Cinema e Argumento

Filmes em DVD

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Mary Poppins, de Robert Stevenson

Com Julie Andrews, Dick Van Dyke e David Tomlinson


Se Willy Wonka é o rei dos doces em A Fantástica Fábrica de Chocolate, Mary Poppins (Julie Andrews, ótima) é a rainha da diversão em Mary Poppins. A premissa desses dois filmes é praticamente a mesma. Mary Poppins é a babá mágica, que leva as crianças a lugares maravilhosos e inesquecíveis. Tudo isso permeado por músicas encantadoras e ótimas coreografias. O filme é tão puro que encanta completamente, nos lembrando da época em que a inocência era algo incrível de se ter. Para embarcar no clima de Mary Poppins é preciso voltar a ser criança e liberar toda a imaginação que existe. O único defeito é que o filme é longo demais para uma produção infantil, e dificilmente crianças menores conseguirão prestar atenção na história durante mais de duas horas Ganhou cinco Oscars, incluindo melhor atriz para Julie Andrews.

FILME: 8.0

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Até o Fim, de Scott McGehee e David Siegel

Com Tilda Swinton, Goran Visnjic e Jonathan Tucker


Mais um exemplar de filme de chantagem que não traz nada de novo ou mais interessante. Se existe um motivo para que esse filme seja assistido é a presença de Tilda Swinton, ótima como sempre. De resto, Até o Fim é bem morno, nunca conseguindo empolgar como produções desse estilo normalmente conseguem fazer com seus clichês. De certo os diretores levaram a história a sério demais e quiseram fazer uma produção correta. Pena que se excederam em seguir demais as regras e entregaram um filme completamente passageiro…

FILME: 6.5

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O Abraço Partido, de Daniel Burman

Com Daniel Hendler, Adriana Aizemberg e Sergio Boris


O cinema argentino sempre chamou a minha atenção por sua delicadeza e por seu humanismo ao tratar de relacionamentos. O Abraço Partido parecia ser mais um exemplar emocionante desse gênero ao tratar da história de um filho que está prestes a conhecer o pai que o abandonou quando ele ainda era criança. Mas a produção resolveu seguir um rumo diferente e apostar no humor e na irreverência, o que acaba por enganar o espectador que esperava ver justamente o contrário ao ler a sinopse. De qualquer forma, os personagens muito bem trabalhados conseguem segurar as rédeas da história que, ao menos, é simpática o suficiente para tornar o filme uma aceitável diversão.

FILME: 7.0

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O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de Robert Aldrich

Com Bette Davis, Joan Crawford e Maidie Norman


A exemplo de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, esse filme estrelado por Bette Davis é longo demais, mas consegue manter o interesse o espectador durante toda a projeção. Bette Davis, por sinal, dá um show de interpretação como a dissimulada Baby Jane do título, em inesquecível desempenho que lhe rendeu sua décima indicação ao Oscar. Joan Crawford também não fica atrás, só que saiu prejudicada por seu personagem não ser tão interessante quanto o de Davis. O Que Terá Acontecido a Baby Jane? encanta mais pelas fabulosas interpretações do que pelo filme em si, mas mesmo assim consegue se tornar um marco na história do cinema preto-e-branco. Altamente recomendável.

FILME: 8.0

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Um Lugar No Coração, de Robert Benton

Com Sally Field, John Malkovich e Danny Glover


É muito difícil achar uma atriz que tenha dois Oscar em casa na mesma categoria. Sally Field é uma delas. Além de ganhar merecidamente pelo ótimo Norma Rae, ainda venceu por esse Um Lugar No Coração. Nesse trabalho sua vitória não tão merecida, mas mesmo assim ela realiza um bom trabalho. Na realidade, ela é um pouco prejudicada pela linearidade da produção, que não faz nada além de mostrar a história de uma mulher plantando algodão pra não perder a casa. Falta ritmo ao filme também, mas ele ainda tem um momento brilhante – a cena do tornado é fantástica – e bons coadjuvantes que ajudam Sally Field a sustentar a qualidade, em especial John Malkovich. Ainda tem pequena participação do lost Terry O’Quinn.

FILME: 7.5

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Evita, de Alan Parker

Com Madonna, Antonio Banderas e Jonathan Pryce


Pra começo de conversa já digo que Evita é o pior musical que já vi em toda minha vida – histriônico, exagerado, descontrolado e incrivelmente monótono. São mais de duas horas de incessantes canções (em nenhum momento do filme existe qualquer tipo de diálogo, tudo é cantado) em que nenhum momento empolgam, apenas ferem os ouvidos. Mas o maior erro do filme não é ser um musical, mas tratar de forma americana uma história tipicamente latina – a vida da famosa argentina Eva Duarte de Perón. Não posso dizer que o filme é totalmente ruim – ele é muito bem produzido, especialmente nos figurinos e na direçao de arte. Em algum momento ou outro, também gostei de algumas músicas. Mas, infelizmente, o resultado é péssimo, nada que o esforço em vão de Madonna e Antonio Banderas possa salvar.

FILME: 5.0

Vídeo da Semana

Depois da turbulência das férias e das premiações, volto agora com essa sessão que eu fazia antes. O primeiro vídeo da semana desse ano é com uma das vitórias mais justas e emocionantes do Oscar dos últimos tempos. Desde que Halle Berry ganhou sua estatueta por A Última Ceia, uma atriz não se emocionava tanto ao ser premiada. Notem também a reação de Cate Blanchett quando o nome de Marion Cotillard é anunciado.

Na Natureza Selvagem

I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… but to feel strong.

Direção: Sean Penn

Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, Hal Holbrook, Catherine Keener, William Hurt, Jena Malone, Kristen Stewart, Vince Vaughn

Into The Wild, EUA, 2007, Drama, 148 minutos, 12 anos.

Sinopse: Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca de liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

A solidão deve ser o tema mais interessante de se trabalhar em um filme dramático. Principalmente quando ela é intrigante e complexa. Entender as atitudes do personagem Christopher McCandless, o protagonista do novo longa de Sean Penn, ao se isolar da família e abandonar toda vida cheia de oportunidades que estava a sua espera é o principal de Na Natureza Selvagem. Trazendo alguns dilemas para o espectador, essa produção menor e que ficou em menor destaque nas premiações desse ano, consegue o feito de trabalhar a solidão sem cair em qualquer tipo de clichê.

Os méritos ficam por conta de dois apaixonados por esse projeto. O primeiro é o diretor Sean Penn, que se mostra maduro atrás das câmeras desde que estreiou nesse ramo com A Promessa. O segundo é o jovem ator Emile Hirsch (que chamou minha atenção em Heróis Imaginários), que entrou de cabeça no personagem, até mesmo se arriscando nas cenas mais perigosas onde negou a ajuda de um dublê. O restante do elenco também contribui bastante para o filme fluir com excelência. Hal Holbrook (em bom desempenho indicado ao Oscar), Kristen Stewart e Catherine Keener são os coadjuvantes que mais se destacam e só trazem pontos positivos para a trama. 

É exatamente por causa de tamanha sinceridade por parte do elenco e do diretor que Na Natureza Selvagem funciona, uma vez que fica evidente que o filme não é brilhante e muito menos cativante – tem poucos conflitos e não precisava de uma duração tão longa. As narrações em off são sempre bem-vindas, inclusive aqui. Por um outro lado, fiquei bastante indignado que um outro quesito do longa tenha sido completamente ignorado nas premiações – as belas composições de Eddie Vedder. Ok, elas são tantas que fica difícil escolher apenas uma. Mas, se ao menos Guaranteed fosse lembrada, já estaria de bom tamanho. Uma pena. Na Natureza Selvagem ficou aquém do que eu esperava (até porque havia criado expectativas demais), mas o resultado é satisfatório e não decepciona. É por Sean Penn e por Emile Hirsch que o filme deve ser conferido.

FILME: 8.0

Six Feet Underground

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A internet gera frutos interessantíssimos. Depois de eu passar um bom tempo comentando na comunidade de Six Feet Under no Orkut, conheci o Márcio Ramos e a Bruna Canuto por lá. Depois de um tempo, resolvemos nos unir nessa paixão por esse grande seriado e criar um blog em sua homenagem. Com críticas dos episódios, especiais e posts sobre os atores do elenco, o Six Feet Underground existe faz um tempinho já, mas só hoje começa a trabalhar a todo vapor.

Clique aqui para acessar o blog.

Ligeiramente Grávidos

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[de Judd Apatow. Com Katherine Heigl, Seth Rodgen e Leslie Mann]

Como todos sabem, sou um daqueles que detesta o humor de O Virgem de 40 Anos. A princípio, Ligeiramente Grávidos estava programado para ser uma continuação do filme estrelado por Steve Carell, mas ainda bem que não foi. Essa segunda comédia do diretor Judd Apatow (que acertou completamente na escolha do elenco, em especial a ótima Katherine Heigl, impulsionando sua saída da tv e sua entrada no cinema) tem um clima humorístico totalmente diferente do seu trabalho anterior. Tudo bem, é apenas mais um filme que lida sobre esse assunto tão trabalhado que é “se tornar pai quando responsabilidade e compromisso não existem”, mas ao menos Ligeiramente Grávidos consegue cumprir sua promessa sem escorregar nem exagerar, ainda que não precisasse de longos 130 minutos para desenvolver tudo. As piadas não são inteligentes ou muito menos cativantes, mas ao menos não precisam ficar sem integridade ou decência para causar graça (o que é o caso de O Virgem de 40 Anos). Conseguindo conduzir tudo com muita tranquilidade, o diretor Apatow consegue saldo positivo com essa produção que, apesar de totalmente esquecível, consegue ser ao menos simpático e enganar como uma engraçada diversão durante duas horas.

FILME: 7.0

3

Livro – Ensaio Sobre a Cegueira

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O certo e o errado são apenas modos diferentes de entendermos nossa relação com os outros. É bem certo que o difícil não é conviver com as pessoas, o difícil é compreendê-las. As respostas não aparecem sempre quando são precisas… Muitas vezes, ter de ficar à espera delas é simplesmente a única resposta possível.

Muitas pessoas consideram Ensaio Sobre a Cegueira (do autor português José Saramago) uma obra literária impossível de ser adaptada. Quando o diretor Fernando Meirelles – que já se demonstrou incrível habilidade na direção de longas como O Jardineiro Fiel) – decidiu que iria filmar Cegueira (o título em português será somente essa palavra), muitos ficaram atônitos com a decisão dele. Depois que conclui a leitura do livro de José Saramago, cheguei a conclusão que Meirelles está se arriscando sim nesse projeto. Mas caso tudo seja bem construído, teremos com esse filme, uma das obras mais polêmicas, ousadas e poéticas do cinema contemporâneo. Ainda temos outros detalhes menores envolvendo a produção, como a escolha de Julianne Moore para a protagonista. A maior especulação em torno de sua atuação é que ela seja a que vai render o primeiro Oscar para a atriz, que já merecia ter sido consagrada quando concorreu como coadjuvante por seu brilhante momento em As Horas.

Agora vamos ao livro. É mais um dia normal em uma grande metrópole. De repente, parado em frente a um semáforo, um motorista cega. A sua cegueira é branca, causando seu desespero. A partir daí, uma epidemia se espelha, cegando diversos membros da sociedades – ironicamente, nem um oftamologista se salva. Tentando conter essa desgraça, o governo isola esses casos em um manicômio abandonado, onde os cegos ficarão presos e receberão apenas um auxílio na alimentação para sobreviverem. No entanto, para acompanhar e proteger o marido, uma mulher resolve mentir e dizer que está cega para também ir ao tal manicômio. O que ela não sabe é que é a única pessoa que não cegou e nunca cegará. José Saramago nem se preocupa em explicar porquê essa mulher não cegou ou porque ela é a “escolhida”. O que o autor quer fazer é mostrar para o leitor, através dos olhos da personagem, todo o caos e barbárie que vai se instalar nesse lugar doentio que, aos poucos, vai se tornando cada vez mais insuportável de se viver.

A linguagem utilizada é bem complicada (até porque o autor pediu que a grafia de Portugal fosse mantida, assim como outros autores fizeram, ao exemplo de Inês Pedrosa, com o seu brilhante Fazes-Me Falta) e o estilo de narrativa é um pouco cansativo. Mas aos poucos, o leitor vai se acostumando com todo o jeito de Saramago. O livro se desenvolve de forma ágil e muitíssimo interessante, ainda que fique um pouco sem graça nos momentos finais. Os personagens são muito bem explorados, cada um conquistando seu espaço na trama. Como esquecer a rapariga dos óculos escuros ou o rapazinho estrábico? Tudo muito bem temperado com cenas altamente chocantes como estupros e assassinatos, além de pura filosofia ao analisar todo o caos instalado nessa nova sociedade desprovida de visão. O autor dá um excelente tom de “fim do mundo”, onde tudo é completamente vazio, sem esperança ou motivações para viver. Se Meirelles estava atrás da obra perfeita para fazer seu melhor filme, aqui está ela.

Romance e Cigarros

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[De John Turturro. Com Susan Sarandon, Kate Winslet e James Gandolfini]

Existem certos filmes que só tem “nome”. É o caso de Bobby e A Grande Ilusão. Filmes com nomes poderosos no elenco mais que não passam de um resultado regular. Também é o caso desse Romance e Cigarros, que apesar dos excelentes atores que tem em seu elenco, não consegue ir muito bem como filme. Só o fato de ter sido lançado diretamente em DVD aqui no Brasil já comprova seu fraco resultado. Realmente, como musical a produção tem um resultado bem aquém do esperado, mas o filme não merece desprezo. A história é bem divertida e as músicas conseguem dar bom ritmo para a trama. Mas, sem dúvida, quem salva é o elenco. Susan Sarandon, apesar de dublada em suas canções, dá a sua melhor aparição depois de tanto tempo cometendo erros grotescos no cinema. Kate Winslet está um pouco deslocada e quase caricata, mas exerce muito bem seu papel de mulher sensual. James Gandolfini, o protagonista, não deixa maior impressão mas está aceitável. De resto – Mary Louise Parker, Christopher Walken, Steve Buscemi, entre outros – são apenas personagens sem muita importância. Estranhamente as canções funcionam e o roteiro não. O diretor John Turturro entrega uma produção irregular e que desperdiça os grandes nomes que tem em mãos. Mas para um filme lançado em DVD, o resultado é satisfatório.

FILME: 6.5

3

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