Cinema e Argumento

Não Estou Lá

Direção: Todd Haynes

Elenco: Cate Blanchett, Heath Ledger, Richard Gere, Christian Bale, Ben Whishaw, Julianne Moore, Michelle Williams

I’m Not There, EUA, 2007, Drama, 135 minutos, 12 anos.

Sinopse:Bob Dylan (Christian Bale / Cate Blanchett / Heath Ledger / Marcus Carl Franklin / Richard Gere / Ben Whishaw), ícone musical, poeta e porta-voz de uma geração. Sempre viveu em constante mutação ao longo da vida, especialmente durante os anos 60. Musicalmente, fisicamente, psicologicamente, as alterações do seu personagem público dialogaram com acontecimentos sociais e ocasionaram múltiplas repercussões culturais. De jovem menestrel a profeta folk, de poeta moderno a roqueiro, de ícone da contracultura a cristão renascido, de caubói solitário a popstar.

1 INDICAÇÃO AO OSCAR:

– Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett)

 

“Não Estou Lá chega aos cinemas com o sucesso da atuação de Cate Blanchett favorecendo sua repercussão. Ela é apenas um dos fatores que faz com que o novo filme de Todd Haynes não seja mais uma banal cinebiografia. No entanto, a produção é cheia de falhas no seu ritmo, o que pode ser decisivo na hora do espectador gostar ou não do resultado final.”

As biografias já são um gênero saturado em Hollywood. É raro ver uma com algum tipo de ousadia ou originalidade; tudo se baseia no talento dos atores. Caso de, por exemplo, Ray, Johnny & June e Piaf – Um Hino Ao Amor , filmes que são cheio de falhas técnicas (normalmente no roteiro arrastado e previsível), mas que os desempenhos compensam tudo. Felizmente Não Estou Lá não é desse estilo. Aqui não temos um artista ficando decadente por causa de drogas, casos extra-conjugais que devastam casamentos ou uma transformação psicólogica do protagonista ao alcançar o sucesso. O roteiro se preocupa em apenas mostrar quem foi Bob Dylan e a grande carreira que ele construiu, sem se apoiar em maiores draminhas pessoais para intensificar a história – até porque o estilo é quase que inteiramente documental. Com o intuito de  tornar o filme mais interessante, vários atores foram chamados para interpretar o mesmo personagem (Dylan). Dentre os intérpretes, os que realizam os melhores trabalhos na pele do cantor são Cate Blanchett e Heath Ledger. Os outros realizam bons desempenhos também, mas que ficam aquém desses dois atores citados. Só não gostei mesmo de Richard Gere, que ficou com a faceta menos interessante do personagem. Ledger, no penúltimo filme de sua carreira, é o que traz a parte mais humana da história e a naturalidade do ator realmente impressiona. Já Blanchett dispensa comentários, é a melhor coadjuvante do ano até agora e está marcante em seu papel. São nesses momentos que fica evidente todo o talento dessa estupenda atriz. O tempo dos atores em cena é bem dividido, o que não causa uma sensação de que um teve mais tempo do que outro.

Não são apenas os desempenhos que trazem grandes pontos positivos para o resultado de Não Estou Lá. O diretor Todd Haynes (mais conhecido por seu trabalho em Velvet Goldmine) resgata todo aquele visual nostálgico e estiloso que ele apresentou em Longe do Paraíso para transformar Não Estou Lá em uma produção que também é visualmente interessante. A sua direção é excelente, mesclando muito bem os momentos musicais (que empolgam em vários momentos) com algumas tomadas originais. Porém, existe um grande problema apesar de todos os elogios. O roteiro é extremamente arrastado (são longos 135 minutos de duração), não se decide no estilo documental ou dramatizado e acaba deixando tudo morno demais. Em algumas vezes se torna até mesmo confuso para os leigos na história do cantor. Conseguir não ser previsível o roteiro conseguiu. Mas com isso se tornou parado demais, sem vida. Ele apenas observa os acontecimentos, sem trazer uma maior ponta de empolgação. E fica assim durante todo o filme. E isso acaba estragando bastante o resultado final, desgastando os pontos positivos. Provavelmente os fãs de Bob Dylan vão gostar. Já numa visão cinéfila, o filme peca bastante no andamento. E, no final das contas, Não Estou Lá quase que se torna uma biografia comum, onde os atores compensam tudo. Mas se salvou por não ter a mesma estrutura desses tipos de filmes.

FILME: 7.5

Vídeo da Semana

Esse é apenas um vídeo de um grupo de atores que resolveu participar de uma campanha para que a greve dos roteiristas chegasse ao fim, pouco tempo atrás. Pena que esses vídeos não tenham sido muito divulgados, pois alguns são bem efetivos para a causa. Selecionei esse da Susan Sarandon, que é o mais engraçado. Alguns podem achar ”tosco”, outros muito divertido. Depende do seu humor.

Meme – 5 Filmes Subestimados

Eu queria citar muitos filmes aqui, mas alguns outros blogueiros já comentaram sobre alguns deles – caso do Wally, que falou sobre A Vila e do Vinícius que discursou sobre Elefante. Também existem aqueles filmes que todo mundo já está careca de saber que eu acho subestimados, como As Confissões de Schmidt, Lado a Lado e Titanic. Para não tornar essa lista repetitiva, fiz uma seleção mais pessoal, de filmes que admiro bastante e que eu acho que não tiveram o merecido reconhecimento. Ou melhor, a a merecida recepção.

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Magnólia, de Paul Thomas Anderson

O elenco de Magnólia está na lista dos melhores que já vi. É o conjunto de interpretações que torna o filme de Paul Thomas Anderson uma experiência inesquecível. Mas não são apenas eles que fazem Magnólia ser tão bom assim – o roteiro é incrivelmente bem conduzido (as três horas passam em um piscar de olhos), a direção muito competente e todo o setor técnico também cumpre muito bem o seu papel. Entender o porquê desse grande filme ter sido completamente ignorado pelo público e pelos críticos (ainda que tenha um grande grupo de admiradores) é uma árdua tarefa, uma vez que fica evidente toda a excelência do trabalho durante cada segundo de projeção.

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Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón

Alfonso Cuarón não precisou de grandes efeitos ou uma história apoteótica para criar uma das visões mais realistas e aterradoras do futuro. Deve ser por causa disso que o incrível Filhos da Esperança não chamou a atenção de muita gente. Afinal, quem iria ver um filme que desenvolve uma história sobre o futuro político da humanidade? Só os mais intelectuais mesmo. Sorte que esses souberam valorizar essa obra de forma única, tornando Filhos da Esperança uma mini-pérola querida por um pequeno público e que merecia um recebimento mais amplo do público e até mesmo da crítica especializada, que pouco se importou com ele.

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Inteligência Artificial, de Steven Spielberg

Se Guerra dos Mundos foi subestimado pelo público porque não correspondeu as expectativas em torno dele (que, convenhamos, não sei o quê diabos o público esperarava tanto de um blockbuster assumido), Inteligência Artificial foi esquecido e é um dos filmes menos celebrado do diretor. De certo porque não é apenas um mero filme-pipoca; consegue trazer melancolia e reflexão à uma história original e realista. Nem os efeitos e a maravilhosa direção de arte chamou maior atenção, e a superprodução foi condenada a inúmeras repetições na TV Globo. Uma pena, porque Inteligência Artificial é muito melhor do que falam por aí…

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A Vida de David Gale, de Alan Parker

Acho que eu sou a única pessoa na face da Terra que adora completamente esse filme. Arquitetado de forma tensa e com um elenco brilhante – Kevin Spacey, Laura Linney e Kate Winslet estão maravilhosos – pouco se ouve falar de A Vida de David Gale, e raramente ele é mencionado com boas opiniões. Esquecido completamente nas prateleiras das locadoras, é um filme muito interessante e nervoso, que ressucita aquelas velhas histórias inesquecíveis de “quem é o culpado?”, conseguindo manter a atenção o tempo inteiro e nunca decepcionando. Com os nomes envolvidos, era de se esperar que fosse mais reconhecido.

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O Código Da Vinci, de Ron Howard

Okay, a realização de O Código Da Vinci foi puramente baseada no desejo de uma grande bilheteria. Mas nem por isso o resultado foi ruim. Confesso que na época fiquei sim decepcionado com o resultado linear e correto, mas odiaram em excesso e não valorizaram tudo o que filme tem de bom para proporcionar. Talvez seja o maior projeto dessa década onde o tiro saiu pela culatra – teve até bom resultado nas bilheterias, mas pouca gente gostou. Eu, felizmente, fiquei feliz com a adaptação e com as lindas locações da produção. Um filme subestimado sim.

Repassando o meme para:

Pedro Henrique, do “Tudo é Crítica”

Gustavo, do “Fina Ironia”

Arthur Belotto, do “Em Cena”

Wanderley, do “Espaço Lumière”

Gustavo Madruga, do “Cine Ôba”

Vídeo da Semana

O vídeo contém spoilers.

Pra falar a verdade eu não adoro esse segundo volume de Kill Bill (na época de seu lançamento até me decepcionei um pouco), mas é inegável que ele possui aspectos simplesmente brilhantes e cenas inesquecíveis. O que mais se destaca é a atuação da bela Uma Thurman – talvez no melhor desempenho de sua carreira – que tem grandes momentos dramáticos. Merecia até concorrer ao Oscar. Essa cena do filme é um dos ápices da atriz no longa-metragem.

Filmes em DVD

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O Custo da Coragem, de Joel Schumacher

Com Cate Blanchett, Emmet Bergin e Alan Devine


Se existe um diretor que até hoje não mostrou ao que veio, esse é Joel Schmuacher. Ele se lançou em diversos gêneros – musical (O Fantasma da Ópera), suspense (Número 23) e aventura (Batman & Robin). No entanto, até hoje não se achou: quando não realiza catástrofes, produz filmes completamente irregulares e esquecíveis. Só existe um trabalho relevante em seu currículo, O Cliente, e ainda por cima todos os méritos vão para a Susan Sarandon. O Custo da Coragem não vai mudar sua vida e logo você irá esquecer. A história é mal conduzida e não empolga em nenhum momento, mas a presença da Cate Blanchett (outra atriz que apesar do filme ser ruim, tem a habilidade de salvar o dia) consegue disfarçar a banalidade da narrativa, que é completamente linear e sem emoção. A história só consegue criar certo charme nos momentos finais, onde a protagonista da história tem que se deparar com um perigo real. É por Blanchett, e somente por ela, que O Custo da Coragem não chega a ser ruim.

FILME: 6.5

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Tentação, de John Curran

Com Mark Ruffalo, Peter Krause e Naomi Watts


O diretor John Curran me surpreendeu completamente com O Despertar de Uma Paixão. Nem lembrava que esse Tentação era dele, e assisti sem saber disso. E, mais uma vez, ele conseguiu me conquistar. Existe um quê de Pecados Íntimos (a vida suburbana é cheia de casamentos despedaçados e pessoas infelizes) e um toque de Closer – Perto Demais (o sexo é usado como forma de afetar os sentimentos e magoar o próximo) no roteiro, que além de usar a introspecção para criar um clima de tristeza na trama, ainda conta com um ótimo elenco. Mark Ruffalo, Peter Krause (em seu trabalho mais significativo depois do fim de A Sete Palmos), Laura Dern e Naomi Watts estão excelentes, entregando uma empatia única e fazendo com que o espectador se identifique com os personagens. Apesar desses nomes famosos, Tentação é um filme completamente independente. Por mais que não traga inovações ou uma mensagem mais consistente, é um filme simples e efetivo, que até faz pensar.

FILME: 8.0

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16 Quadras, de Richard Donner

Com Bruce Willis, Mos Def e David Morse


16 Quadras é mais uma bobagem policial que Bruce Willis realiza tentando resgatar seu estrelato no gênero que fez tanto sucesso no passado. Não posso dizer que não fui envolvido pela trama e que não me empolguei em certos momentos, mas acho difícil apreciar esse passatempo que nada mais é que uma repetição de tantos outros filmes que vagam pelo cinema. Além de ter um dos coadjuvantes mais chatos da década (alguém me explica porque Mos Def faz aquela voz tão insuportável?!), o filme segue uma linearidade absurda, mantendo-se totalmente preso às regras do gênero. No entanto, quando não se exige muito do filme de Richard Donner, ele engana perfeitamente, mantendo a tensão e a curiosidade pelo desfecho. Por mais que seja esquecível e completamente dispensável, 16 Quadras é uma aceitável diversão para se assistir sem expectativas.

FILME: 6.5

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O Homem Que Não Estava Lá, de Joel e Ethan Coen

Com Billy Bob Thornton, Frances McDormand e Scarlett Johansson


O Homem Que Não Estava Lá resgata todo o espírito noir do cinema, contando uma história totalmente envolvente e interessante. Cheio de brilhantimos, o filme é uma pérola dos irmãos Coen que foi completamente ignorada nas premiações – recebeu apenas uma indicação ao Oscar (fotografia) e perdeu. O protagonista é Billy Bob Thornton, em momento inspirado e que caiu como uma luva para o papel. Em menores participações aparecem Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson e Richard Jenkins. A elegante trilha sonora ajuda a conduzir o interessante roteiro, que nunca decepciona durante suas duas horas de projeção. Como não sou muito fã de Fargo – Uma Comédia de Erros, acho que O Homem Que Não Estava Lá é a melhor introdução possível ao mundo desse dois ótimos irmãos.

FILME: 8.5

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Feliz Natal, de Christian Carion

Com Daniel Brühl, Diane Krueger e Guillaume Canet


Até hoje eu não entendo a badalação em torno de Paradise Now. Muitos condenaram a Academia por não ter premiado o filme, enquanto eu acho que a não-premiação foi algo bem justo. Falou-se tanto nesse filme, que acabaram esquecendo dos outros concorrentes. O mais injustiçado é esse Feliz Natal, surpreendente drama de guerra que chama a atenção por tratar o tema de forma humana, deixando de lado toda aquela repetição típica que costuma envolver esse gênero tão saturado. Além de ser um filme relativamente curto para esse tipo de história (não tem nem duas horas de duração), consegue ser dramaticamente interessante, mostrando toda emoção que existe dentro de cada ser humano envolvido na guerra – algo parecido com o recente Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Sua primeira hora é um pouco chata e entediante, mas tudo se recupera a partir do momento em que o tal “feliz natal” do título é dado. Certamente merecia ter levado o Oscar…

FILME: 8.0

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Impulsividade, de Mike Mills

Com Lou Pucci, Tilda Swinton e Vince Vaughn


Ritmo é inexistente no roteiro de Impulsividade, já que a história é arrastada e tudo demora pra se desenrolar. O que não deveria acontecer, uma vez que a história é interessante. Tirando esse efeito que é quase debilitante para o andamento, o filme tem bons aspectos. A começar pelo elenco, onde todos têm destaque. O novato Lou Pucci é competente, Vince Vaughn longe de qualquer caricatura habitual e Keanu Reeves sem parecer o robô que sempre é. Mas a presença mais significativa é a de Tilda Swinton (recém agraciada com o Oscar de coadjuvante por Conduta de Risco), em um dos desempenhos mais memoráveis de toda a sua carreira. Outro aspecto positivo é a deliciosa trilha sonora, cheia de excelentes canções. Impulsividade é um bom filme, mas que peca por não ter um bom andamento. O que, na minha visão, é essencial.

FILME: 6.0

Vídeo da Semana

A canção não-original mais linda do ano, até agora, presente em um longa-metragem.

Sarah McLachlan interpreta Answer, presente no desfecho de Valente.

“I will be the answer, at the end of the line. I will be there for you, while you take the time. In the burning of uncertainty, I will be your solid ground. I will hold the balance, if you get knocked down. If it takes my whole life, I won’t break, I won’t bend. It will all be worth it, worth it in the end. ‘Cause I can only tell you what I know… That I need you in my life. And when the stars have all gone out, you’ll still burning so bright. Cast me gently, into morning, for the night has been unkind. Take me to a place so holy that I can wash this from my mind. The memory of choosing not to fight. If it takes my whole life, I won’t break, I won’t bend. It will all be worth it, worth it in the end. ‘Cause I can only tell you what I know… That I need you in my life. And when the stars have all gone out, you’ll still burning so bright. Cast me gently, into morning.”

Antes de Partir

We live, we die, and the wheels on the bus go round and round.


Direção: Rob Reiner

Elenco: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow, Rowena King

The Bucket List, EUA, 2007, Comédia, 95 minutos, 12 anos.

Sinopse: Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e, com isso, é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a “lista da bota”, algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela, Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.

Antes de Partir é apenas mais uma história sobre ”viva o agora pois a vida é curta”. A sessão acaba, poucos segundos depois você já nem lembra mais do filme e só vai voltar a pensar nele quando alguém o citar em uma conversa. Infelizmente, é esse o resultado do novo filme de Rob Reiner, que pouco tempo atrás era até mesmo cotado para o Oscar, em possíveis indicações para Jack Nicholson ou Morgan Freeman. O fato é que a produção se revelou como apenas um entretenimento leve e pouco inspirado.

No entanto, fiquei bastante contente ao ver que Antes de Partir não é descaradamente clichê e brega como eu estava esperando – tudo é muito contido, sem maiores lições de moral (que, apesar de estarem presentes no roteiro, não chegam nem a incomodar) e com humor agradável. Nem mesmo nas partes dramáticas a história se deixa levar por grandes pieguices, conseguindo obter um resultado bem efetivo. Claro que tudo não tem o menor impacto ou originalidade, mas ao menos conseguiu com que a temática fosse tratada de um bom jeito, tornando a curtíssima sessão de 95 minutos, no mínimo, simpática.

Deixando de lado o roteiro, que é o fator menos importante da produção, vamos ao que mais interessa: os desempenhos de Jack Nicholson e Morgan Freeman. Como era de se esperar, o filme é completamente deles, com cada um tendo seus bons momentos. Nicholson, que vem participando de poucos filmes recentemente (o último foi Os Infiltrados), está ótimo. O seu Edward Cole é uma mistura de Warren Schmidt de As Confissões de Schmidt e Harry Sanborn de Alguém Tem Que Ceder. O timing cômico do ator é perfeito, e o diretor Rob Reiner soube aproveitar isso muito bem, extraindo do ator excelentes momentos cômicos e dramáticos também.

Já para Morgan Freeman ficou o papel dramático e também o do narrador (aliás, ele leva jeito pra coisa, assim como demonstrou em Menina de Ouro), com o ator conseguindo outro ótimo trabalho e se mantendo no mesmo nível de excelência de Nicholson. No final das contas, Antes de Partir é inofensivo, não ofende ninguém e não machuca uma mosca. O jeito é assistir o filme de cabeça aberta, sem qualquer preconceito com esse tipo de história e deixar o senso crítico de lado. É o melhor jeito para se perdoar os erros e as obviedades de Antes de Partir. Destaque para a música de John Mayer, que toca nos créditos finais (“Say“) e que transmite toda a mensagem que o filme quer passar…

FILME: 7.0

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