Cinema e Argumento

Melhores de 2007 – Roteiro Original

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Melhor Roteiro Original

Ratatouille, por Brad Bird.

Nunca pensei que um desenho animado venceria essa importante categoria na minha “premiação”. Nada mais do que merecido, pois não existe recompensa mais original do que Ratatouille nesse ano. Incrivelmente adorável, único e divertido, conseguiu criar um enorme charme com sua história e acabou me conquistando completamente. Eu não esperava muita coisa dessa nova animação de Brad Bird, porque o diretor havia me decepcionado profundamente com seu trabalho anterior: Os Incríveis, mas a história do sonhado ratinho Remy caiu no meu gosto. Reconstituindo a cidade de Paris de forma encantadora, ainda tem personagens muito humanos e divertidos (em especial o crítico negativo chamado Anton Ego, dublado brilhantemente por Peter O’Toole). A trilha é de Michael Giacchino e ainda traz uma simpática canção: Le Festin, interpretada por Camille. Quanto mais falo de Ratatouille mais me dá vontade de revê-lo, de admirar seus brilhantismos. Faz muito tempo que um desenho me causou algo parecido. Independente disso, no final das contas, é sem dúvida o melhor roteiro original desse ano.

OUTROS INDICADOS:

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A Rainha, por Peter Morgan. Falar de uma complicada semana política que afetou profundamente a monarquia inglesa não é tarefa das mais fáceis para um roteirista. Ainda bem que o ótimo Peter Morgan conseguiu criar um roteiro na medida para o filme de Stephen Frears – trabalhando questões políticas deixando que o espectador tire suas próprias conclusões, mostrando os bastidores da realeza e acima de tudo a humaninade por trás de uma mulher soberana. Ainda que não seja genial ou empolgante, o roteiro é muito bem arquitetado e instigante, com uma interessante narrativa documental que só melhora a cada minuto que passa.

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Babel, por Guillermo Arriaga. Assim que o filme fracassou no Oscar, o diretor Alejandro González-Iñárritu desfez a parceria com o roteirista Guillermo Arriaga, que havia roteirizado os filmes anteriores do diretor (Amores Brutos e Sobre Meninos e Lobos). Não entendi o porquê dessa atitude, uma vez que o roteiro de Babel é ótimo. Por mais que lembre muito outros filmes e sua estrutura não chegue a ser muito original, consegue trabalhar suas tramas paralelas sem problemas, nunca deixando nada tedioso ou confuso. Em diversos momentos é instigante e faz pensar, tornando o filme um entretenimento cabeça. Confesso que não sou fã do filme, mas o roteiro merece destaque nos melhores do ano.

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O Último Rei da Escócia, por Peter Morgan. Acho que somente eu adorei muito esse filme. Fiquei completamente envolvido pela temática política que se mistura com tensão e nervosismo de forma única. O roteiro quase não tem problemas é muito bem conduzido pelo brilhante Peter Morgan, que acabou sendo mais reconhido por seu trabalho em A Rainha e foi preterido por esse, que é igualmente bom. Utilizando um pouco de cada coisa (o talento dos atores, os conflitos ideológicos, o drama, o suspense), Morgan acabou formulando um dos melhores roteiros do ano. As duas horas de projeção passam ligeirinho e o resultado é ótimo. Heresia de quem diz que o filme é totalmente de Forest Whitaker.

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Mais Estranho Que a Ficção, por Zach Helm. Esse roteiro é uma das mais gratas surpresas do ano, e Zach Helm foi considerado até mesmo o novo “Charlie Kaufman”. Não é para tanto, mas devo admitir que fui entretido durante cada minuto por esse roteiro que conseguiu trazer ao exagerado Will Ferrel a melhor interpretação de toda a sua fraca carreira. Com várias partes geniais, outras divertidas e algumas até mesmo dramáticas, o maior êxito de Mais Estranho Que a Ficção é a genial história criada por Helm. Só não gosto do final, que não coincide com todo o ótimo trabalho do roteiro. Não que seja ruim, mas poderia ser mais original e menos previsível. Mas mesmo assim não decepciona.

Melhores de 2007 – Elenco

Melhor Elenco

– Bobby –

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Bobby. Se os atores do filme de Emilio Estevez têm tempo limitado em cena para brilhar, ao menos eles conseguem deixar uma enorme impressão pelo conjuto, e não individualmente. A variedade de atores é imensa – desde “musas” (Sharon Stone e Demi Moore) e veteranos (Anthony Hopkins) até talentos promissores (Freddy Rodriguez). São eles que formam a base de filme que se apóia totalmente nas atuações, até porque o roteiro é bem comum e sem maiores atrativos. Os destaques vão para Freddy Rodriguez, Sharon Stone e  Helen Hunt, os que têm mais presença dramática na trama. São por eles que o espectador deve perdoar a banalidade de Bobby, e aproveitar seus ótimos momentos.

OUTROS INDICADOS:

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Pecados Íntimos. Além do soberbo roteiro, fomos presenteados por um show do elenco no segundo filme de Todd Field. Não apenas a brilhante Kate Winslet está excelente, mas Patrick Wilson e Jackie Earle Haley também. O primeiro, até então limitado, surpreende. O segundo, assusta e causa impacto.

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O Ultimato Bourne. Dificilmente um filme de ação consegue criar personagens tão verossímeis. Felizmente é o caso de O Ultimato Bourne, que constrói personagens muito verdadeiros. Seja Matt Damon, a ótima Joan Allen ou o novato na série David Strathairn (que por sinal foi uma acertada e brilhante aquisição).

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Babel. Os “famosos” do elenco ficaram de pano de fundo para duas grandes interpretações de atrizes desconhecidas: Rinko Kikuchi e Adriana Barraza. Cate Blanchett, Gael García Bernal e especialmente Brad Pitt também estão ótimos, mas são as duas que dão o verdadeiro show. Um elenco impecável para um excelente filme.

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Hairspray – Em Busca da Fama. Como disse em minha crítica, o elenco do filme é o maior destaque de tudo. Todos completamente carismáticos e no ritmo nostálgico do filme, sejam os estreantes ou os veteranos. Conseguem divertir na medida exata e tornam o musical ainda mais prazeroso.

Melhores de 2007 – Trilha Sonora

Melhor Trilha Sonora

– Alexandre Desplat, por A Rainha

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Alexandre Desplat, por A Rainha. A maioria considera o trabalho de Desplat em O Despertar de Uma Paixão melhor do que em A Rainha. Mas toda vez que eu coloco o cd da trilha pra rodar e sou contemplado pela faixa-título “The Queen” fico cada vez mais impressionado com o grande trabalho do compositor. Ainda que a maioria das músicas sejam uma variação delas mesmas entre si, cada uma tem seu estilo único, encantando com seu minimalismo. Merecia ter sido premiado no Oscar, onde a razoável trilha de Babel venceu essa trilha e outra igualmente boa – Notas Sobre Um Escândalo, de Philip Glass, meu compositor favorito. Quem sabe Desplat não vence esse ano com sua trilha em A Bússola de Ouro?

OUTROS INDICADOS:

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Nicholas Hooper, por Harry Potter e a Ordem da Fênix. Depois do fraco trabalho anterior, a trilha da série conseguiu se reestabelecer com a espetacular trilha de Hooper, que só não é a melhor do ano por causa de Alexandre Desplat e Philip Glass, que realizaram trabalhos melhores. Um trabalho marcante para série do bruxo.

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Alexandre Desplat, por O Despertar de Uma Paixão. Outra coletânea brilhante do compositor, que só não teve maior destaque entre os críticos porque o filme não caiu nas graças dos especializados. Mas de forma alguma deve-se desprezar essa tocante trilha, que apesar de funcionar melhor fora do filme, é ótima de qualquer maneira.

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Philip Glass, por Notas Sobre Um Escândalo. Além de ser meu compositor favorito, Glass consegue ser mutante.  Transmitiu todo o suspense da trama de Notas Sobre Um Escândalo em uma trilha nervosa e intensa. Também merece destaque por seu excelente trabalho em Sem Reservas.

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Gustavo Santaolalla, por Babel. Não é alguém cujo trabalho me encanta, mas é suficientemente competente para entrar na lista. O Oscar foi um exagero, mas a função das composições é imensa. Encaixando-se perfeitamente com o filme, não é o maior momento da carreira dele, mas mesmo assim confirma seu talento.

Melhores de 2007 – Figurino

– Maria Antonieta –

figurino.jpgMaria Antonieta. Outro prêmio mais do que merecido para o perfeito trabalho técnico do filme de Sofia Coppola. Foi o único quesito que acabou sendo lembrado pelo Oscar, e merecidamente consagrado com a estaueta dourada. Os figurinos poderiam ser extremamente previsíveis como normalmente são em filme como esses, mas Milena Canonero conseguiu impressionar e inovar em seu trabalho com as grandiosas e minimalistas roupagens de cada personagem. Os figurinos impecáveis também devem ser considerados como um dos melhores trabalhos nessa categoria dessa última década, se unindo a outros impressionantes como Moulin Rouge.

OUTROS INDICADOS:

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Piaf – Um Hino Ao Amor. Heresia de quem diz que Piaf não tem outro ótimo aspecto além de Marion Cotillard. Claro que o filme é completamente dela, mas não devemos desmerecer o trabalho técnico, especialmente os bem cuidados figurinos, que se encaixaram perfeitamente no clima francês de época do filme.

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A Rainha. Os figurinos são bem simples, mas conseguem encantar exatamente por isso. Nada de exageros estéticos ou grandiosidades, tudo na medida exata para representar as roupas da realeza inglesa na semana da morte da princesa Diana. O trabalho não é memorável, sem dúvida, mas merece destaque.

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Hairspray – Em Busca da Fama. Outra produção em que os figurinos conquistam pela simplicidade. A encantadora época dos anos 60 encantou pelas roupas de cada personagem. Seja no excentrismo de Edna (John Travolta), no jeito clássico de Velma (Michelle Pfeiffer) ou no exagero de Maybelle (Queen Latifah).

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Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho. A dedicação estética da equipe de Dreamgirls foi imensa. Assim como a direção de arte, os figurinos também impressionam por suas nuances brilhantes e coloridas, encaixando-se perfeitamente no perfil das Dreamettes. Só não é o melhor do ano por causa de Maria Antonieta.

Melhores de 2007 – Montagem

Melhor Montagem

– Babel –

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Babel. Em um filme como Babel, onde várias histórias paralelas são contadas ao mesmo tempo, uma boa montagem é essencial para um desenvolvimento claro das tramas. Felizmente, a edição do filme de Alejandro González Iñárritu foi incrivelmente bem-sucedida, com tomadas simplesmente brilhantes; todas as histórias se intercalam com grande êxito, onde a narrativa nunca perde o ritmo entre elas. Apesar de ter grandes concorrentes esse ano, como O Ultimato Bourne e Diamante de Sangue, Babel se sobressai. Se o filme já não é tão brilhante, ao menos consegue conquistar nessa categoria e também na madura direção.

OUTROS INDICADOS:

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Diamante de Sangue. O setor técnico desse filme de Edward Zwick é ótimo; tanto que recebeu 3 respeitáveis indicações ao Oscar. De todo o conjunto, o que eu mais aprecio, acima de tudo, é a ágil edição, que caiu como uma luva para essa movimentada história repleta de ação, correrias, explosões e tiroteiros.

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O Ultimato Bourne. Os filmes de ação sempre tem a sua edição favorecida por causa de seu gênero. Mas não é apenas por causa disso que a montagem de Ultimato é uma das melhores do ano. Em sintonia com a excelente direção de Greengrass, tornou o último capítulo da saga de Burne o melhor deles.

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Cartas de Iwo Jima.  Repleto de tomadas brilhantemente dirigidas, as cenas se intercalam com uma correta, porém competente montagem, que consegue se destacar nas melhores do ano, ainda que fique nas mais fracas. O filme de Eastwood não funciona tanto como um drama, mas é brilhante em seu lado técnico.

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Ratatouille. Por falta de um concorrente mais forte (até porque não vi vários filmes desse ano), Ratatouille entra nessa lista, mas nem por isso sem méritos. As aventuras do ratinho Remy não seriam tão interessantes se a montagem não fluisse tão bem. Ágil e minimalista, deve se orgulhar de sua competente edição.

Melhores de 2007 – Edição/Mixagem de Som

– O Ultimato Bourne –

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O fator que mais torna a ação de O Ultimato Bourne empolgante é a direção do super competente Paul Greengrass. Mas é inegável que o som e os efeitos sonoros também são essenciais para que tudo flua de forma rápida e impressionante nos momentos específicos. Na trilogia de Bourne, é nesse capítulo onde o som tem maior presença, deixando o espectador até mesmo desnorteado (no bom sentido) com suas explosões, corridas e lutas. A trilha sonora também merece destaque por ser perfeita para o frenético ritmo da trama. Além de ser o melhor filme do ano, O Ultimato Bourne, com todos os méritos, possue o melhor som e os melhores efeitos sonoros do ano. A melhor opção em filmes de ação.

OUTROS INDICADOS:

rata.jpgRatatouille. Cada barulho feito pelos personagens adoráveis de Ratatouille são hipnotizantes, sejam os tiros de espingarda, os passos ou os pratos caindo. Os sons se aproximam da perfeição quando traduzem para tela os movimentos de cada personagem. Certamente um grande destaque do ano.

piratas.jpgPiratas do Caribe – No Fim do Mundo. Como disse em minha resenha, esse é o pior dos três, além de ser muito monótono e decepcionante. Porém, é o mais bem acabado no setor técnico, especialmente no auditivo. Quem viu o filme em uma boa sala de cinema, sabe como Piratas do Caribe evoluiu nesse quesito.

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Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho. Nesse quesito os musicais sempre se superam, e não foi diferente com Dreamgirls, que com suas vozes poderosas e músicas contagiantes conseguiu envolver os ouvidos do espectador que teve a oportunidade assistir a esse show para os ouvidos no cinema.

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Homem Aranha 3. Uma enorme decepcão mas que, assim como Piratas do Caribe – No Fim do Mundo, aperfeiçoou-se no lado técnico. Os sons receberam melhor tratamento, especialmente nas cenas de batalha. Ainda que não seja um trabalho excelente, conseguiu se destacar entre os melhores lançados neste ano.

Melhores de 2007 – Direção de Arte

– Maria Antonieta –

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Toda a grandiosidade do palácio de Versalhes foi meticulosamente retratada na soberba direção de arte de Anne Seibel no último filme de Sofia Coppola. O conjunto todo é realmente impressionante e vibrante visualmente, como há muito tempo não se via em um filme de época. Esse é um dos muitos fatores que faz com que o visual de Maria Antonieta impressione tanto durante toda seu desenvolvimento Injustamente ignorada pelo Oscar, a direção de arte é muito superior  a do vencedor do ano, O Labirinto do Fauno. Além desse quesito técnico, a produção também merece grande destaque por seus lindos figurinos e pela impecável maquiagem. O trabalho técnico da produção merecia um prêmio por todo o conjunto estético, que realmente é digno de aplausos.

OUTROS INDICADOS:

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Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho, por Tomas Voth. Se as canções do filme não conseguem chegar nem perto do brilhantismo das de Moulin Rouge!, ao menos seu lado técnico não fica atrás. Extremamente colorida, a direção de arte é um atrativo para os olhos, conseguindo ser adorável e encantadora.

rainha.jpgA Rainha, por Alan MacDonald. A direção de arte de A Rainha é admirável. Sejam os cenários do palácio, da casa real, as decorações. Assim como todo o filme, consegue ser na medida, trazendo um grande atrativo para a história e para o público, que fica curioso com o visual interior dos bastidores da monarquia inglesa.

spray.jpgHairspray – Em Busca da Fama, por Dennis Davenport. Os anos 6o foram transmitidos de forma muito charmosa pela direção de arte de Hairspray. Não é nada de impressionante, como a maior parte dos musicais recentes, mas conquista pela simplicidade das decorações, das cores e dos desenhos; tudo sem exageros visuais.

Harry Potter e a Ordem da Fênix, por Alastair Bullock, Gary Tomkins, Andrew Snow e Mark Bartholomew. Sempre fui fã da direção de arte dessa série, mas ela conseguiu se aperfeiçoar ainda mais nesse último volume, com a inclusão do sombrio Ministério da Magia e com a sala de Dolores Umbridge, entre outros.

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