Cinema e Argumento

Livro – Ensaio Sobre a Cegueira

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O certo e o errado são apenas modos diferentes de entendermos nossa relação com os outros. É bem certo que o difícil não é conviver com as pessoas, o difícil é compreendê-las. As respostas não aparecem sempre quando são precisas… Muitas vezes, ter de ficar à espera delas é simplesmente a única resposta possível.

Muitas pessoas consideram Ensaio Sobre a Cegueira (do autor português José Saramago) uma obra literária impossível de ser adaptada. Quando o diretor Fernando Meirelles – que já se demonstrou incrível habilidade na direção de longas como O Jardineiro Fiel) – decidiu que iria filmar Cegueira (o título em português será somente essa palavra), muitos ficaram atônitos com a decisão dele. Depois que conclui a leitura do livro de José Saramago, cheguei a conclusão que Meirelles está se arriscando sim nesse projeto. Mas caso tudo seja bem construído, teremos com esse filme, uma das obras mais polêmicas, ousadas e poéticas do cinema contemporâneo. Ainda temos outros detalhes menores envolvendo a produção, como a escolha de Julianne Moore para a protagonista. A maior especulação em torno de sua atuação é que ela seja a que vai render o primeiro Oscar para a atriz, que já merecia ter sido consagrada quando concorreu como coadjuvante por seu brilhante momento em As Horas.

Agora vamos ao livro. É mais um dia normal em uma grande metrópole. De repente, parado em frente a um semáforo, um motorista cega. A sua cegueira é branca, causando seu desespero. A partir daí, uma epidemia se espelha, cegando diversos membros da sociedades – ironicamente, nem um oftamologista se salva. Tentando conter essa desgraça, o governo isola esses casos em um manicômio abandonado, onde os cegos ficarão presos e receberão apenas um auxílio na alimentação para sobreviverem. No entanto, para acompanhar e proteger o marido, uma mulher resolve mentir e dizer que está cega para também ir ao tal manicômio. O que ela não sabe é que é a única pessoa que não cegou e nunca cegará. José Saramago nem se preocupa em explicar porquê essa mulher não cegou ou porque ela é a “escolhida”. O que o autor quer fazer é mostrar para o leitor, através dos olhos da personagem, todo o caos e barbárie que vai se instalar nesse lugar doentio que, aos poucos, vai se tornando cada vez mais insuportável de se viver.

A linguagem utilizada é bem complicada (até porque o autor pediu que a grafia de Portugal fosse mantida, assim como outros autores fizeram, ao exemplo de Inês Pedrosa, com o seu brilhante Fazes-Me Falta) e o estilo de narrativa é um pouco cansativo. Mas aos poucos, o leitor vai se acostumando com todo o jeito de Saramago. O livro se desenvolve de forma ágil e muitíssimo interessante, ainda que fique um pouco sem graça nos momentos finais. Os personagens são muito bem explorados, cada um conquistando seu espaço na trama. Como esquecer a rapariga dos óculos escuros ou o rapazinho estrábico? Tudo muito bem temperado com cenas altamente chocantes como estupros e assassinatos, além de pura filosofia ao analisar todo o caos instalado nessa nova sociedade desprovida de visão. O autor dá um excelente tom de “fim do mundo”, onde tudo é completamente vazio, sem esperança ou motivações para viver. Se Meirelles estava atrás da obra perfeita para fazer seu melhor filme, aqui está ela.

Romance e Cigarros

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[De John Turturro. Com Susan Sarandon, Kate Winslet e James Gandolfini]

Existem certos filmes que só tem “nome”. É o caso de Bobby e A Grande Ilusão. Filmes com nomes poderosos no elenco mais que não passam de um resultado regular. Também é o caso desse Romance e Cigarros, que apesar dos excelentes atores que tem em seu elenco, não consegue ir muito bem como filme. Só o fato de ter sido lançado diretamente em DVD aqui no Brasil já comprova seu fraco resultado. Realmente, como musical a produção tem um resultado bem aquém do esperado, mas o filme não merece desprezo. A história é bem divertida e as músicas conseguem dar bom ritmo para a trama. Mas, sem dúvida, quem salva é o elenco. Susan Sarandon, apesar de dublada em suas canções, dá a sua melhor aparição depois de tanto tempo cometendo erros grotescos no cinema. Kate Winslet está um pouco deslocada e quase caricata, mas exerce muito bem seu papel de mulher sensual. James Gandolfini, o protagonista, não deixa maior impressão mas está aceitável. De resto – Mary Louise Parker, Christopher Walken, Steve Buscemi, entre outros – são apenas personagens sem muita importância. Estranhamente as canções funcionam e o roteiro não. O diretor John Turturro entrega uma produção irregular e que desperdiça os grandes nomes que tem em mãos. Mas para um filme lançado em DVD, o resultado é satisfatório.

FILME: 6.5

3

A Noite do Oscar 2008

A festa que ocorreu ontem foi a melhor que já assisti. Simplesmente por ter sido a mais justa. Das minhas 19 apostas (não palpito em curtas), acertei 14. Fiquei muito satisfeito com meu resultado. A noite em si não foi tão inesquecível – até porque não vejo tanta graça no Jon Stewart – e tudo só foi emocionante mesmo por causa dos prêmios. Nunca tinha ficado tão satisfeito com a distribuição deles. E a Marion Cotillard? Ninguém colocava fé nela, mas eis que a Academia vence preconceitos e premia merecidamente uma das melhores performances da década. Foi a estatueta mais emocionante da noite, Marion demonstrou uma grande emoção como há tempos não se via. Outro prêmio merecido e que o vencedor se emocionou bastante foi o da Tilda Swinton, em quem poucos apostavam. Javier Bardem e Daniel Day-Lewis (em grande momento se ajoelhando nos pés de Helen Mirren) ganharam como era óbviamente panejado e apostado. Mesmo eu sendo teimoso e não acreditanto tanto em uma consagração dos irmãos Coen por Onde Os Fracos Não Têm Vez, ela aconteceu. Foi a primeira vez na vida que a categoria de Melhor Filme não me causou nenhuma sensação. Primeiro porque o óbvio ocorreu e segundo porque o prêmio era merecido. Além de melhor filme, os irmãos Coen ganharam direção e roteiro adaptado. Eu esperava alguma consagração surpresa para o Paul Thomas Anderson (Sangue Negro), principalmente em roteiro adaptado, mas mais uma vez ela foi adiada.

 Já nos prêmios técnicos algumas coisas me desagradaram, como a vitória muito injusta de A Bússola de Ouro em efeitos especiais (apesar de serem ótimos, parece ter sido mais um prêmio de consolação para o filme não ter passado em branco na festa), quando Transformers merecia muito mais. Outro prêmio meio injusto foi o de fotografia para Sangue Negro. Não é desmerecido, mas outros concorrentes mereciam mais. Por um outro lado, a consagração de O Ultimato Bourne foi uma das melhores surpresas que a Academia já reservou nos respectivos setores em que o filme se saiu vencedor (edição de som, mixagem de som e montagem). Uma consagração pra lá de merecida e que me deixou muito contente. Ao que pode parecer, a vitória de Desejo e Reparação na categoria de melhor trilha sonora, não foi um prêmio de consolação como foi o de Babel ano passado nessa categoria. A trilha de Dario Marianelli é soberba, e o prêmio para o filme foi o mais justo na categoria em muito tempo. Assim como direção de arte para Sweeney Todd, que foi merecido e não consolação. Falando em música, gostei bastante das encenações e das coreografias das músicas, apesar de exagerarem às vezes (That’s How You Know, por exemplo, virou um carnaval completo em certos momentos). Como era de se esperar, Falling Slowly se saiu vencedora. Glen Hansard e Marketa Irglová foram outros que se emocionaram bastante ao subir no palco. Piaf – Um Hino Ao Amor ainda levou maquiagem. Os Falsários ficou com o prêmio de filme estrangeiro. Elizabeth – A Era de Ouro repetiu o feito de outro filme de época ano passado (Maria Antonieta) na categoria de melhor filme, ao se sair vencedor, como era bem previsível.

Enfim, além de ter uma das melhores seleções de indicados, o Oscar desse ano ainda conseguiu o feito de ser impecável. Tudo na medida, tudo muito justo, tudo muito bem distribuído. Claro que sempre teremos reclamações mas, modéstia a parte, é impossível negar a excelência dessa edição número 80, que além disso tudo não foi nem um pouco chata – foi rápida e acabou num piscar de olhos. Se em anos anteriores a Academia havia me decepcionado bastante com suas escolhas, esse ano ela se redimiu completamente. E, pela primera vez, eu digo com a maior satisfação: “viva o Oscar!”.

Oscar 2008 – Apostas

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Melhor Filme

Quem vai levar: Conduta de Risco

Fique de olho em: Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Quem merecia: Desejo e Reparação

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Melhor Direção

Quem leva: Joel e Ethan Coen, por Onde Os Fracos Não Têm Vez

Fique de olho em: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro

Quem merecia: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro

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Melhor Atriz

Quem leva: Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor

Fique de olho em: Julie Christie, por Longe Dela

Quem merecia: Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor.

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Melhor Ator

Quem leva: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro

Fique de olho em: Johnny Depp, por Sweeney Todd

Quem merecia: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro

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Melhor Atriz Coadjuvante

Quem leva: Tilda Swinton, por Conduta de Risco

Fique de olho em: Cate Blanchett, por Não Estou Lá

Quem merecia: Saoirse Ronan, por Desejo e Reparação

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Melhor Ator Coajuvante

Quem leva: Javier Bardem, por Onde Os Fracos Não Têm Vez

Fique de olho em: Casey Affleck, por O Assassinato de Jesse James

Quem merecia: Javier Bardem, por Onde Os Fracos Não Têm Vez

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Melhor Roteiro Original

Quem leva: Juno

Fique de olho em: Ratatouille

Quem merecia: Ratatouille

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Melhor Roteiro Adaptado

Quem leva: Onde Os Fracos Não Têm Vez

Fique de olho em: Sangue Negro

Quem merecia: Onde Os Fracos Não Têm Vez

Melhor Trilha Sonora

Desejo e Reparação

Melhor Fotografia

O Escafrando e a Borboleta

Melhor Maquiagem

Piaf – Um Hino Ao Amor

Melhor Figurino

Elizabeth – A Era de Ouro

Melhor Canção Original

“Falling Slowly”

Melhor Direção de Arte

Sweeney Todd

Melhor Mixagem de Som

Ratatouille

Melhor Edição de Som

O Ultimato Bourne

Melhores Efeitos Especiais

Transformers

Melhor Documentário

S.O.S Saúde

Melhor Filme Estrangeiro

Os Falsários (Áustria)

Sangue Negro

Direção: Paul Thomas Anderson

Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Dillon Freasier, Kevin J. O’Connor

There Will Be Blood, EUA, 2007, Drama, 159 minutos, 16 anos.

Sinopse: Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia, ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando no solo. Daniel decide partir para o local com o seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza, mas também uma série de conflitos.

Sangue Negro causa uma estranha sensação de que “já vimos esse filme antes” por se tratar de uma saga literalmente longa (aproximadamente 160 minutos) sobre a ascenção de um homem trabalhador no mundo dos negócios. No meio de tudo isso, velhas intrigas profissionais, cobiça financeira, decadência e loucura. Uma história dessas pode até já ter sido contada diversas vezes, mas é impossível negar que o diretor Paul Thomas Anderson dá um tom diferente a esse tipo de enredo.

Munido de um poderoso ator como protagonista e um ótimo coadjuvante, Sangue Negro desponta como um dos favoritos ao Oscar 2008. Méritos para isso tem de sobra. Pena que o filme não faça meu estilo, o que acabou dificulcando a minha aceitação da produção como uma obra-prima contemporânea. Incrivelmente bem produzido, é muito difícil acreditar que o orçamento do filme ficou apenas nos 25 milhões de dólares, uma vez que a direção de arte é impecável em sua reconstrução de época. A trilha sonora de Johnny Greenwood é outro fator interessantíssimo, com composições inesquecíveis e outras completamente coerentes com a história que está sendo trabalhada.

Mas esses detalhes técnicos ficam pequenos perto dos verdadeiros destaques do filme. Se existe uma unânimidade presente em Sangue Negro, ela se chama Daniel Day-Lewis. Sumido de longas de destaque desde Gangues de Nova York, apesar de ter realizado um filme menor e bom chamado O Mundo de Jack e Rose, Day-Lewis apresenta uma das melhores atuações da década, (se não a melhor) fazendo aquele tipo de papel que entra para a história do cinema. Merecidamente é aclamado por todos os lugares onde passa. Pena que um outro ator do elenco foi ofuscado pela interpretação de Day-Lewis, o ótimo Paul Dano. Por mais que seu papel seja um pouco forçado e exagerado, Dano consegue extrair do pastor Eli uma empatia absurda – sentimos ódio ou pena daquele fanático religioso?

Entendo perfeitamente quem considera Sangue Negro uma obra-prima, mas eu não consegui o ver como tal em nenhum momento. Talvez a minha relutância com longas durações tenha atrapalhado (foi o maior defeito que consegui achar no longa, o roteiro demasiado comprido), mas não posso deixar de jeito nenhum de reconhecer o grande trabalho de Paul Thomas Anderson. Ficam vários diálogos e momentos memoráveis no espectador ao fim da sessão. Decidi colocar aqui o que achei mais marcante e contundente: “Eu não quero que ninguém mais tenha sucesso. Eu odeio a maioria das pessoas. Existem momentos que eu olho para as pessoas e não vejo nada além de maldade. Eu vejo o pior nelas.”

FILME: 8.0

35

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:


Onde Os Fracos Não Têm Vez

Direção: Joel e Ethan Coen

Elenco: Josh Brolin, Javier Bardem, Tommy Lee Jones, Woody Harrelson, Kelly Macdonald

No Country For Old Men, EUA, 2007, Ação, 123 minutos, 14 anos.

Sinopse:Inspirado no romance do americano Cormac McCarthy, “Onde os Velhos Não têm Vez”, o longa se passa no Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

Lá se vão doze anos desde o que os irmãos Coen tiveram sua última aparição no Oscar, com Fargo – Uma Comédia de Erros. O cultuado e superestimado filme (acho apenas uma competente e original produção) se saiu vencedor em duas categorias – atriz (para Frances McDormand) e roteiro. Mas não melhor filme e direção. Desde então, o público deseja que o Oscar corrija esse erro de não os ter consagrado. Ao que tudo indica, a coroação máxima deles vai acontecer nesse domingo, com Onde Os Fracos Não Têm Vez. A produção merece todas as suas indicações, especialmente a de direção, montagem e ator coadjuvante.

A violência é o centro de Onde Os Fracos Não Têm Vez. Nem bem o filme completa a sua meia hora duração e mais de dez pessoas já morreram, nas mais variadas formas. E assim a violência segue, tornando-se a principal engrenagem do filme, principalmente por ser incrivelmente realista e estimulante. Todo tipo de morte e agressividade está envolvida com a figura de Anton Chigurh, interpretado com maestria por Javier Bardem. O vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante (merecidamente, diga-se de passagem) dá vida a um dos mais interessantes vilões dessa década, traduzindo com perfeição toda a frieza e o caráter dissimulado dessa máquina de matar. Bardem é, de longe, o mais interessante de todo elenco, apesar dos bons desempenhos de Josh Brolin, Tommy Lee Jones e Kelly MacDonald.

O silêncio reina em praticamente todo o filme, com a ausência de trilha sonora, o que acaba por maximizar toda tensão e suspense da história que, por mais que não chegue a cativar ou empolgar no seu texto, é suficientemente interessante mara manter a curiosidade pelo bom e velho jogo de “gato e rato” que se forma entre os personagens. Onde Os Fracos Não Têm Vez é tenso e conduzido de forma excepcional pela direção competente dos irmãos Coen, que mostraram grande amadurecimento nesse quesito. A montagem é outro aspecto que merece destaque por ser um dos maiores atrativos do longa. O roteiro fica um pouco aquém do brilhantismo, uma vez que não é surpreendente e contundente em seus fatos, apenas realizando uma simples história de suspense.

Além de toda ação e suspense, o filme também causa momentos de reflexão, especialmente em dois momentos – na narração inicial, onde Tommy Lee Jones fala sobre os “velhos” de hoje (o que me leva a odiar o fato de “fracos” ter sido colocado no título, uma vez que “velhos” tem muito mais sentido e coerência com a trama) e no final, onde ele narra um sonho que teve e faz um convite ao espectador para entender as entrelinhas presentes naquelas palavras. Confesso que eu esperava um filme mais empolgante em suas mensagens e não tão seco, mas saí completamente satisfeito da sessão, onde conclui que o filme merece sim todos os elogios que recebe.

FILME: 8.5

4

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:

Sweeney Todd

Direção: Tim Burton

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Timothy Spall

Sweeney Todd – The Demon Barber Of Fleet Street, EUA, 2007, Musical, 122 minutos.

Sinopse:Tim Burton é o diretor da saga demoníaca de Benjamin Barker (Johnny Depp), um homem preso injustamente pelo Juiz Turpin (Alan Rickman) que, ao ser solto, descobre que sua esposa se suicidou após ser estuprada por Turpin, que também tomou sua filha. Barker parte para a vingança ao lado da cozinheira Nellie Lovett (Helena Bonham Carter), “famosa” por suas tortas detestáveis. Barker adota o nome de Sweeney Todd e aproveita sua profissão de barbeiro para colocar em prática seus planos com Lovett, agora sua amante.

Escuridão. Ruas sombrias. História bizarra. É impossível não reconhecer o inesquecível estilo que Tim Burton criou em sua filmografia. Mais inesquecível ainda são os filmes que o diretor produziu com o talentoso Johnny Depp. Depois de A Fantástica Fábrica de Chocolate (filme mais “contido” de Burton, mas nem por isso inferior), eles voltam com Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, produção que acabou sendo mais esperada do que o normal por se tratar de um musical sobre um serial killer.

E são justamente as expectativas que vão ajudar o espectador a formar sua opinião. De certa forma, Sweeney Todd não é nada de original ou surpreendente se analisarmos os outros filmes que Depp e Burton realizaram anteriormente. É repetitivo, até. Expectativas à parte, o longa consegue satisfazer em praticamente todos os aspectos, maximizando ainda mais todos aqueles quesitos que sempre deram certo em outros filmes do diretor – os ótimos figurinos, a soberba direção de arte e a escura fotografia.

Apesar de tudo isso, o que mais se destaca no filme é o elenco. Johnny Depp prova que o tempo lhe faz muito bem, conseguindo sempre melhorar e dando vida a Sweeney Todd de forma impecável. Não é nem de longe o melhor desempenho de sua carreira, mas ganha pontos com esse filme. Porém, quem mais chamou minha atenção no filme foi  Helena Bonham Carter, que consegue cativar em todos seus momentos musicais. O vilão da vez é Alan Rickman. Ator mais perfeito para o papel não existe, uma vez que Rickman se sai maravilhosamente bem interpretando esse tipo com sua marcante voz grave. A pequena ponta de Sacha Baron Cohen também é ótima.

Sweeney Todd escorrega bastante no roteiro – o lado musical, às vezes, fica melhor que a história e vice-e-versa, deixando uma sensação de mal balanceamento no ritmo. Lembrando bastante o clima estético e narrativo de Perfume – A História de Um Assassino, a produção acerta na parte mais importante de um musical: as canções. Ainda que não sejam “acessíveis” para o grande público, são utilizadas como um ótimo instrumento narrativo para conduzir a história e os sentimentos dos personagens. Tudo muito bem encenado. Sweeney Todd faz jus à carreira de Johnny Depp e Tim Burton, trazendo para nós cinéfilos todo aquele visual que tanto nos conquistou.

FILME: 8.0

35

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:

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