mais dramática ainda é aquela dor relacionada a uma perda trágica onde existe um grande culpado. Esse assunto já rendeu inúmeros filmes no mundo de Hollywood, e é difícil achar algum cinéfilo de carteirinha que não goste de ao menos alguma produção com essa temática. Esse Traídos Pelo Desejo não traz nada de novo e se parece mais com aqueles filmes dramáticos que passam de madrugada na TV. O diferencial, no entanto, é o seu elenco – chamou a atenção por conta dos nomes poderosos e foi cotadíssimo para as premiações desse ano. Talvez por não ter satsifeito as expectativas é que foi ignorado e injustamente massacrado por público e crítica. Contudo, eu gostaria de fazer defesa ao filme; devo confessar que a originalidade dele é zero e que assisti mais do mesmo, mas ao menos a produção é realizada de forma competente e consegue manter um bom nível de dramaticidade para esse tipo de história.

Quando Dwight (Mark Ruffalo) provoca um trágico acidente envolvendo o filho de Josh (Joaquin) e Grace (Jennifer Connelly) na Reservation Road, ele foge do local sem dar assistência à família. A partir daí, acompanhamos paralelamente duas histórias. A primeira é a angústia de Dwight por não ter ajudado quando deveria e agora carregar um enorme peso de culpa nas costas, ao mesmo tempo em que tenta escapar de uma possível investigação policial. O personagem poderia cair no lugar-comum, mas é a intepretação de Mark Ruffalo (por sinal, é o terceiro filme consecutivo em que ele me agrada muito – os anteriores foram Conte Comigo e Zodíaco) que dá o tom perfeito para a dramaticidade de Dwight. O ator é o que mais se destaca, apresentando a melhor interpretação do elenco. A segunda história é a do casal que teve o filho envolvido no acidente. Tentado processar a dor de sua perda, eles procuram aceitar tudo e procurar o culpado pela desgraça para fazer com que ele pague por seu erro. Enquanto a mãe fica em casa lamentando (Jennifer Connelly tem ótimos momentos, apesar do espaço bem reduzido), o pai faz o trabalho que a polília não faz. Joaquin Phoenix está ótimo também, mas parece que lhe faltou um pouco mais de força como protagonista. Gostei bastante do elenco mirim, em especial a Elle Faning (que apareceu anteriormente em Babel), que mostra ser muito mais talentosa e carismática que sua irritante irmã Dakota. Só esperava mais de Mira Sorvino, praticamente uma figurante em cena.

O diretor Terry George, depois de Hotel Ruanda, continua mostrando bom domínio sobre histórias dramáticas e trágicas; seu primeiro filme me agradou justamente por causa desse tom. Apesar de ele conduzir Traídos Pelo Destino de forma limitada e clichê, ao menos não caiu na medíocridade emotiva que é freqüente em histórias como essa. O mesmo pode se dizer do roteiro, que ao menos não tenta se achar intelectual ou mais profundo – trabalha a banalidade de forma competente. O compositor Mark Isham demonstra novamente ter grande talento, produzindo uma ótima trilha sonora. A fotografia nebulosa também ajuda, traduzindo o caminho sombrio pela qual os personagens estão passando. Traídos Pelo Destino mereceu mesmo não ser indicado a nenhum prêmio, mas não é digno de fracasso ou críticas aterradoras. Claro que a estrutura convencional e o clima novelão atrapalha bastante, mas ao menos o filme fica no lugar comum e não traz mais uma bobagem para o hall dessas histórias em Hollywood. Daí vem aquela velha recomendação que faço constantemente: deixe o lado crítico de lado e aproveite.

FILME: 8.0

35

Memes

MEME anti-social
Você se considera um blogueiro anti-social?

Acho que não. Sempre visito os blogs de meus companheiros cinéfilos, e quando tenho algum comentário relevante ou quando já assisti o filme que está sendo discutido, deixo um comentário.

MEME da amizade (ordem aleatória)

1. Wally (Cine Vita)

O meu melhor amigo blogueiro-cinéfilo. Difícil discordarmos em alguma opinião, e sempre que isso ocorre, entendemos e respeitamos o ponto de vista do outro. Já sou visitante do Cine Vita faz bastante tempo, desde os tempos em que ele nem era hospedado no WordPress, e posso dizer com a maior certeza que é um dos melhores blogs em atividade. Sempre com textos instigantes e detalhistas, deixando bem claro o ponto de vista do autor e sua opinião em relação ao filme. Wally é um amigo de grande valia, e não só quando o assunto é cinema.

2. Gustavo (Fina Ironia)

Lembro até hoje quando recebi meu primeiro comentário de um blogueiro-cinéfilo no meu blog, e esse comentário foi do Gustavo, naquele distante ano de 2006, quando eu não tinha o minimo conhecimento cinematográfico no Cinema 2006. Certamente o Gustavo é uma das pessoas mais importantes nessa minha paixão pelo cinema, porque foi ele um dos principais incentivadores logo no início de minha adoração pelo mundo cinematográfico. O Fina Ironia é diferente em seus comentários, e com poucas palavras consegue traduzir de forma contundente e especial tudo o que o autor sentiu quando assistiu o filme.

3. Kamila (Cinéfila Por Natureza)

A lady mais importante entre as ladies do mundo dos blogs de cinema. Conheço a Kamila faz relativamente pouco tempo, mas já se tornou alguém muito especial. Ela tem um enorme conhecimento sobre cinema, e isso fica evidente quando visitamos o Cinéfila Por Natureza. Seus textos são ótimos e sinceros, analisando sempre de forma interessante os pontos do filme em questão. Vale lembrar que seu excelente gosto não se restringe apenas ao mundo cinematográfico, mas ao literário também.

4. Vinícius (Blog do Vinícius)

Vinícius foi um dos meus primeiros visitantes logo que entrei no grupo dos blogueiros, e sua hospitalidade foi preciosa. O Blog do Vinícius é o mais atualizado da rede, e com certeza um dos mais informativos. Vinícius é um grande amigo que sempre está cooperando com os demais blogs e sua presença é fundamental para o círculo de amizades que se formou entre os cinéfilos.

5. Alex (Cine Resenhas)

Alex foi quem me trouxe para o mundo dos blogueiros, logo quando inicei minha “carreira”. Por mais que nossa compatibilidade de gostos não seja tão grande, sempre temos ótimas conversas e dividimos nossa opinião de forma pacífica. O Cine Resenhas traz a opinião de Alex de forma clara e incisiva, trazendo uma enorme variedade de filmes. Amigo de longa data e indispensável.

6. Pedro (Tudo é Crítica)

Cronologicamente falando é meu amigo há séculos. Cinematograficamente, há pouco. Divide comigo certa rigidez perante aos filmes que assiste, uma característica que nos identifica. Uma palavra que define o Pedro é “dedicado” – sempre cooperando com os outros blogs e procurando ampliar o seu conhecimento de cinema. O Tudo é Crítica se diferencia por trazer críticas variadas, de filmes de diversas épocas e estilos, além de excelentes textos sobre assuntos variados.

7. Weiner (A Grande Arte)

Como ele mesmo disse na descrição do Meme dele, nossas opiniões são sempre muito parecidas. Identifico-me bastante com o estilo de escrever do Weiner e a cada visita ao seu blog, A Grande Arte, sinto que estou lendo um texto praticamente que de minha autoria. Só fui entrar em contato com o trabalho dele a pouco tempo, mas desde já seu blog já está dentre os meus favoritos. E com todos os méritos.

8. Rodrigo (Twentysomething)

Rodrigo é um de meus visitantes mais ativos, sempre com excelentes pontos de vista. Sempre bem humorado, é dono do Twentysomething, blog que conquista por não falar apenas de cinema, trabalhando também algumas atrações televisivas. Talvez seja o endereço que melhor mistura variedade de assuntos com grande qualidade de informação. Tudo graças ao talento de Rodrigo para expressar sua opinião com as palavras.

9. Gustavo (Império Cinéfilo II)

Outro blog que exprime suas opiniões de formas objetivas e interessantes. O Império Cinéfilo é comandado de forma excelente pelo Gustavo, que sempre produz ótimos textos.

10. Otávio (Hollywoodiano)

Blog que também prima pela variedade de assuntos e pela qualidade de seus textos. O Otávio sempre mantém o Hollywoodiano atualizado, instigando a leitura de seus visitantes.

Três Vezes Amor

Direção: Adam Brooks

Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Rachel Weisz, Isla Fisher, Derek Luke, Kevin Kline, Elizabeth Banks

Definitely, Maybe, EUA, 2008, Comédia Romântica, 115 minutos, 12 anos.

Sinopse:Em meio a seu divórcio, Will (Ryan Reynolds) se surpreende quando sua filha de dez anos, Maya (Abigail Breslin), começa a lhe fazer perguntas sobre como ele e a mãe dela se conheceram e se casaram. Assim, ele resolve narrar seu passado e seu envolvimento com três mulheres muito diferentes, sem dizer seus verdadeiros nomes à filha. No final, Maya precisa adivinhar com quem o pai finalmente se casou. Seria a mãe de Maya a namoradinha de faculdade Emily (Elizabeth Banks)? A grande amiga e confidente April (Isla Fisher)? Ou a ambiciosa jornalista Summer (Rachel Weisz)? Enquanto a menina junta as peças do misterioso romance do pai, ela começa a entender que o amor não é nada simples.

” O elenco talentoso é o único pretexto para que “Três Vezes Amor” seja assistido. Não chega nem a ser romântico ou divertido, pois se leva a sério demais, achando que é diferente e superior a qualquer outro filme desse gênero.”

Logo quando Maya (Abigail Preslin) aparece na tela, temos a impressão de que Três Vezes Amor vai divertir bastante. A personagem da atriz mirim, após uma aula de educação sexual, começa a fazer inúmeras perguntas para o pai – o que é um menáge a trois? Como alguém pode engravidar por engano? Ele, confuso, tenta fazer com que a filha esqueça desse assunto, mas seu esforço é nulo, uma vez que ela quer se aprofundar cada vez mais nos detalhes. Até que ela chega num ponto delicado: quer saber do pai como ele conheceu a sua mãe (da qual está se divorciando) e como tudo se sucedeu. Até então, Três Vezes Amor tem momentos bem descontraídos e divertidos, mas a partir da hora em que começa a narrar os casos amorosos do protagonista, o longa perde o tom e o ritmo, tornando-se uma experiência sem graça e até mesmo cansativa.

O filme de Adam Brooks não é conduzido de forma clichê, e muito menos de forma previsível, já que ficamos atentos para saber quem é a mãe da garotinha. No entanto, parece que o roteirista achou que a história é superior a qualquer outro filme do gênero. Por isso mesmo escorrega – tenta dar um tom de seriedade, anulando os típicos problemas de comédia romântica, mas acaba tirando justamente a principal graça que uma história desse estilo podia ter. O roteiro é vazio e nem um pouco sentimental; não torcemos por ninguém e nem vemos nada de interessante na história que o protagonista narra. Sem contar que tudo vai se desenvolvendo de forma lenta.

O que salva parcialmente Três Vezes Amor é o seu elenco. Não é nem a presença de Ryan Reynolds protagonizando o filme que chama a atenção, e sim as coadjuvantes. Aliás, literais coadjuvantes, pois todas tem espaço totalmente dividido em cena. Isla Fisher (aquela maluca namorada de Vince Vaughn em Penetras Bons de Bico) é a que apresenta melhor desempenho entre as possíveis mães da garota, mostrando que além de ser um rosto bonito, é cheia de talento e potencial. Rachel Weisz, em um de seus pouquíssimos papéis depois do Oscar de coadjuvante por O Jardineiro Fiel, é uma presença que ilumina a tela, mas seu papel não é muito atraente. Elizabeth Banks é a que menos tem espaço em cena, mas aproveita bem. Porém, é a angelical figura da pequena Abigail Breslin que mais se destaca. Por mais que seu papel tenha participação mínima na história, a atriz mirim arrasa em cada minuto de sua aparição. Abigail é a promessa que se realizou depois do grande sucesso de Pequena Miss Sunshine. Os filmes de que participa não são lá essas maravilhas, mas ela conquista a cada aparição, mostrando que ela era a verdadeira merecedora do Oscar de coadjuvante e não Jennifer Hudson, que até agora não mostrou ao que veio. Os atores se esforçam e tentam cobrir os defeitos da produção, mas não conseguem total êxito. Três Vezes Amor não é para os apaixonados nem para quem procura rir no cinema, é uma experiência neutra que é preferível ser conferida quando for lançada em DVD.

FILME: 6.0

25

Vídeo da Semana

Pouca gente tinha conhecimento da apresentadora Ellen DeGeneres quando ela foi convocada para apresentar o Oscar ano passado. O fato é que ela é uma ótima entrevistadora, e isso fica mais do que evidente nesse memorável momento com Meryl Streep, onde ambas arrasam e causam muitas risadas.

Filmes em DVD

Casa de Areia e Névoa, de Vadim Perelman (revisto)

Com Ben Kingsley, Jennifer Connelly e Shoreh Agdashloo

Drama intenso e até um pouco subestimado, que não teve a repercussão que merecia, apesar das três indicações ao Oscar (Ator para Kignsley, Atriz Coadjuvante para Shoreh e Trilha Sonora). Para um trabalho de iniciante, o resultado é sensacional, mostrando o talento de Vadim Perelman atrás das câmeras. Contudo, certamente as atuações são o ponto alto de Casa de Areia e Névoa. Jennifer Connelly, injustamente preterida nas premiações, está no melhor momento da sua carreira; a coadjuvante Shoreh Agdashloo surpreende em ótimo trabalho. Mas o show fica por conta de Ben Kingsley, marcante e intenso em papel memorável. O roteiro não ajuda tanto – um fiapo de história é trabalhado durante duas longas horas de duração, com temas dramaticamente pesados, tirando o ritmo da história. Mas toda a competência do filme cobre esses meros defeitos e consegue trazer para o espectador um excelente produto cinematográfico. Destaque também para a trilha de James Horner.

FILME: 8.0

Ratatouille, de Brad Bird (revisto)

Com as vozes de Patton Oswalt, Peter O’Toole e Ian Holm

Espetáculo visual que achei mais impressionante nas telas do cinema do que em casa. O ratinho Rémy continua me conquistando com toda sua simpatia, assim como todo o filme de Brad Bird. Dessa vez fiquei mais atento aos detalhes técnicos – a boa trilha de Michael Giacchino, a excelente montagem e os ótimos efeitos sonoros (que inclusive deveriam ter levado uma das estatuetas que O Ultimato Bourne ganhou). O roteiro é o ápice desse filme de Brad Bird – que anteriormente havia me decepcionado com Os Incríveis – que não é apenas um filme apenas para crianças, uma vez que os adultos também têm muito o que aprender com a história. Sem dúvida alguma Ratatouille mereceu o prêmio máximo do cinema de animação (e tantos outros que conquistou pelo caminho), pois fazia tempo que uma animação não se apresentava tão impecável como essa.

FILME: 8.5

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, de Pedro Almodóvar

Com Carmen Maura, Antonio Banderas e Julieta Serrano

De todos os filmes de Almodóvar que tive a oportunidade de assistir, esse é o mais sem graça. Por mais que eu odeie Má Educação, é uma película que tem personalidade e um propósito. Esse Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos nada mais é que uma brincadeirinha boba para causar algumas risadas. Com um roteiro raso e pouco insipirado, o filme nunca empolga (com excessão dos momentos finais) e toda a excelência do filme se deve ao espetacular desempenho de Carmen Maura, impecável como a ótima protagonista. Os coadjuvantes também são muito bons e auxiliam a produção a ter um bom andamento. Relativamente curta, a história tem seus bons momentos, mas eu achei que tudo ficou muito aquém para os padrões de Almodóvar. Recebeu uma estranha indicação ao Oscar de melhor Filme Estrangeiro, mas não levou a estatueta.

FILME: 7.0

Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino

Com Steve Buscemi, Harvey Keitel e Michael Madsen

O filme menos badalado do genial Quentin Tarantino. Talvez por ter sido com ele que o diretor se lançou no cinema (só viria a ter maior repercussão com Pulp Fiction – Tempo de Violência). Porém, nota-se na estrutura e no roteiro de Cães de Aluguel tudo o que o diretor estava prestes a nos apresentar em seus filmes seguintes. Aqui tempos um filme policial tenso e intrigante, que atiça a curiosidade do espectador até o último minuto de projeção. Com a ajuda de um excelente elenco (Harvey Keitel e principalmente Steve Buscemi estão ótimos), tudo se desenvolve de forma clara, trazendo o filme mais objetivo de Tarantino. Por mais que não seja especialmente original ou sequer espetacular, Cães de Aluguel é um excelente filme do gênero que merece ser conferido.

FILME: 8.0

High School Musical, de Kenny Ortega

Com Zac Efron, Vanessa Hudgens e Ashley Tisdale

Nem com a maior boa vontade do mundo consegui ao menos me divertir com esse High School Musical. Nem tentando ignorar os clichês e a previsibilidade. O musical acaba sendo um produto da falta de originalidade de Hollywood, que ainda insiste nessas histórias colegiais enjoativas. Funcionaria muito melhor se tivesse sido feito na década passada – mas mesmo assim alcançou inexplicável sucesso entre as garotas adolescentes. As canções pobres e toscas só ferem os ouvidos e até ofendem o gênero, tamanha a inutilidade delas. O astro teen Zac Efron irrita com seu visual típico de adolescente americano e Vanessa Hudgens não convence como garotinha inocente. Os vilões, por exemplo, são um acerto muito maior. Porém, High School Musical funciona para aqueles dias de inverno em que nos gripamos e ficamos em casa, onde qualquer porcaria da Sessão da Tarde é uma opção assistível quando não se tem mais nada para ver.

FILME: 5.0

Duro de Matar 4, de Len Wiseman

Com Bruce Willis, Justin Long e Jeffrey Wright

Nunca assisti a nenhum filme da série Duro de Matar, mas tentei entar no clima desse. No entanto, achei que a confusa história não convence tanto quanto deveria e o roteirista não se deu conta disso. A ação é completamente absurda mas competente e cumpre muito bem o seu papel no filme, empolgando nos momentos certos, em fusão com ótimos efeitos especiais. Bruce Willis ainda está ótimo e em plena forma para interpretar o personagem. Duro de Matar 4 deve satisfazer os fãs da série, mas não consegui entrar muito clima. O filme é extremamente longo para o gênero (130 minutos) e não empolga quando deixa de mostrar correrias e explosões. Porém, não posso deixar de negar que é um filme muito bem acabado e um excelente retorno de Bruce Willis.

FILME: 6.0

Segredos Na Noite, de Patrick Stettner

Com Robin Williams, Toni Collette e Rory Culkin

Suspense dramático (tendendo muito mais para o drama, apesar dos toques nebulosos e obscuros da fotografia) que lembra bastante a premissa de filmes como Os Esquecidos e Plano de Vôo – onde o protagonista tem de provar que determinada criança existe e que ela não é fruto de sua imaginação. Tudo muito bem pontuado pelos desempenhos de Robin Williams (em ótima presença como há tempos não se via) e Toni Collette (aproveitando muito bem o limitado espaço que lhe é proporcionado). Bem diferente do que eu imaginava por tratar de abuso sexual, doença terminal, homossexualidade e deficiência visual – temas incomuns para o gênero – Segredos Na Noite só não causa maior impacto por causa da falta de intensidade no seu roteiro, especialmente no interessante desfecho que seria melhor se tivesse uma dimensão psicológica maior. Mas mesmo assim é um bom filme que até merece uma conferida.

FILME: 7.5

Vídeo da Semana

A melhor música da primeira temporada de Brothers & Sisters, que toca no episódio 3 – Affairs Of State. A canção é Easier To Lie, de Aqualung.

%d blogueiros gostam disto: